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Questão de Direito Processual Penal — Das Provas — IDECAN 2026

Direito Processual PenalDas Provas
Código
qg707317
Banca
IDECAN
Órgão
PC-SC
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Agente de Polícia Civil
João Bosco, 32 anos de idade, está sendo investigado pela suposta prática dos crimes de tráfico de pessoas e lavagem de dinheiro. Durante o inquérito policial, a Delegada de Polícia, Dra. Marcela, representa para a decretação de busca e apreensão no domicílio de João Bosco. O magistrado, Dr. Américo, determina a realização da busca e apreensão. A Delegada de Polícia, às 23 horas, juntamente com outros policiais, comparece ao domicílio de João Bosco. O interfone é acionado, João Bosco atende e a Dra. Marcela se identifica e diz que possui mandado judicial para realizar a busca a apreensão. Joao Bosco, de modo educado, diz à Delegada que está assistindo a jogo de seu time de futebol, que não quer ser incomodado e desliga o interfone. Os policiais, ato contínuo, arrombam a porta da casa de João Bosco e cumprem o mandado de busca e apreensão. Diante do exposto, indique a opção correta.
  1. AA busca e apreensão realizada é lícita, tendo em vista a presença da Delegada de Polícia ao ato.
  2. BA busca e apreensão realizada é lícita, tendo em vista a gravidade dos crimes praticados por João Bosco.
  3. CA busca e apreensão realizada é ilícita, tendo em vista que o magistrado não estava presente no momento de seu cumprimento.
  4. DA busca e apreensão realizada é ilícita, tendo em vista que foi realizada a noite e sem o consentimento de João Bosco.
  5. EA busca e apreensão realizada é lícita, tendo em vista que houve autorização do Poder Judiciário.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A busca e apreensão realizada é ilícita, tendo em vista que foi realizada a noite e sem o consentimento de João Bosco.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Busca e apreensão domiciliar – restrição noturna

Gabarito: letra D. A busca e apreensão realizada no domicílio de João Bosco foi ilícita, pois ocorreu durante a noite (23h) e sem o consentimento do morador, que expressamente recusou entrada. A Constituição Federal (art. 5º, XI) estabelece que a entrada em casa alheia durante a noite depende do consentimento do morador, salvo hipóteses de flagrante delito, desastre ou prestação de socorro. A simples existência de mandado judicial autoriza a busca apenas durante o dia; à noite, é imprescindível a anuência do ocupante ou situação de flagrância.

A banca testa o conhecimento da regra constitucional que limita o horário de cumprimento de mandados de busca domiciliar. A alternativa D sintetiza corretamente os dois requisitos ausentes: o horário noturno e a falta de consentimento.

Aspecto

Regra geral (busca domiciliar com mandado)

Exceção noturna (após as 18h/20h)

Situação do caso (23h, sem consentimento)

Fundamento constitucional

Art. 5º, XI, CF – entrada em casa alheia depende de mandado judicial (durante o dia)

Art. 5º, XI, CF – à noite, só com consentimento do morador, flagrante, desastre ou socorro

Violação ao art. 5º, XI, CF (entrada noturna sem consentimento)

Requisito para validade

Mandado judicial + cumprimento durante o dia

Consentimento do morador (ou hipótese de flagrante/desastre/socorro)

Ausentes: consentimento e horário diurno

Consequência do descumprimento

Prova ilícita (art. 157, CPP)

Prova ilícita (art. 157, CPP)

Prova ilícita (busca e apreensão inválida)

Possibilidade de relativização

Não se relativiza por gravidade do crime

Não se relativiza por gravidade do crime

Gravidade dos crimes (tráfico/lavagem) não autoriza a exceção

Presença do juiz

Não é requisito de validade

Não é requisito de validade

Ausência do juiz é irrelevante para a ilicitude

Busca domiciliar (art. 5º, XI, CF)
  • 1Com mandado judicial
    • Dia: pode cumprir
    • Noite: precisa de
      • Consentimento do morador
      • Flagrante delito
      • Desastre ou socorro
  • 2Sem mandado
    • Flagrante (dia ou noite)
    • Desastre ou socorro (dia ou noite)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A presença da Delegada de Polícia é irrelevante para afastar a restrição noturna. O ato não se torna lícito por isso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A gravidade dos crimes (tráfico de pessoas e lavagem de dinheiro) não autoriza a relativização da inviolabilidade domiciliar noturna. A Constituição não faz exceção com base na natureza ou gravidade da infração.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O magistrado não precisa estar presente no cumprimento da busca. A presença do juiz não é requisito de validade; o que a lei exige é a autorização judicial prévia (mandado). O erro é outro: a busca foi à noite sem consentimento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A busca foi ilícita exatamente porque ocorreu à noite (23h) e o morador não consentiu. O mandado judicial, por si só, não autoriza a entrada noturna. É a hipótese clássica de ilicitude por violação de domicílio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A autorização judicial (mandado) é condição para a busca, mas não afasta o limite temporal. A Constituição exige que o cumprimento se dê durante o dia, salvo consentimento ou flagrante.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, lembre-se da fórmula: busca domiciliar com mandado = dia; busca domiciliar à noite = consentimento do morador ou flagrante delito. Se faltar um desses, a prova é ilícita.

PEGA ESSA DICA!

Ilícitas (8 letras) = Material (8 letras); Ilegítimas (10 letras) = Processual (10 letras)

Macete por contagem de letras para diferenciar provas ilegais: prova ILÍCITA (8 letras) é a obtida com violação a norma de Direito MATERIAL (8 letras); prova ILEGÍTIMA (10 letras) é a que viola norma de Direito PROCESSUAL (10 letras).

— Provas ilícitas x provas ilegítimas (prova ilegal)

Gabarito: letra D – ilícita por ser noturna e sem consentimento.

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