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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
qq971558
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-MS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista - Contabilidade
DICAS PARA ENFRENTAR O MAL-ESTAR
Vida sem sofrimento não tem, mas há formas piores e melhores de encará-lo
Vera Iaconelli – 5 set. 2022

    Uma dica é admitir que a consciência, que é uma ferramenta recém-adquirida pela humanidade, está fadada a fracassar em suas pretensões iluministas. Se a intenção for dar conta da experiência da vida apoiado na capacidade de atribuir-lhe sentido, melhor enfiar a viola no saco. Foi na tentativa de tudo entender, controlar e predizer, capturados por excessivas promessas da ciência, que nos perdemos. Entre encontrar "o" sentido da vida ou vivê-la, sugiro investir na poesia.
       Outra dica é admitir que sem o outro não dá. Não apenas porque o isolamento mina nossas forças, mas porque nunca estamos inteiramente sós. O diálogo interno implica um outro que nos habita, nos julga, adula e recrimina. Paradoxalmente, pode-se dizer o oposto também: nunca estamos verdadeiramente acompanhados pela impossibilidade estrutural de compartilhar a experiência.
     O encontro com o outro pode confirmar nossas péssimas expectativas, mas também pode nos surpreender. Como quando percebemos que todos os amores da nossa vida foram horríveis, exceto um. E justo esse, que escapa à série, pode acabar levando a bronca que cabia aos anteriores, justamente por contrariar experiências e expectativas. O encontro com o outro tem desses embaraços e deleites.
     Quando o outro nos deixa — voluntária ou involuntariamente — nos expõe a um dos maiores entraves de qualquer relação, que é o medo de sofrer, claro. A técnica de se isolar para não sofrer seria boa se funcionasse, mas o isolamento é fonte de inesgotáveis sofrimentos compartilhados no divã. Vivemos o paradoxo das relações humanas incrementado pelas agruras da era midiática. As ferramentas que poderiam nos aproximar magicamente confirmam que não há tecnologia que resolva o infantil em nós que permanece ainda que a infância chegue ao fim. Mais do que aproximar, as mídias têm promovido sofrimento em escala global e instantânea.
       Tem também a dica de cuidar. Não esse cuidado compulsório imputado às mulheres para fins de desoneração da responsabilidade dos homens. Mas o cuidado que emerge do reconhecimento de que o outro é feito da mesma massa que nós. Cuidar e ser cuidado é a dobradinha de ouro rumo à civilização, que parece cada vez mais distante.
       Por fim, mas sem esgotar o tema, vá ao teatro. Por quê? Pois se trata da principal experiência coletiva na qual o outro nos invade tentando ultrapassar, pela poética, nossa obsessão pelo sentido. O teatro tem algo embaraçoso, que ultrapassa o cinema. O corpo a corpo com os atores em tempo real — com direito a falhas e ao constrangimento de se deixar emocionar e ser visto por quem te emociona — enaltece nossa fragilidade ao invés de escamoteá-la.

Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/veraiaconelli/2022/09/dicas-para-enfrentar-o-mal-estar.shtml. Acesso em: 09 jan. 2023.
Assinale a alternativa em que a próclise é a única colocação pronominal permitida pela norma padrão.
  1. A“Se a intenção for dar conta da experiência da vida apoiado na capacidade de atribuir-lhe sentido [...]”.
  2. B“O diálogo interno implica um outro que nos habita [...]”.
  3. C“Paradoxalmente, pode-se dizer o oposto também [...]”.
  4. D“A técnica de se isolar para não sofrer seria boa [...]”.
  5. E“O corpo a corpo com os atores em tempo real [...] enaltece nossa fragilidade ao invés de escamoteá-la.”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “O diálogo interno implica um outro que nos habita [...]”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal: próclise obrigatória após pronome relativo

Gabarito: letra B. A única alternativa em que a próclise é obrigatória é a B, pois o pronome oblíquo átono "nos" está imediatamente após o pronome relativo "que", que é uma palavra atrativa que exige o pronome antes do verbo. Como se lê no texto: "O diálogo interno implica um outro que nos habita [...]".

