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Questão de Português — Concordância verbal, Concordância nominal — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsConcordância verbal, Concordância nominal
Código
qq971553
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-MS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista - Contabilidade
DICAS PARA ENFRENTAR O MAL-ESTAR
Vida sem sofrimento não tem, mas há formas piores e melhores de encará-lo
Vera Iaconelli – 5 set. 2022

    Uma dica é admitir que a consciência, que é uma ferramenta recém-adquirida pela humanidade, está fadada a fracassar em suas pretensões iluministas. Se a intenção for dar conta da experiência da vida apoiado na capacidade de atribuir-lhe sentido, melhor enfiar a viola no saco. Foi na tentativa de tudo entender, controlar e predizer, capturados por excessivas promessas da ciência, que nos perdemos. Entre encontrar "o" sentido da vida ou vivê-la, sugiro investir na poesia.
       Outra dica é admitir que sem o outro não dá. Não apenas porque o isolamento mina nossas forças, mas porque nunca estamos inteiramente sós. O diálogo interno implica um outro que nos habita, nos julga, adula e recrimina. Paradoxalmente, pode-se dizer o oposto também: nunca estamos verdadeiramente acompanhados pela impossibilidade estrutural de compartilhar a experiência.
     O encontro com o outro pode confirmar nossas péssimas expectativas, mas também pode nos surpreender. Como quando percebemos que todos os amores da nossa vida foram horríveis, exceto um. E justo esse, que escapa à série, pode acabar levando a bronca que cabia aos anteriores, justamente por contrariar experiências e expectativas. O encontro com o outro tem desses embaraços e deleites.
     Quando o outro nos deixa — voluntária ou involuntariamente — nos expõe a um dos maiores entraves de qualquer relação, que é o medo de sofrer, claro. A técnica de se isolar para não sofrer seria boa se funcionasse, mas o isolamento é fonte de inesgotáveis sofrimentos compartilhados no divã. Vivemos o paradoxo das relações humanas incrementado pelas agruras da era midiática. As ferramentas que poderiam nos aproximar magicamente confirmam que não há tecnologia que resolva o infantil em nós que permanece ainda que a infância chegue ao fim. Mais do que aproximar, as mídias têm promovido sofrimento em escala global e instantânea.
       Tem também a dica de cuidar. Não esse cuidado compulsório imputado às mulheres para fins de desoneração da responsabilidade dos homens. Mas o cuidado que emerge do reconhecimento de que o outro é feito da mesma massa que nós. Cuidar e ser cuidado é a dobradinha de ouro rumo à civilização, que parece cada vez mais distante.
       Por fim, mas sem esgotar o tema, vá ao teatro. Por quê? Pois se trata da principal experiência coletiva na qual o outro nos invade tentando ultrapassar, pela poética, nossa obsessão pelo sentido. O teatro tem algo embaraçoso, que ultrapassa o cinema. O corpo a corpo com os atores em tempo real — com direito a falhas e ao constrangimento de se deixar emocionar e ser visto por quem te emociona — enaltece nossa fragilidade ao invés de escamoteá-la.

Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/veraiaconelli/2022/09/dicas-para-enfrentar-o-mal-estar.shtml. Acesso em: 09 jan. 2023.
Sobre o verbo presente em “[...] vá ao teatro.”, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AEle está flexionado no modo imperativo afirmativo.
  2. BEle poderia ser substituído por “vai” sem que isso alterasse o sentido do excerto.
  3. CAo utilizar essa forma verbal, o autor estabelece uma interlocução com o leitor.
  4. DEle concorda com o termo “você”, que está oculto.
  5. EEle concorda com o termo “tu”, que está oculto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Ele concorda com o termo “tu”, que está oculto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Imperativo: a forma "vá" e a concordância com o sujeito oculto

Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que o verbo "vá" concorda com o termo "tu" oculto. Na verdade, a forma "vá" é a 3ª pessoa do singular do imperativo afirmativo, que concorda com o pronome "você" (oculto), e não com "tu". A forma correta para "tu" seria "vai". Como se vê no texto: "Por fim, mas sem esgotar o tema, vá ao teatro." — o autor se dirige diretamente ao leitor, usando o tratamento "você".

O comando pede a alternativa INCORRETA sobre o verbo "vá". Isso muda a estratégia: em vez de procurar a afirmação verdadeira, devemos caçar a única que contradiz a gramática normativa ou o uso no texto. A questão mistura morfologia (flexão de modo) e sintaxe (concordância verbal com sujeito oculto), então é preciso dominar a formação do imperativo e a relação entre as pessoas do discurso.

