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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2021

PortuguêsSintaxe
Código
vu063052
Banca
VUNESP
Órgão
CODEN - SP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Advogado

Leia o texto para responder a questão:

Como as democracias adoecem
    Para saber como as democracias morrem há legistas mais capazes na autópsia. Mas, para diagnosticar como adoecem, melhor observar o mal-estar dos fatos polêmicos à luz da ousadia pessoal dos influentes que os cometem e da letargia cívica com que os influenciados reagem a eles. Lesões oportunistas são obra de ideologias diversas que enfraquecem uma nação e comprometem sua saúde democrática. 
    Neste artigo, olho um período cheio de egolatrias em que ficamos à mercê da marca do outro. Assim como a gula, apetite sem limite de quem se sente situado no topo da cadeia alimentar, a voracidade é mecanismo próprio do mau instinto de quem não tem predador natural.
     Se todos têm suas próprias razões no que fazem e estão tão mergulhados de interesse nelas, não se trata de liberdade de pensamento e é difícil imaginar reflexão de boa-fé. Existem ficções e existem fatos concretos. Embora pouco praticada entre nós, a psico-história da política costuma ser mais hábil para entender os venenos sutis que alimentam a ambição dos que são notícia.
    Anda, evidente, muito mal conduzida nossa democracia. Mas isso não significa que tenha morrido. Lembra mais a lenda brasileira de que ninguém presta e não vai dar em nada. Lenda que impulsiona o caráter arbitrário do tipo que manda ver. Um costume primitivo, institucional, cuja dimensão ainda não compreendemos inteiramente. É onde estacionou a curva da civilização brasileira e dali jamais passou. Ali onde o mundo em que são cometidos crimes e as aberrações legais ameaça ficar parecido com o mundo onde deveria ser possível corrigir suas consequências.
 (Paulo Delgado, “Como as democracias adoecem”.
https://opiniao.estadao.com.br. 12.02.2020. Adaptado)
Na passagem do 3° parágrafo – Embora pouco praticada entre nós, a psico-história da política costuma ser mais hábil para entender os venenos sutis que alimentam a ambição dos que são notícia. –, os termos destacados estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de:
  1. Aconcessão, finalidade, restrição.
  2. Bconclusão, conformidade, causa.
  3. Cadversidade, causa, consequência.
  4. Dconcessão, comparação, explicação.
  5. Econclusão, finalidade, consequência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — concessão, finalidade, restrição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações de sentido: concessão, finalidade e restrição

Gabarito: letra A. Na passagem do 3º parágrafo, os termos destacados estabelecem, respectivamente, relações de concessão (Embora), finalidade (para) e restrição (que). A pista decisiva está na natureza de cada conectivo: "Embora" introduz uma concessiva (fato que se admite, mas não impede a ação principal); "para" introduz uma final (objetivo); e o "que" após "venenos sutis" é um pronome relativo que inicia uma oração adjetiva restritiva (restringe o sentido de "venenos").

Como resolver

O comando pede que você identifique a relação de sentido que cada termo destacado estabelece no trecho. Isso é uma questão de sintaxe e semântica dos conectivos — não de interpretação livre. Vamos analisar o trecho:

"Embora pouco praticada entre nós, a psico-história da política costuma ser mais hábil para entender os venenos sutis que alimentam a ambição dos que são notícia."

Três termos estão em jogo: Embora, para e que. Cada um tem função específica:

  • Embora → conjunção subordinativa concessiva: admite uma objeção ("pouco praticada") sem invalidar a afirmação principal ("costuma ser mais hábil").

  • para → preposição que introduz uma oração subordinada adverbial final: indica o objetivo de "ser mais hábil" (entender os venenos sutis).

  • que → pronome relativo que retoma "venenos sutis" e introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva: delimita quais venenos (os que alimentam a ambição).

A alternativa A é a única que nomeia corretamente essas três relações.

1"Embora"
Conjunção concessiva
Admite objeção sem invalidar
2"para"
Preposição de finalidade
Indica objetivo
3"que"
Pronome relativo
Oração adjetiva restritiva
Restringe o antecedente
Conectivos do trecho
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos do trecho: "Embora" (Conjunção concessiva, Admite objeção sem invalidar); "para" (Preposição de finalidade, Indica objetivo); "que" (Pronome relativo, Oração adjetiva restritiva, Restringe o antecedente)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência concessão, finalidade, restrição é exata:

  • Embora = concessão (admite-se a ressalva).

  • para = finalidade (objetivo).

  • que = restrição (restringe o antecedente).

Não há outra leitura possível: o "que" é relativo e a oração que ele inicia é restritiva, pois especifica quais venenos sutis — sem vírgula, não é explicativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Conclusão, conformidade, causa — erra desde o primeiro termo: "Embora" não é conclusivo (conclusivos são "portanto", "logo", "assim"). Também não há conformidade ("conforme", "como") nem causa ("porque", "visto que"). A alternativa troca os conectivos por outros de valor semântico distinto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Adversidade, causa, consequência — "Embora" é concessivo, não adversativo (adversativos são "mas", "porém", "contudo"). A concessão admite um fato contrário, mas não o opõe diretamente como a adversidade. Os demais termos também não se sustentam: "para" não é causa, e "que" não é consequência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Concessão, comparação, explicação — acerta no primeiro termo (concessão), mas erra nos seguintes: "para" não é comparativo (comparativos são "como", "tal qual"), e o "que" não introduz explicação (explicativos são "pois", "porque"). A alternativa mistura acertos e erros, o que a torna sedutora — mas basta um termo errado para invalidá-la.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Conclusão, finalidade, consequência — erra no primeiro ("Embora" não é conclusivo) e no último ("que" não é consecutivo; consecutivos são "tão...que", "de forma que"). Acerta apenas no "para" (finalidade), insuficiente para gabaritar.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia do "que" — ele pode ser conjunção integrante, pronome relativo, conjunção causal etc. Aqui, é pronome relativo com valor restritivo. Além disso, "Embora" é a clássica conjunção concessiva, mas muitos candidatos a confundem com adversativa.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de relação de sentido, identifique a classe e o valor do conectivo antes de olhar as alternativas. Pergunte: "que ideia ele introduz? oposição? causa? finalidade? tempo?" — e desconfie de alternativas que trocam um termo por outro de valor próximo, mas não idêntico.

Gabarito: letra A.

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