Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — FEPESE 2026
Medicina Legal›Tanatologia Forense
Código
qg676584
Banca
FEPESE
Órgão
Polícia Científica - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Oficial Criminal - Medicina Veterinária
No âmbito da patologia forense veterinária, a distinção precisa entre lesões vitais, alterações post- mortem e artefatos de técnica é o maior desafio do perito ao estabelecer o nexo causal. No processo de reconstituição da causa mortis e do Intervalo Post-Mortem (IPM), a análise das alterações fisiopatológicas e teciduais deve ser criteriosa.Assinale a alternativa correta sobre os protocolos e fenômenos cadavéricos na perícia necroscópica.
AO fenômeno da embebição por hemoglobina, comum em carcaças em estágio avançado de autólise, deve ser diagnosticado como evidência primária de processo inflamatório agudo generalizado (septicemia) no relatório pericial.
BA validade do exame macroscópico na perícia forense é absoluta, sendo a histopatologia facultativa, uma vez que as alterações degenerativas post-mortem não interferem na interpretação microscópica após 24 horas do óbito.
CO rigor mortis, uma alteração físico-química muscular, ocorre de forma uniforme e simultânea em todos os grupos musculares, não sofrendo influência de fatores externos, como temperatura ambiente ou estado nutricional do animal antes do óbito.
DA identificação de hemorragias com infiltração leucocitária marginal é um marcador fidedigno de reação vital, permitindo distinguir uma lesão produzida ante-mortem de um hematoma post-mortem decorrente de hipóstase visceral.
EEm casos de suspeita de intoxicação exógena, a ausência de lesões macroscópicas específicas no trato gastrointestinal descarta a necessidade de coleta de conteúdo estomacal e vísceras para análise toxicológica complementar.
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GabaritoD — A identificação de hemorragias com infiltração leucocitária marginal é um marcador fidedigno de reação vital, permitindo distinguir uma lesão produzida ante-mortem de um hematoma post-mortem decorrente de hipóstase visceral.
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Tanatologia Forense Veterinária
Gabarito: letra D. A única alternativa correta é a que afirma que a infiltração leucocitária marginal em hemorragias é marcador fidedigno de reação vital, distinguindo lesões antemortem de hematomas post-mortem decorrentes de hipóstase visceral. Esse é um princípio fundamental em Tanatologia Forense: fenômenos cadavéricos não apresentam reação inflamatória, enquanto lesões produzidas em vida desencadeiam migração de leucócitos.
A questão exige o conhecimento da diferença entre alterações vitais e post-mortem, tema central na perícia necroscópica.
Critério
Alternativa A
Alternativa B
Alternativa C
Alternativa D (Gabarito)
Alternativa E
Afirmação principal
Embebição por hemoglobina = evidência de septicemia
Exame macroscópico é absoluto; histopatologia facultativa
Rigor mortis uniforme e sem influência externa
Infiltração leucocitária marginal = reação vital
Ausência de lesões GI descarta coleta toxicológica
Correção científica
❌ Incorreta
❌ Incorreta
❌ Incorreta
✅ Correta
❌ Incorreta
Fundamento do erro
Confunde fenômeno cadavérico (embebição) com inflamação viva
Subestima a histopatologia, essencial após 24h
Ignora progressão do rigor mortis e fatores externos
—
Ignora intoxicações sem lesões macroscópicas
Consequência pericial
Falso diagnóstico de septicemia
Perda de diagnósticos diferenciais
Erro na estimativa do IPM
Distinção precisa entre lesão vital e post-mortem
Omissão de prova toxicológica crucial
Fenômenos cadavéricos: Alterações vitais (antemortem) (Hemorragia com infiltração leucocitária, Reação inflamatória); Alterações post-mortem (Embebição por hemoglobina, Hipóstase visceral, Rigor mortis (progressivo)); Artefatos de técnica (Autólise avançada)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Confunde o fenômeno cadavérico da embebição por hemoglobina (difusão de hemoglobina após a morte, comum na autólise) com um processo inflamatório agudo generalizado (septicemia). A embebição não é sinal de inflamação viva, mas sim um artefato post-mortem.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o exame macroscópico tem validade absoluta e que a histopatologia é facultativa, o que é falso. A histopatologia é essencial para diferenciar lesões vitais de alterações post-mortem, especialmente após 24 horas, quando a autólise compromete a interpretação microscópica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Descreve o rigor mortis como uniforme e simultâneo em todos os grupos musculares e sem influência externa. Na realidade, o rigor mortis é progressivo (inicia-se na mandíbula e pescoço) e sofre influência da temperatura, estado nutricional e outras condições.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque a infiltração leucocitária marginal é uma reação vital típica (quimiotaxia de leucócitos para o foco inflamatório), o que prova que a hemorragia ocorreu enquanto o animal estava vivo. A hipóstase post-mortem, por outro lado, é apenas acúmulo passivo de sangue sem infiltrado inflamatório, permitindo a distinção.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descarta a necessidade de coleta para análise toxicológica na ausência de lesões gastrointestinais. Muitas intoxicações não produzem lesões macroscópicas no trato gastrointestinal; portanto, a coleta de conteúdo estomacal e vísceras é obrigatória para investigação toxicológica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre fenômenos cadavéricos (embebição, hipóstase, rigidez) e reações vitais (inflamação, coagulação, infiltração leucocitária). O candidato deve lembrar que apenas as reações que dependem de circulação sanguínea e resposta imunológica são indicativos de lesão antemortem.