O comando

A questão pede que você identifique em qual alternativa a próclise (pronome antes do verbo) é a única colocação permitida pela norma padrão. Isso significa que, na alternativa correta, a ênclise (pronome depois do verbo) seria inaceitável — não apenas desaconselhada, mas gramaticalmente incorreta. Nas demais, a ênclise seria possível (facultativa ou até preferível), o que as desqualifica.

A regra que decide

A próclise é obrigatória quando há uma palavra atrativa antes do verbo. As principais palavras atrativas são:

  • Conjunções subordinativas (que, se, embora, quando, como)

  • Palavras negativas (não, nunca, jamais, ninguém)

  • Advérbios (aqui, agora, talvez, já, apenas)

  • Pronomes relativos (que, o qual, cuja, onde)

  • Pronomes indefinidos (nada, tudo, alguém)

  • Pronomes interrogativos (quem, que, qual)

Quando uma dessas palavras precede o verbo, o pronome oblíquo átono deve vir antes dele. Colocá-lo depois (ênclise) violaria a norma padrão.

Aplicando ao texto

Na alternativa B, temos: "O diálogo interno implica um outro que nos habita". O "que" é um pronome relativo (retoma "um outro") e, portanto, é palavra atrativa. O pronome "nos" só pode vir antes do verbo "habita". A forma "habita-nos" seria incorreta — não é uma questão de estilo, mas de gramática.

Nas demais alternativas, a próclise ocorre, mas não é obrigatória:

  • A: "Se a intenção for dar conta..." — o "se" é conjunção subordinativa condicional, que atrai o pronome. Porém, o pronome "lhe" está ligado ao verbo no infinitivo "atribuir-lhe". Com verbos no infinitivo, mesmo havendo palavra atrativa, a ênclise é facultativa ("atribuir-lhe" ou "lhe atribuir").

  • C: "pode-se dizer" — aqui não há palavra atrativa; o pronome "se" está em ênclise (depois do verbo), o que é permitido. A próclise não seria obrigatória.

  • D: "A técnica de se isolar" — o "se" está após a preposição "de", mas o verbo "isolar" está no infinitivo. Novamente, a ênclise seria facultativa ("isolar-se").

  • E: "escamoteá-la" — o pronome "la" está em ênclise após o verbo no infinitivo "escamotear". Não há palavra atrativa antes, então a ênclise é a forma natural; a próclise não seria obrigatória.

Próclise obrigatória
  • 1Palavras atrativas
    • Conjunções subordinativas
    • Palavras negativas
    • Advérbios
    • Pronomes relativos
    • Pronomes indefinidos
    • Pronomes interrogativos
  • 2Exceção: verbo no infinitivo
    • Ênclise facultativa
    • Ex.: atribuir-lhe / lhe atribuir
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O pronome "lhe" está após o verbo no infinitivo "atribuir". Mesmo havendo a conjunção "se" antes, a regra permite ênclise facultativa com infinitivo. Portanto, a próclise não é a única opção.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O pronome "nos" está após o pronome relativo "que", que é palavra atrativa. A próclise é obrigatória; a ênclise ("habita-nos") seria incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"pode-se" está em ênclise, o que é permitido. Não há palavra atrativa antes do verbo "pode", então a próclise não é obrigatória.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O pronome "se" está após a preposição "de", mas o verbo "isolar" está no infinitivo. A ênclise ("isolar-se") seria facultativa, então a próclise não é a única opção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O pronome "la" está em ênclise após o verbo no infinitivo "escamotear". Não há palavra atrativa antes, então a próclise não é obrigatória.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "há palavra atrativa" e "próclise obrigatória". Em A e D, há palavra atrativa ("se"), mas o verbo está no infinitivo, o que torna a ênclise facultativa. A única em que a atração é absoluta é B, com pronome relativo.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "que" antes de um pronome oblíquo, pergunte: "que" é pronome relativo ou conjunção? Se for relativo, a próclise é obrigatória. Se for conjunção, verifique se o verbo está no infinitivo — se estiver, a ênclise é permitida.

Gabarito: letra B.

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