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Questão de Português — Interpretação de Textos — PUC-PR 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qq542592
Banca
PUC-PR
Órgão
Prefeitura de Campo Grande - MS
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Municipal
Leia o texto a seguir.Representação gráfica entre a letra e o símbolo, o “pixo” é um elemento visual que permeia a paisagem paulistana. Pode ser visto em marquises, muros, casas e edifícios, comerciais e residenciais. Em projeto de pesquisa recém-concluído, o antropólogo Alexandre Barbosa Pereira, professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus de Guarulhos, analisou “pixações” feitas em diversas regiões da cidade desde os anos de 1980. Nesse percurso, constatou como jovens de periferia envolvidos com a atividade, caracterizada como gênero de arte urbana cuja essência está em ir além das regras do espaço público, conseguiram obter reconhecimento em circuitos artísticos nacionais e estrangeiros, apesar da relação de tensão permanente com o Estado e suas esferas institucionais. Nos últimos quatro anos, em projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Pereira mapeou práticas culturais juvenis em Santos e São Paulo, em especial a pixação paulistana, e parte de seus resultados são objeto de livro que será publicado no final deste ano. Na obra, o pesquisador explica que os integrantes do movimento diferenciam o conceito de pixação (com “x”) de pichação (com “ch”). Enquanto a palavra grafada com “ch” se refere a frases e inscrições legíveis, o vocábulo com “x” diz respeito à grafia que é entendida apenas pelos integrantes do movimento. Além disso, envolve articulação em grupos, muitos deles da periferia, que buscam lugares de grande visibilidade e acesso difícil para deixar marcas individuais ou coletivas e, com isso, questionar a maneira como a paisagem urbana se estrutura. Qualquer tipo de pichação (ou pixação) é considerada crime ambiental, conforme dispõe a Lei federal nº 9.605/98. Além de multa, está prevista pena de três meses a um ano de prisão aos autores de pichação e grafites não autorizados. As penalidades são maiores quando envolvem edificações tombadas pelo patrimônio histórico.O processo de ampliação da discussão sobre o pixo em meios artísticos e institucionais ganhou novo capítulo este ano, com a Bienal de Arquitetura de Veneza. Um dos trabalhos concebidos pela curadoria do pavilhão brasileiro é o mapa The encryption of power, que representa graficamente o histórico do pixo em parte da cidade de São Paulo. Resultado de uma parceria feita entre a equipe curatorial, Djan Ivson, a Escola da Cidade, e as empresas Mapping-lab e Datazap, o projeto permite visualizar a localização de 4 mil pixações dos últimos 30 anos, multas aplicadas aos autores, quando flagrados em ação, e notícias sobre o tema. O mapa foi desenvolvido com base em acervos de notícias e cerca de 13 mil postagens no Instagram, que indicavam a localização geográfica de menções feitas a “pixo”, “pichação” e “xarpi”. De acordo com o arquiteto Marcelo Maia Rosa, um dos curadores do pavilhão, o projeto permite compreender a abrangência do pixo na cidade em que, segundo ele, o movimento está mais presente se comparado a outras cidades.QUEIROZ, Cristina. Entre transgressão e Arte, ed. 269, 07/08/2018. Disponível em: revistapesquisa.fapesp.br. Acesso em: 19/08/2018. Adaptado).Analise o excerto anterior e observe, a seguir, as questões sobre as ideias veiculadas no texto.I. O primeiro parágrafo enfoca uma pesquisa acadêmica que analisa pixações/pichações na cidade de São Paulo, apresenta os responsáveis e sua relação com a Arte e a Lei.II. As grafias da palavra com “x” ou com “ch” não alteram o sentido do movimento, pois ambos se mobilizam para deixar marcas individuais ou coletivas dos grupos envolvidos para questionar a estrutura do espaço urbano.III. A pixação/pichação é considerada crime ambiental, sujeita ao pagamento de multa e de prisão, o que inibe seus integrantes à ação, como mostra o mapa The encryption of power, da Bienal de Arquitetura de Veneza.IV. A exposição brasileira na Bienal de Arquitetura de Veneza agrega dados sobre pixações/pichações visíveis nas cidades de Santos e São Paulo/BR.V. Os dados coletados para a Bienal de Arquitetura de Veneza foram possíveis devido à pesquisa sobre o movimento nos últimos 30 anos e a abrangência das vias digitais, como o Instagram.Estão CORRETAS somente
  1. AI, II e III.
  2. BII, III e V.
  3. CII, IV e V.
  4. DI, II e V.
  5. EI, IV e V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I, II e V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise das Afirmações sobre o Texto "Pixo"

