Francisca trabalhou dos dez aos 48 anos em “casa de
família”, no Rio. Nunca alcançou um salário mínimo nem lhe
assinaram a carteira. Quando infartou e não pôde mais trabalhar, ficou com uma mão na frente e a outra atrás: não teve
direito a pensão nem aposentadoria. O marido cata papel no
lixão. O filho que morreu foi gari, açougueiro, entregador de
verduras no Ceasa. Fez até curso de segurança. Depois de
um ano desempregado, virou traficante. Durou um ano vivo.
“Ele ganhava 1500 reais por semana. Pagava meus remédios, passagem, prestação do guarda-roupa, gás, tudo”, diz
Francisca. “Não era o que eu desejava para ele. Sonhava
que fosse mecânico. Mas eu aceitava o dinheiro porque não
tinha opção.”
Ao chegar do trabalho, o filho deixava o fuzil no portão.
Como se fosse a caixa de ferramentas. “Meu filho, não quero
esses brinquedos perigosos dentro de casa”, Francisca dizia.
Como bom filho, ele obedecia.
(Eliane Brum. O olho da rua. São Paulo: Globo, 2008. Adaptado)
No trecho – Como bom filho, ele obedecia. –, a palavra em destaque pode ser substituída por:
AQuando era.
BSe fosse.
CMesmo que fosse.
DPorque era.
EEmbora fosse.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Porque era.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Valor semântico de "como" no período
Gabarito: letra D. No trecho “Como bom filho, ele obedecia.”, a palavra COMO expressa causa: o filho obedecia porque era um bom filho. A substituição correta, portanto, é “Porque era”.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o fato de que a conjunção “como” pode ter vários valores (comparativo, concessivo, condicional, temporal). Quem não atenta ao contexto da narrativa escolhe uma das outras opções, que alteram o sentido.
Contexto no texto
No texto, Francisca pede ao filho que não deixe o fuzil dentro de casa; ele, sendo um bom filho, obedece. A obediência é consequência da qualidade de “bom filho”. Não há comparação (“como se fosse”), condição (“se fosse”), concessão (“mesmo que fosse” / “embora fosse”) ou tempo (“quando era”). A relação é puramente causal.
Valor de "como"
Conjunção
Sentido no período
Causal
Porque era
✅ Obediência é consequência de ser bom filho
Temporal
Quando era
❌ Marca tempo, não causa
Condicional
Se fosse
❌ Hipotético; o fato é real
Concessiva
Mesmo que fosse / Embora fosse
❌ Oposição; texto mostra harmonia
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Quando era” introduz uma ideia temporal (no momento em que ele era bom filho). O texto não marca tempo; a obediência é uma atitude constante resultante do caráter do filho.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Se fosse” cria uma condição hipotética. O filho já era bom filho – não há hipótese. O texto relata um fato real, não uma condição.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Mesmo que fosse” indica concessão (oposição). Daria a entender que ele obedecia apesar de ser bom filho, o que inverte a lógica do texto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Porque era” – conjunção causal. É exatamente o sentido do original: a obediência é motivada pela qualidade de “bom filho”. Confirma-se com o trecho: “Como bom filho, ele obedecia.” equivale a “Ele obedecia porque era um bom filho.”
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Embora fosse” – outra conjunção concessiva, que estabelece oposição. O texto mostra harmonia (ser bom → obedecer), não contrariedade.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o valor do “como”, pergunte-se: “o que ele explica?”. Se explica uma causa (por que algo acontece?), é causal. Se estabelece comparação (“como se”), é comparativo. Se indica tempo (“quando”), é temporal. O contexto narrativo decide.
Conclusão: A única substituição que mantém o sentido original é “porque era”. Portanto, gabarito: letra D.