Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu054934
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFAI
Ano
2019
Nível
Fundamental
Cargo
Controlador Interno
Uma invenção humana
      Vejo a literatura como um instrumento excepcional da nossa civilização. Ela ajuda a esclarecer o mundo. Quem nós somos? Quem nós fomos? Lendo a Ilíada , você pode imaginar quais foram os sentimentos de Aquiles ou de Príamo. Você se pergunta: “Por que esse fervor pela narrativa?”. Porque o ser humano precisou narrar, para que os fatos da vida, da poética do cotidiano, não desaparecessem. Enquanto o ser humano forjava a sua civilização, dava combate aos deuses e procurava entender em que caos estava imerso, ele contava histórias. Para que nada se perdesse. Não havia bibliotecas. No caso de Homero, os aedos – e quase podíamos intitulá-los os poetas da memória – memorizavam tudo para que os fatos humanos não se perdessem. E, assim, a angústia em relação à apreensão da vida real, o real humano, visível, intangível, esteve presente em todas as civilizações. Nas nossas Américas, por exemplo, houve entre os incas uma categoria social, a dos amautas, que tinha por finalidade única memorizar. Memorizar para que os povos não se esquecessem das suas próprias histórias. Quer dizer, a literatura não foi uma invenção dos escritores, gosto muito de enfatizar isso. Foi uma invenção humana.
     Milhões de pessoas já leram Dom QuixoteMilhões, em diferentes línguas. Mas é o mesmo livro para diferentes leitores. Isso prova que a literatura dá visibilidade a quem somos, a nossos sentimentos mais secretos, mais obscuros, mais desesperados, às esperanças mais condicionais do ser humano. E a literatura conta histórias porque os sentimentos precisam de uma história para que você se dê conta deles. Então, a literatura pensou em dar conta de quem somos, dessa nossa complexidade extraordinária. Porque somos seres fundamentalmente singulares. E, por isso, a literatura é singular.
(Nélida Piñon. Uma invenção humana – depoimento
ao escritor e jornalista José Castello. Rascunho no
 110. Curitiba: 2009.
In http://rascunho.com.br/wp-content/uploads/2012/02/
Book_Rascunho_110.pdf. Acesso em 15.11.18. Adaptado)
O título do texto
  1. Asugere que os aedos inventaram a literatura.
  2. Badianta uma ideia que será defendida pela autora.
  3. Crefuta a ideia de que a oralidade está na origem da literatura.
  4. Dquestiona a noção de que literatura é produto da cultura.
  5. Epromove certa crítica ao aspecto fantasioso inerente às narrativas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — adianta uma ideia que será defendida pela autora.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação do título: "Uma invenção humana"

Gabarito: letra B. O título "Uma invenção humana" adianta a ideia central que a autora defende ao longo do texto: que a literatura não foi uma invenção dos escritores, mas sim uma invenção da humanidade. Essa tese é explicitamente afirmada no último parágrafo: "Quer dizer, a literatura não foi uma invenção dos escritores, gosto muito de enfatizar isso. Foi uma invenção humana." O título, portanto, funciona como uma síntese prévia do argumento principal.

Análise das alternativas:

Alternativa A — ❌ Incorreta

"sugere que os aedos inventaram a literatura."

O texto menciona os aedos como "poetas da memória" que memorizavam histórias para que os fatos não se perdessem — eles não são apresentados como inventores da literatura. Pelo contrário, a autora afirma que a literatura é anterior a qualquer escritor individual: `Foi uma invenção humana`. Erro: extrapolação (atribui função inventiva a um grupo que o texto apresenta como transmissor da memória).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O título anuncia a tese que será defendida: a literatura como criação coletiva da humanidade. A autora desenvolve essa ideia ao longo do texto, mostrando que desde Homero e os aedos até os incas com os amautas, a necessidade de narrar é uma característica humana, não uma invenção individual de escritores. A passagem que comprova: `Quer dizer, a literatura não foi uma invenção dos escritores, gosto muito de enfatizar isso. Foi uma invenção humana.`

Alternativa C — ❌ Incorreta

"refuta a ideia de que a oralidade está na origem da literatura."

O texto não refuta a oralidade; ao contrário, valoriza a transmissão oral como forma de preservar a memória. Fala sobre os aedos e os amautas que memorizavam e contavam histórias oralmente. A oralidade é parte da origem da literatura na visão da autora. Erro: contradiz o texto (o texto apoia a oralidade como base da narrativa).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"questiona a noção de que literatura é produto da cultura."

O texto não questiona que a literatura seja produto da cultura; pelo contrário, afirma que ela é uma invenção humana, parte da civilização. Logo no início: `Vejo a literatura como um instrumento excepcional da nossa civilização.` A autora não problematiza isso, apenas reforça. Erro: fora do escopo (o texto não levanta esse questionamento).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"promove certa crítica ao aspecto fantasioso inerente às narrativas."

O texto não critica o aspecto fantasioso; pelo contrário, elogia a capacidade da literatura de dar visibilidade aos sentimentos humanos, inclusive os mais obscuros. Diz que ela `dá visibilidade a quem somos, a nossos sentimentos mais secretos, mais obscuros, mais desesperados`. Não há tom crítico. Erro: acrescenta opinião (insere uma crítica que o autor não fez).

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com alternativas que parecem plausíveis (A, C, D, E), mas que ou extrapolam, contradizem ou acrescentam ideias que o texto não contém. A chave é localizar a tese explícita no final do texto e perceber que o título a antecipa.

PEGA ESSA DICA!

Ao interpretar um título, pergunte-se: ele resume, questiona, adianta ou contradiz a ideia principal do texto? No caso, "Uma invenção humana" é uma afirmação que será sustentada.

Gabarito: letra B.

Link permanente: /questoes/vu054934