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Questão de Português — Pontuação — VUNESP 2020

PortuguêsPontuação
Código
vu062243
Banca
VUNESP
Órgão
Valiprev - SP
Ano
2020
Nível
Médio
Cargo
Agente Administrativo

      Se a vida é um vale de lágrimas, por que não processar os pais por nos terem trazido ao mundo?

      Se o leitor nunca pensou nessa hipótese, isso pode significar duas coisas. Primeiro, que é uma pessoa sã. Segundo, que nunca leu a saga do indiano Raphael Samuel, 27, que tentou processar os progenitores, segundo o jornal “The Guardian”.

      Sim, Samuel confessa que tem uma excelente relação com eles. Mas há, digamos, um “pecado original” que o rapaz não pode perdoar: ele nasceu sem dar o seu consentimento. Uma indenização, ainda que simbólica, seria uma forma de fazer doutrina: quando queremos ter filhos, é importante ter o consentimento deles.

      Por essa altura, o leitor inteligente que lê as minhas colunas já deve ter feito uma pergunta fundamental: como obter esse consentimento? E, já agora, em que fase?

      A ciência terá aqui uma palavra importante. Mas, conhecendo o narcisismo da espécie e a tendência irresistível de marchar pelas causas mais improváveis, não é de excluir que adolescentes de todas as idades, frustrados com a vida e com a necessidade de escovar os dentes, encontrem em Raphael Samuel um modelo (de negócio).

      Antigamente, os pais poupavam para a universidade dos filhos. Hoje, convém poupar primeiro para a indenização que eles nos vão pedir.

      No limite, ver o filho a pedir uma indenização aos pais por ter nascido faz tanto sentido como pedir uma indenização ao filho por ele não querer estar cá. Quem disse que só o filho pode ter razões de queixa?

      O problema dos cálculos meramente utilitaristas é que eles são dotados de uma espantosa flexibilidade. E da mesma forma que os filhos avaliam os seus danos por terem nascido, os pais podem atuar da mesma forma.

      Investiram tudo no delfim – patrimônio genético, tempo, dinheiro, sanidade e expectativas legítimas de que ele seria um adulto.

      Mas o ingrato, no fim das contas, ainda quer fazer contas. Se isso não é motivo para uma indenização pesada, só um anjo nos pode salvar.


(João Pereira Coutinho, Alô, filho, você quer mesmo sair?

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br.

Acesso em: 15.11.2019. Adaptado)

Assinale a alternativa que reescreve o segundo parágrafo de acordo com a norma-padrão de pontuação.
  1. ASe o leitor nunca pensou nessa hipótese, isso pode significar duas coisas: primeiro, que é uma pessoa sã; segundo, que nunca leu a saga do indiano Raphael Samuel (27), que, segundo o jornal “The Guardian”, tentou processar os progenitores.
  2. BSe o leitor nunca pensou nessa hipótese, isso pode significar duas coisas: primeiro que é uma pessoa sã, segundo, que nunca leu a saga do indiano Raphael Samuel – 27 que segundo o jornal “The Guardian”, tentou processar os progenitores.
  3. CSe o leitor nunca pensou nessa hipótese, isso pode significar duas coisas – que é uma pessoa sã, primeiro. Segundo, que nunca leu a saga do indiano Raphael Samuel, (27) que, tentou processar os progenitores (segundo o jornal “The Guardian”).
  4. DIsso pode significar, se o leitor nunca pensou nessa hipótese duas coisas - que é uma pessoa sã, primeiro, que segundo, nunca leu a saga do indiano Raphael Samuel, 27 (que tentou processar os progenitores) segundo o jornal “The Guardian”.
  5. EIsso, se o leitor nunca pensou nessa hipótese pode significar duas coisas. Primeiro: que é uma pessoa sã, segundo: que nunca leu a saga do indiano Raphael Samuel – 27 –, que tentou processar os progenitores, segundo o jornal “The Guardian”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Se o leitor nunca pensou nessa hipótese, isso pode significar duas coisas: primeiro, que é uma pessoa sã; segundo, que nunca leu a saga do indiano Raphael Samuel (27), que, segundo o jornal “The Guardian”, tentou processar os progenitores.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação na reescritura do segundo parágrafo

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que reescreve o trecho com pontuação normativa: usa dois-pontos para anunciar a enumeração das duas coisas, ponto e vírgula para separar os itens enumerados (que já contêm vírgulas internas), parênteses para isolar a idade (27) e vírgulas duplas para isolar a oração intercalada “segundo o jornal ‘The Guardian’”. Como se lê no texto-base: “isso pode significar duas coisas. Primeiro, que é uma pessoa sã. Segundo, que nunca leu a saga do indiano Raphael Samuel, 27, que tentou processar os progenitores, segundo o jornal ‘The Guardian’.”

