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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2019

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu055013
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFAI
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Escriturário
Leia o texto para responder à questão.

Bartleby, o escriturário

    Não é à toa que Bartleby, o escriturário (ou o escrivão ou Uma história de Wall Street) é uma obra tão debatida e que deixa tantas pessoas confusas quando de seu desfecho: há no livro um espaço extremamente propício a especulações e discussões de toda a sorte, que, de certo modo, parecem conduzir todas, em maior ou menor medida, a um beco sem saída.
    Vamos aos fatos para tentar clarear a situação a respeito do misterioso desfecho de Bartleby. O conto foi publicado na revista literária Putnam’s Magazine, pelos idos de 1853, sendo posteriormente incorporado à coletânea de contos The piazza tales, de 1856. Seu autor, Herman Melville, é conhecido do grande público pela obra Moby Dick.
    Quem nos narra a história é o patrão de Bartleby, um advogado de carreira de Wall Street, que, com elegância e alguma pompa, digna-se a narrar a estranha história de um de seus funcionários (ele emprega outros três: Nippers, Turkey e Ginger Nut) e de como a história dele também o atormenta e confunde profundamente.
    Tendo Bartleby ido trabalhar no escritório do narrador da história, ficamos conhecendo seu excêntrico e aparentemente depressivo comportamento, de modo que começa já aí a se delinear a bruma de mistério em torno de sua figura. Cabisbaixo, quieto e sofrendo do que parece ser uma falta de motivação ou vontade de realizar algo, Bartleby estranhamente segue à risca as exigências de seu trabalho, com exceção das revisões de documentos em que seu patrão ou algum dos outros funcionários lê em voz alta o texto para que os outros confiram as cópias.
    Com o passar do tempo, porém, Bartleby começa a recusar-se a cumprir suas obrigações, dizendo sempre a mesma frase, “Prefiro não fazê-lo”, atraindo a insatisfação do patrão, que começa a pressioná-lo a respeito de sua cada vez menos produtiva labuta. Sem coragem de demiti-lo, o advogado o deixa continuar “trabalhando” e chega a encontrá-lo trancafiado sozinho nos dias de folga nas dependências do escritório.
    A perturbação recai sobre o advogado, que decide mudar- -se dali, visto que Bartleby se recusa a deixar o escritório, e seu aspecto fantasmagórico está deixando seus nervos à flor da pele.
    O nó da história se dá quando, voltando para onde seu escritório se localizava, o advogado encontra Bartleby morto, ao que parecia, por inanição. Devido à quase mudez do empregado acerca de suas escolhas e à sua insistência em preferir não fazer nada, pouco se sabe (e muito se especula) sobre os motivos e as razões subjacentes a suas escolhas e sua existência moribunda.
(Lucas Deschain. https://www.posfacio.com.br. Adaptado)
Considere as passagens:

● ... e de como a história dele também o atormenta e confunde profundamente. (3º parágrafo)
● ... e seu aspecto fantasmagórico está deixando seus nervos à flor da pele. (6º parágrafo)

Os pronomes destacados referem-se, correta e respectivamente, às seguintes expressões:
  1. Aum dos funcionários; o advogado; o patrão; Bartleby.
  2. BBartleby; Bartleby; o patrão; o advogado.
  3. Co advogado; o patrão; Bartleby; Bartleby.
  4. Dum dos funcionários; o patrão; Bartleby; o advogado.
  5. Eo patrão; Bartleby; Bartleby; o advogado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — um dos funcionários; o patrão; Bartleby; o advogado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referência pronominal: rastreando "dele", "o", "seu" e "seus" no texto

Gabarito: letra D. Os pronomes destacados referem-se, correta e respectivamente, a um dos funcionários; o patrão; Bartleby; o advogado. A chave é rastrear cada pronome até o termo que ele retoma no próprio texto, sem pular de um parágrafo para outro.

