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Questão de Português — Interpretação de Textos — COPEVE-UFAL 2017

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qq250385
Banca
COPEVE-UFAL
Órgão
Prefeitura de Roteiro - AL
Ano
2017
Nível
Superior
Escrevo neste instante com algum prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer. [...]Como é que sei tudo o que vai se seguir e que ainda o desconheço, já que o nunca vivi? É que numa rua do Rio de Janeiro peguei no ar de relance o sentimento de perdição no rosto de uma moça nordestina. Sem falar que eu em menino me criei no Nordeste. Também sei das coisas por estar vivendo. Quem vive sabe, mesmo sem saber que sabe. [...]Proponho-me a que não seja complexo o que escreverei [...].O que escrevo é mais do que invenção, é minha obrigação contar sobre essa moça entre milhares delas. É dever meu, nem que seja de pouca arte, o de revelar-lhe a vida. [...]Quero antes afiançar que essa moça não se conhece senão através de ir vivendo à toa. Se tivesse a tolice de perguntar "que sou eu?" cairia estatelada e em cheio no chão. É que "que sou eu?" provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de janeiro: J. Olympio, 1981. p. 16-20.Apesar de o personagem-narrador aparentar pedir desculpas ao leitor pela narrativa que apresentará, não desiste de escrever e atribui a necessidade de escrever
  1. Aà intensa atração que um sentimento de ruína, de perdição, estampado no rosto de uma nordestina, exerceu sobre ele.
  2. Bà insistência de descrever o pudor que sente ao falar de uma conhecida moça nordestina.
  3. Cà intensa vontade de exteriorizar tudo o que acontecera numa rua do Rio de Janeiro.
  4. Dao direito exercido sobre a vida de uma jovem nordestina de sentimento perdido.
  5. Eao intenso desejo de explicitar o ato de escrever que antes era desconhecido.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — à intensa atração que um sentimento de ruína, de perdição, estampado no rosto de uma nordestina, exerceu sobre ele.

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