Para saber como as democracias morrem há legistas mais
capazes na autópsia. Mas, para diagnosticar como adoecem,
melhor observar o mal-estar dos fatos polêmicos à luz da
ousadia pessoal dos influentes que os cometem e da letargia
cívica com que os influenciados reagem a eles. Lesões oportunistas são obra de ideologias diversas que enfraquecem
uma nação e comprometem sua saúde democrática.
Neste artigo, olho um período cheio de egolatrias em que
ficamos à mercê da marca do outro. Assim como a gula, apetite sem limite de quem se sente situado no topo da cadeia
alimentar, a voracidade é mecanismo próprio do mau instinto
de quem não tem predador natural.
Se todos têm suas próprias razões no que fazem e estão
tão mergulhados de interesse nelas, não se trata de liberdade de pensamento e é difícil imaginar reflexão de boa-fé.
Existem ficções e existem fatos concretos. Embora pouco
praticada entre nós, a psico-história da política costuma ser
mais hábil para entender os venenos sutis que alimentam a
ambição dos que são notícia.
Anda, evidente, muito mal conduzida nossa democracia.
Mas isso não significa que tenha morrido. Lembra mais a lenda brasileira de que ninguém presta e não vai dar em nada.
Lenda que impulsiona o caráter arbitrário do tipo que manda
ver. Um costume primitivo, institucional, cuja dimensão ainda
não compreendemos inteiramente. É onde estacionou a curva da civilização brasileira e dali jamais passou. Ali onde o
mundo em que são cometidos crimes e as aberrações legais
ameaça ficar parecido com o mundo onde deveria ser possível corrigir suas consequências.
• ... melhor observar o mal-estar dos fatos polêmicos... (1º parágrafo)
• ... não se trata de liberdade de pensamento e é difícil imaginar reflexão de boa-fé. (3º parágrafo)
Considerando os sentidos do texto e a conformidade com a norma-padrão, cada um dos termos destacados tem como antônimo e flexão no plural, respectivamente:
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Antônimos e plural de "mal-estar" e "boa-fé"
Gabarito: letra A. A questão pede, para cada termo destacado, o antônimo e a flexão de plural conforme a norma-padrão. A única alternativa que acerta as duas exigências é a A: "mal-estar" tem como antônimo comprazimento e plural mal-estares; "boa-fé" tem como antônimo dolo e plural boas-fés. As demais erram ora no antônimo, ora na forma do plural.
Como resolver
Primeiro, identifique o que a banca pede: antônimo (palavra de sentido contrário) e plural (flexão de número) de cada termo. Não há necessidade de interpretar o texto além do sentido das palavras destacadas — a questão é de semântica (antonímia) e morfologia (plural de compostos).
Mal-estar: substantivo composto formado por "mal" (advérbio) + "estar" (verbo). No plural, flexionam-se os dois elementos: mal-estares. O antônimo é "comprazimento" (prazer, satisfação plena), pois "mal-estar" é desconforto, indisposição.
Boa-fé: substantivo composto formado por adjetivo + substantivo. No plural, flexionam-se os dois elementos: boas-fés. O antônimo é "dolo" (má-fé, intenção de enganar), pois "boa-fé" é a intenção honesta.
Plural de compostos: Advérbio + verbo (mal-estar) (Só o verbo varia, mal-estares); Adjetivo + substantivo (boa-fé) (Ambos variam, boas-fés); Antônimos (Mal-estar → comprazimento, Boa-fé → dolo)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Apresenta exatamente o que se pede: comprazimento (antônimo de mal-estar) e mal-estares (plural correto); dolo (antônimo de boa-fé) e boas-fés (plural correto).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra no plural de "mal-estar": males-estares não existe. O correto é mal-estares (flexiona-se apenas o segundo elemento, pois "mal" é advérbio invariável). Além disso, "satisfação" é sinônimo, não antônimo de "mal-estar".
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra no plural de "mal-estar": males-estar está incorreto (o correto é mal-estares). "Disposição" não é antônimo de "mal-estar"; "logro" (engano) até poderia ser antônimo de boa-fé, mas o plural "boas-fés" está correto — porém o erro no primeiro termo já invalida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra no plural de "mal-estar": mal-estar não varia (o correto é mal-estares). "Constrangimento" é um sentido próximo, mas não é o antônimo exato; "ultraje" não é antônimo de boa-fé.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra no plural de "boa-fé": boas-fé está incorreto (o correto é boas-fés). "Aflição" não é antônimo de mal-estar; "sinceridade" é sinônimo, não antônimo de boa-fé.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura antônimos plausíveis com plurais incorretos de compostos. A forma "mal-estares" e "boas-fés" é o ponto decisivo — decore a regra: em compostos com advérbio + verbo, só o verbo varia; em adjetivo + substantivo, ambos variam.
PEGA ESSA DICA!
Para plural de compostos, pergunte: as palavras variam isoladamente? "Mal" (advérbio) não varia; "estar" (verbo) varia → mal-estares. "Boa" (adjetivo) e "fé" (substantivo) variam → boas-fés.