Questão de Biologia — Identidade dos seres vivos — FEPESE 2022
- Código
- qq720171
- Banca
- FEPESE
- Órgão
- IGP-SC
- Ano
- 2022
- Nível
- Médio
- Cargo
- Auxiliar Médico-Legal
- AVírus
- BÓrgão
- CCélula
- DTecido
- EProteína
GabaritoE — Proteína
Gabarito: letra E. Os príons são partículas proteicas infecciosas — ou seja, são proteínas anormais capazes de induzir alteração conformacional em proteínas normais do hospedeiro, causando doenças neurodegenerativas (como o kuru e a encefalopatia espongiforme bovina). Não possuem ácido nucleico, portanto não são vírus, nem se enquadram nos níveis de organização celular (célula, tecido, órgão).
Os príons (do inglês proteinaceous infectious particles) foram propostos por Stanley Prusiner na década de 1980, que lhes rendeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1997. A característica central é serem apenas proteínas, sem material genético (DNA ou RNA). Essa ausência de ácido nucleico é o que os distingue fundamentalmente dos vírus, que possuem genoma (DNA ou RNA) envolvido por capsídeo proteico. Os príons são, portanto, agentes infecciosos acelulares e sem genoma, compostos exclusivamente por uma isoforma anômala da proteína priônica celular (PrP^C → PrP^Sc).
A questão explora a confusão clássica entre príons e vírus. Muitos candidatos, ao verem "agente infeccioso", marcam "vírus" automaticamente. Porém, a definição de vírus exige a presença de ácido nucleico, o que não ocorre nos príons. Além disso, os níveis de organização do corpo humano (célula → tecido → órgão → sistema) não se aplicam a agentes infecciosos acelulares como os príons.
Vírus são agentes infecciosos acelulares que possuem ácido nucleico (DNA ou RNA) envolvido por um capsídeo proteico. Os príons não possuem ácido nucleico, sendo constituídos apenas por proteína. Essa é a distinção fundamental: enquanto os vírus têm genoma, os príons não têm. Portanto, classificá-los como vírus é um erro conceitual.
Órgão é uma unidade anatômica e funcional formada por diferentes tecidos, presente em seres multicelulares complexos (ex.: coração, fígado). Os príons são partículas subcelulares, não possuem organização tecidual nem anatômica. Não se enquadram em nenhum nível de organização do corpo humano.
Célula é a unidade estrutural e funcional dos seres vivos, delimitada por membrana plasmática e contendo citoplasma e material genético. Os príons são acelulares — não possuem membrana, citoplasma, organelas ou núcleo. São apenas agregados proteicos, portanto não podem ser classificados como células.
Tecido é um conjunto de células especializadas que desempenham função comum (ex.: tecido muscular, tecido epitelial). Como os príons não são células, não podem formar tecidos. A classificação em tecidos é exclusiva de organismos multicelulares.
Os príons são proteínas infecciosas. A palavra "príon" deriva de proteinaceous infectious particle (partícula infecciosa proteica). São formados por uma isoforma anormal da proteína priônica (PrP^Sc), que se acumula no sistema nervoso central, causando doenças neurodegenerativas. Essa é a definição aceita pela comunidade científica e a única alternativa que corresponde à natureza química dos príons.
A banca explora a associação automática entre "agente infeccioso" e "vírus". O candidato que não lembra que príons não possuem ácido nucleico marca a letra A. Lembre-se: vírus têm genoma (DNA ou RNA); príons são apenas proteínas. Essa é a diferença que decide a questão.
Para fixar, compare os agentes infecciosos acelulares:
Agente | Material genético | Estrutura |
|---|---|---|
Vírus | DNA ou RNA | Capsídeo proteico + genoma |
Príon | Ausente | Apenas proteína |
Viroide | RNA nu | Apenas RNA circular |
Satélite | RNA | Dependente de vírus auxiliar |
Na prova, a presença ou ausência de ácido nucleico é o critério decisivo para diferenciá-los.
Gabarito: letra E — os príons são classificados como proteínas.
Link permanente: /questoes/qq720171