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Questão de Direito Constitucional — Funções Essenciais à Justiça — FUNDATEC 2021

Direito ConstitucionalFunções Essenciais à Justiça
Código
qq641906
Banca
FUNDATEC
Órgão
PGE-SP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Residência Jurídica
Assinale a alternativa correta a respeito do Poder Judiciário e das Funções Essenciais à Justiça.
  1. ANas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.
  2. BÉ constitucional dispositivo de Constituição Estadual que confere foro por prerrogativa de função para Defensores Públicos e Procuradores do Estado.
  3. CJuiz federal de primeira instância não tem competência para julgar conflito entre estado estrangeiro e ente municipal brasileiro.
  4. DÉ vedado ao membro do Poder Judiciário e do Ministério Público exercer a advocacia, em qualquer juízo ou tribunal, antes de decorridos três anos de seu afastamento do cargo, seja por aposentadoria ou por exoneração.
  5. EÉ inconstitucional regra prevista na Constituição Estadual atribuindo ao Governador o dever de escolher o Procurador-Geral do Estado entre os membros integrantes da respectiva carreira.
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GabaritoA — Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.

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Funções Essenciais à Justiça

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que se coaduna com a Constituição Federal, ao reproduzir integralmente o art. 109, §5º, que institui o Incidente de Deslocamento de Competência (IDC) para a Justiça Federal em casos de grave violação de direitos humanos, com iniciativa do Procurador-Geral da República perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase processual. As demais alternativas apresentam incorreções que serão detalhadas a seguir.

O tema central da questão envolve o conhecimento de dispositivos constitucionais sobre as funções essenciais à Justiça e a organização do Poder Judiciário. A seguir, analisa-se cada alternativa.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A previsão do Incidente de Deslocamento de Competência (IDC) está no §5º do art. 109 da CF. O texto constitucional é claro:

Art. 109, §5CF/88

Art. 109, §5º — "Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal."

Portanto, todos os elementos mencionados na alternativa A estão corretos: sujeito (PGR), finalidade (tratados de DH), tribunal (STJ), fase (qualquer) e deslocamento para a Justiça Federal. O IDC é um importante instrumento para federalizar a persecução penal em casos de graves violações de direitos humanos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que é constitucional dispositivo de Constituição Estadual que confere foro por prerrogativa de função para Defensores Públicos e Procuradores do Estado. Todavia, o STF firmou entendimento de que a criação de foro por prerrogativa de função por Constituição Estadual para cargos que não sejam os previstos na CF viola o princípio da simetria e a competência privativa da União para legislar sobre direito processual e organização judiciária. A CF estabelece taxativamente os titulares de foro especial, não cabendo aos Estados ampliar esse rol. Assim, a alternativa é incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que juiz federal de primeira instância não tem competência para julgar conflito entre estado estrangeiro e ente municipal brasileiro. No entanto, o art. 109, II da CF dispõe o contrário:

Constituição Federal:

Art. 109 — Aos juízes federais compete processar e julgar:

II — as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País.

Logo, a competência é da Justiça Federal, inclusive de primeiro grau. A alternativa inverte a regra, sendo incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Estabelece vedação ao membro do Poder Judiciário e do Ministério Público de exercer a advocacia, em qualquer juízo ou tribunal, antes de decorridos três anos de seu afastamento do cargo. A regra constitucional, porém, é mais restrita. Para os juízes, o art. 95, parágrafo único, V da CF veda "exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração." Perceba que a proibição é apenas no juízo ou tribunal de origem, e não em qualquer juízo. Para os membros do Ministério Público, a CF (art. 128, §5º, II) proíbe o exercício da advocacia de forma plena, não havendo quarentena desse tipo, mas sim proibição total. Portanto, a alternativa erra ao generalizar a quarentena para todos os juízos e tribunais e ao estender o mesmo regime ao MP de forma equivocada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Sustenta que é inconstitucional regra de Constituição Estadual que atribui ao Governador o dever de escolher o Procurador-Geral do Estado entre os membros integrantes da carreira. Ocorre que a CF (art. 132) prevê que os Procuradores dos Estados constituem carreira, mas não fixa regra para a nomeação do Procurador-Geral. A jurisprudência do STF (ADI 452) reconhece a autonomia dos Estados para disciplinar a matéria, sendo lícito exigir que o PGE seja escolhido dentre os integrantes da carreira. Muitas Constituições Estaduais adotam essa regra, e ela é considerada constitucional. Assim, a alternativa é falsa ao afirmar a inconstitucionalidade.

Conclusão: A única alternativa que reproduz fielmente o texto constitucional é a A.

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