Vamos analisar cada passagem com o trecho exato:

"... e de como a história dele também o atormenta e confunde profundamente." (3º parágrafo)

Aqui, o narrador (o advogado) fala de "um de seus funcionários" e de como a história dele (do funcionário) também o (o advogado) atormenta. O pronome "dele" retoma um dos funcionários (Bartleby), e o pronome "o" retoma o patrão (o advogado). Veja o trecho completo:

"...digna-se a narrar a estranha história de um de seus funcionários (ele emprega outros três: Nippers, Turkey e Ginger Nut) e de como a história dele também o atormenta e confunde profundamente."

O sujeito da oração é o advogado ("digna-se a narrar"), e "a história dele" refere-se à história do funcionário (Bartleby). O "o" é objeto direto de "atormenta" e "confunde", e quem é atormentado é o advogado, o patrão.

Agora a segunda passagem:

"... e seu aspecto fantasmagórico está deixando seus nervos à flor da pele." (6º parágrafo)

O trecho completo:

"A perturbação recai sobre o advogado, que decide mudar-se dali, visto que Bartleby se recusa a deixar o escritório, e seu aspecto fantasmagórico está deixando seus nervos à flor da pele."

Aqui, "seu aspecto" refere-se a Bartleby (o aspecto fantasmagórico é de Bartleby), e "seus nervos" refere-se a o advogado (os nervos do advogado estão à flor da pele). A pista é o contexto: quem está com os nervos à flor da pele é o advogado, que decide mudar-se por causa da perturbação.

1"dele" (3º §)
história do funcionário
→ um dos funcionários
2"o" (3º §)
atormenta e confunde
→ o patrão (advogado)
3"seu aspecto" (6º §)
aspecto fantasmagórico
→ Bartleby
4"seus nervos" (6º §)
nervos à flor da pele
→ o advogado
Referência pronominal
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Referência pronominal: "dele" (3º §) (história do funcionário, → um dos funcionários); "o" (3º §) (atormenta e confunde, → o patrão (advogado)); "seu aspecto" (6º §) (aspecto fantasmagórico, → Bartleby); "seus nervos" (6º §) (nervos à flor da pele, → o advogado)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao atribuir "o" a "o patrão" e "seu aspecto" a "o advogado". No texto, "o" retoma o advogado (que é o patrão), mas a alternativa troca a ordem: coloca "o patrão" como referente de "o" e "o advogado" como referente de "seu aspecto". Isso inverte a relação: quem tem o aspecto fantasmagórico é Bartleby, não o advogado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao atribuir "dele" a "Bartleby" (correto), mas "o" a "Bartleby" (errado). O pronome "o" é objeto direto de "atormenta" e "confunde", e quem é atormentado é o advogado, não Bartleby. Além disso, "seu aspecto" é atribuído a "o patrão", mas o aspecto fantasmagórico é de Bartleby.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao atribuir "dele" a "o advogado" (errado: a história é do funcionário) e "o" a "o patrão" (errado: o atormentado é o advogado). Também erra ao atribuir "seu aspecto" a "Bartleby" (correto) e "seus nervos" a "Bartleby" (errado: os nervos são do advogado).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, "dele" retoma um dos funcionários (Bartleby), "o" retoma o patrão (o advogado), "seu aspecto" retoma Bartleby e "seus nervos" retoma o advogado. A ordem exata é: um dos funcionários; o patrão; Bartleby; o advogado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao atribuir "dele" a "o patrão" (errado: a história é do funcionário) e "o" a "Bartleby" (errado: o atormentado é o advogado). Acerta em "seu aspecto" (Bartleby) e "seus nervos" (o advogado), mas os dois primeiros erros já invalidam a alternativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os referentes entre os personagens, especialmente entre o advogado (patrão) e Bartleby (funcionário). A armadilha está em inverter quem é o sujeito da ação: quem atormenta é a história do funcionário, e quem é atormentado é o advogado.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de referência pronominal, sublinhe o pronome e pergunte: "quem?" ou "o quê?" na frase. Volte no texto e identifique o termo mais próximo que faz sentido. Desconfie de alternativas que trocam a ordem dos referentes.

Gabarito: letra D

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