A questão pede reescritura com norma-padrão de pontuação — não é interpretação de sentido, mas aplicação das regras de uso dos sinais. O comando é claro: “Assinale a alternativa que reescreve o segundo parágrafo de acordo com a norma-padrão de pontuação.” Portanto, o critério é exclusivamente gramatical: cada sinal deve cumprir sua função e não pode separar termos que não podem ser separados (como sujeito e verbo).

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reescrita está perfeita:

  • Dois-pontos após “duas coisas” — anuncia a enumeração (função clássica dos dois-pontos).

  • Ponto e vírgula entre “primeiro, que é uma pessoa sã” e “segundo, que nunca leu…” — separa itens de enumeração que já contêm vírgulas internas (regra do ponto e vírgula).

  • Parênteses em “(27)” — isola a idade, dado acessório, sem quebrar o fluxo da frase.

  • Vírgulas duplas em “que, segundo o jornal ‘The Guardian’, tentou…” — isolam a oração intercalada “segundo o jornal ‘The Guardian’”, que é um adjunto intercalado e deve vir entre vírgulas.

Não há separação indevida de sujeito e verbo, nem falta de vírgula em intercalada. A pontuação organiza o período sem alterar o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: falta de vírgula após “primeiro” e uso indevido de travessão sem fechamento. Veja: “primeiro que é uma pessoa sã, segundo, que nunca leu…” — o correto seria “primeiro, que é uma pessoa sã; segundo, que…”. Além disso, “Raphael Samuel – 27 que segundo o jornal…” usa travessão sem o travessão de fechamento e sem vírgula após “27”, criando um bloco confuso. O travessão, quando usado para intercalar, exige o par (— … —). Aqui ele abre e não fecha, e ainda suprime a vírgula obrigatória da intercalada “segundo o jornal…”.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: vírgula separando sujeito e verbo e vírgula antes de parêntese. Em “Raphael Samuel, (27) que, tentou…” há vírgula antes do parêntese (proibida) e vírgula entre “que” e “tentou” (separa o pronome relativo do verbo, quebrando a oração). Além disso, a ordem “que é uma pessoa sã, primeiro. Segundo, que…” inverte a enumeração de forma confusa, e o uso de “primeiro” após a oração é estilisticamente estranho e não normativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: vírgula separando sujeito e verbo e falta de pontuação para isolar a intercalada. Em “Isso pode significar, se o leitor nunca pensou nessa hipótese duas coisas” — a vírgula após “significar” separa o verbo de seu complemento (“duas coisas”), e a oração condicional “se o leitor…” deveria estar isolada por vírgulas, mas a segunda vírgula está ausente. Além disso, “primeiro, que segundo, nunca leu…” é um amontoado sem pontuação adequada; o travessão em “duas coisas - que é…” não tem função clara.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: vírgula separando sujeito e verbo e uso inadequado de dois-pontos. Em “Isso, se o leitor nunca pensou nessa hipótese pode significar duas coisas” — a vírgula após “Isso” separa o sujeito do verbo “pode significar”, e a oração condicional “se o leitor…” deveria estar entre vírgulas, mas a segunda vírgula está ausente. Além disso, “Primeiro: que é uma pessoa sã, segundo: que…” usa dois-pontos de forma inadequada (dois-pontos não se usam para introduzir cada item de uma enumeração; o correto é usar dois-pontos uma única vez antes da lista e separar os itens com ponto e vírgula). O travessão duplo em “– 27 –” até poderia ser aceito, mas o restante invalida a alternativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura erros de pontuação com alteração de sentido. O erro mais comum é a vírgula separando sujeito e verbo (presente em C, D e E) e a falta de vírgula em oração intercalada (presente em B). Fique atento: a vírgula nunca pode separar o sujeito do verbo, e toda oração intercalada deve vir entre vírgulas, travessões ou parênteses.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever com pontuação, identifique primeiro as orações intercaladas (como “segundo o jornal…”) e os elementos enumerados. Use dois-pontos para anunciar a lista, ponto e vírgula para separar itens longos e parênteses/travessão para dados acessórios. Depois, confira se nenhuma vírgula separa sujeito e verbo.

Gabarito: letra A.

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