O texto é um artigo de opinião em que a autora dá conselhos ao leitor. No trecho final, ela usa o imperativo "vá ao teatro" para criar um diálogo direto com quem lê. Esse é o ponto: o imperativo é o modo do apelo, da ordem ou do conselho, e por isso exige um interlocutor. A pergunta é: esse interlocutor é "você" ou "tu"? A resposta está na própria forma verbal.

A regra que decide a questão é a formação do imperativo afirmativo. Para os verbos regulares, o imperativo afirmativo tem duas formas: a 2ª pessoa do singular (tu) e a 3ª pessoa do singular (você). A forma "vá" vem do presente do subjuntivo: "que eu vá, que tu vás, que ele vá". No imperativo, a 3ª pessoa (você) é "vá", e a 2ª pessoa (tu) é "vai". Portanto, "vá" só pode concordar com "você". Se o autor quisesse falar com "tu", teria escrito "vai ao teatro".

"Por fim, mas sem esgotar o tema, vá ao teatro."

A forma "vá" é inequivocamente a 3ª pessoa do singular do imperativo. Não há ambiguidade: "vá" não é forma de "tu". A alternativa E troca o pronome, afirmando que o sujeito oculto é "tu", quando na verdade é "você". É uma troca de conceito clássica: a banca sabe que muitos candidatos confundem as pessoas do discurso no imperativo.

12ª pessoa (tu)
Presente do indicativo sem "s"
Ex.: tu vais → vai
23ª pessoa (você)
Presente do subjuntivo
Ex.: que ele vá → vá
3Forma "vá"
Concorda com "você" (oculto)
Não concorda com "tu"
Imperativo afirmativo
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Imperativo afirmativo: 2ª pessoa (tu) (Presente do indicativo sem "s", Ex.: tu vais → vai); 3ª pessoa (você) (Presente do subjuntivo, Ex.: que ele vá → vá); Forma "vá" (Concorda com "você" (oculto), Não concorda com "tu")

Alternativa A — ✅ Correta

"Ele está flexionado no modo imperativo afirmativo."

A forma "vá" é, de fato, a 3ª pessoa do singular do imperativo afirmativo do verbo "ir". O imperativo é o modo usado para dar ordens, conselhos ou fazer pedidos — exatamente o que a autora faz ao sugerir "vá ao teatro". A afirmação está correta.

Alternativa B — ✅ Correta

"Ele poderia ser substituído por 'vai' sem que isso alterasse o sentido do excerto."

A forma "vai" é a 2ª pessoa do singular (tu) do imperativo afirmativo. Trocando "vá" por "vai", o sentido de conselho permanece, apenas muda a pessoa do discurso (de "você" para "tu"). Como ambas as formas expressam o mesmo ato de aconselhar, a substituição não altera o sentido do excerto. A afirmação está correta.

Alternativa C — ✅ Correta

"Ao utilizar essa forma verbal, o autor estabelece uma interlocução com o leitor."

O imperativo, por natureza, pressupõe um interlocutor. Ao escrever "vá ao teatro", a autora se dirige diretamente ao leitor, criando um diálogo. Isso é confirmado pelo texto, que é repleto de conselhos diretos ("Uma dica é admitir...", "Outra dica é admitir...", "Tem também a dica de cuidar..."). A afirmação está correta.

Alternativa D — ✅ Correta

"Ele concorda com o termo 'você', que está oculto."

A forma "vá" é a 3ª pessoa do singular do imperativo, que concorda com o pronome "você". O sujeito está oculto (elíptico), mas é facilmente identificável: "(você) vá ao teatro". A afirmação está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

"Ele concorda com o termo 'tu', que está oculto."

A forma "vá" não concorda com "tu". A 2ª pessoa do singular (tu) do imperativo afirmativo de "ir" é "vai", não "vá". A forma "vá" é exclusiva da 3ª pessoa (você). A alternativa troca o pronome, cometendo um erro de concordância verbal. Como a banca pediu a INCORRETA, esta é a resposta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as pessoas do discurso no imperativo. Muitos candidatos sabem que "vá" é imperativo, mas não percebem que a forma varia conforme o pronome: "vá" = você, "vai" = tu. A alternativa E parece plausível porque ambos os pronomes podem ficar ocultos, mas a forma verbal denuncia a pessoa correta.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões sobre imperativo, decore a formação: a 2ª pessoa (tu) vem do presente do indicativo sem o "s" (tu vais → vai), e a 3ª pessoa (você) vem do presente do subjuntivo (que ele vá → vá). Se a forma termina em "a" ou "e", é de "você"; se termina em "i", é de "tu".

Conclusão: a única alternativa que contradiz a gramática é a letra E, pois "vá" concorda com "você", não com "tu". As demais estão corretas. Gabarito: letra E.

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