Gabarito: letra D. Apenas as afirmações I, II e V estão corretas, conforme o texto.


Item I — ✅ Correta

O primeiro parágrafo apresenta a pesquisa do antropólogo Alexandre Barbosa Pereira sobre pixações/pichações em São Paulo, menciona os responsáveis (pesquisador e CNPq) e estabelece a relação com a Arte (reconhecimento em circuitos artísticos) e a Lei (crime ambiental). Passagem que comprova:

"analisou 'pixações' feitas em diversas regiões da cidade [...] conseguiram obter reconhecimento em circuitos artísticos nacionais e estrangeiros, apesar da relação de tensão permanente com o Estado e suas esferas institucionais. [...] Qualquer tipo de pichação (ou pixação) é considerada crime ambiental, conforme dispõe a Lei federal nº 9.605/98."

Item II — ✅ Correta

Embora o texto diferencie conceitualmente "pixação" (com x) de "pichação" (com ch), ambos os termos referem-se à prática de deixar marcas urbanas para questionar a estrutura do espaço. O próprio texto afirma que qualquer tipo de pichação ou pixação é crime, e o movimento em si (a ação de pixar/pichar) tem o mesmo propósito. A afirmação II diz que "não alteram o sentido do movimento, pois ambos se mobilizam para deixar marcas individuais ou coletivas [...] para questionar a estrutura do espaço urbano". Isso está de acordo com o texto, que descreve a essência do movimento como "ir além das regras do espaço público". A grafia é uma distinção interna, mas o movimento como um todo é o mesmo. Portanto, a afirmação é correta.

Item III — ❌ Incorreta

Afirma que o mapa The encryption of power mostra que a criminalização inibe os integrantes. O texto apenas informa que o mapa permite visualizar localizações de pixações, multas aplicadas e notícias, mas não menciona que isso inibe a ação. Pelo contrário, o movimento continua ativo. Trata-se de extrapolação (acrescenta informação não sustentada).

"O mapa foi desenvolvido com base em acervos de notícias e cerca de 13 mil postagens no Instagram [...] permitindo visualizar a localização de 4 mil pixações dos últimos 30 anos, multas aplicadas [...]"

Item IV — ❌ Incorreta

O texto afirma que o mapa representa graficamente o histórico do pixo em parte da cidade de São Paulo, não em Santos. A pesquisa de Pereira também abrange Santos, mas a Bienal de Veneza usou dados apenas de São Paulo. Afirmar que agrega dados de Santos é contradizer o texto.

"Um dos trabalhos [...] é o mapa The encryption of power, que representa graficamente o histórico do pixo em parte da cidade de São Paulo."

Item V — ✅ Correta

O mapa foi elaborado com dados dos últimos 30 anos e com cerca de 13 mil postagens do Instagram com geolocalização, confirmando o uso de mídias digitais. Passagem:

"O mapa foi desenvolvido com base em acervos de notícias e cerca de 13 mil postagens no Instagram, que indicavam a localização geográfica de menções feitas a 'pixo', 'pichação' e 'xarpi'. [...] O projeto permite visualizar a localização de 4 mil pixações dos últimos 30 anos"

Conclusão: Apenas os itens I, II e V estão de acordo com o texto. A combinação correta é a alternativa D.

Gabarito: letra D

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