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Questão de Direito Administrativo — Regime jurídico administrativo — VUNESP 2022

Direito AdministrativoRegime jurídico administrativo
Código
vu066168
Banca
VUNESP
Órgão
AL-SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Suporte Técnico
A respeito dos princípios da Administração Pública, é correto afirmar que
  1. Anão é relevante para a sua compreensão e aplicação o entendimento das diferentes espécies normativas existentes no ordenamento jurídico constitucional.
  2. Bo princípio administrativo da efetividade administrativa resulta da compreensão neoliberal de que se pode fazer mais com menos, adotando-se melhores técnicas de administração provenientes da prática empresarial.
  3. Cos princípios jurídicos são normas imediatamente descritivas, na medida em que estabelecem obrigações, permissões e proibições mediante a descrição da conduta a ser adotada ou omitida.
  4. Dos princípios jurídicos consistem em espécie de normas jurídicas por meio da qual são estabelecidos deveres de otimização aplicáveis em vários graus, segundo as possibilidades normativas e fáticas.
  5. Eo princípio administrativo da prevalência dos direitos humanos impõe o respeito por parte da Administração Pública ao nome social de pessoas travestis e transexuais, desconsiderando-se o nome civil para usos administrativos internos.
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GabaritoD — os princípios jurídicos consistem em espécie de normas jurídicas por meio da qual são estabelecidos deveres de otimização aplicáveis em vários graus, segundo as possibilidades normativas e fáticas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Princípios da Administração Pública: natureza normativa e estrutura

Gabarito: letra D. A alternativa correta define os princípios jurídicos como normas que estabelecem deveres de otimização, aplicáveis em vários graus conforme as possibilidades normativas e fáticas — exatamente a concepção de Robert Alexy, amplamente adotada pela doutrina brasileira. As demais alternativas ou negam a relevância das espécies normativas, ou atribuem aos princípios características de regras, ou ainda confundem princípios com regras de conduta específicas.

A questão cobra a distinção entre princípios e regras, tema central da teoria do direito e frequentemente explorado em concursos. Princípios são normas jurídicas de textura aberta, que expressam valores e exigem ponderação; regras, por sua vez, são normas que descrevem condutas de forma taxativa e se aplicam por subsunção. Essa diferença é essencial para compreender a aplicação dos princípios administrativos, como legalidade, moralidade e eficiência.

A doutrina majoritária, influenciada por Robert Alexy, classifica os princípios como mandados de otimização: eles determinam que algo seja realizado na maior medida possível, considerando as possibilidades fáticas e jurídicas. Já as regras são mandados de determinação: ou se aplicam integralmente, ou não se aplicam. Essa distinção é fundamental para resolver a questão, pois a alternativa D espelha exatamente essa definição.

A banca explora a confusão entre princípios e regras: enquanto as regras são normas imediatamente descritivas (descrevem a conduta), os princípios são normas de otimização (estabelecem fins a serem buscados). A alternativa C inverte essa lógica, atribuindo aos princípios a característica das regras. Já a alternativa A nega a importância das espécies normativas, o que contraria a própria estrutura do ordenamento jurídico.

Princípios × Regras
  • 1Princípios
    • Mandados de otimização
    • Textura aberta
    • Aplicam-se por ponderação
    • Aplicáveis em vários graus
  • 2Regras
    • Mandados de determinação
    • Descrição taxativa da conduta
    • Aplicam-se por subsunção
    • Tudo ou nada
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que "não é relevante" o entendimento das espécies normativas para a compreensão dos princípios. Isso é falso: a hierarquia normativa (Constituição, leis, decretos etc.) é essencial para determinar a força normativa e o âmbito de aplicação de cada princípio. Sem conhecer a hierarquia, não se sabe se um princípio é constitucional ou infraconstitucional, nem como ele se relaciona com outras normas. A alternativa contraria a lógica do sistema jurídico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Atribui ao princípio da eficiência uma origem "neoliberal" e o reduz a "fazer mais com menos" com técnicas empresariais. Embora a eficiência tenha sido inserida pela EC 19/1998 e dialogue com a administração gerencial, ela é um princípio constitucional (art. 37, caput, CF) que impõe à Administração a busca pela melhor relação custo-benefício na prestação de serviços públicos, mas não se resume a uma visão neoliberal nem se limita a técnicas empresariais. A alternativa é reducionista e ideologicamente carregada, sem amparo técnico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que os princípios são "normas imediatamente descritivas", que estabelecem obrigações mediante descrição de conduta. Isso é característica de regras, não de princípios. Princípios são normas de textura aberta, que expressam valores e exigem ponderação; não descrevem condutas específicas. A alternativa inverte a natureza dos princípios, confundindo-os com regras.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Define os princípios como "espécie de normas jurídicas por meio da qual são estabelecidos deveres de otimização aplicáveis em vários graus, segundo as possibilidades normativas e fáticas". Essa é a definição clássica de mandados de otimização (Robert Alexy), adotada pela doutrina brasileira. Os princípios não se aplicam de forma "tudo ou nada", mas sim na máxima medida possível, ponderando com outros princípios e considerando as circunstâncias do caso concreto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Menciona o "princípio da prevalência dos direitos humanos" e o respeito ao nome social de travestis e transexuais. Embora o STF tenha reconhecido o direito ao nome social (ADIn 4.275), a alternativa erra ao afirmar que se deve "desconsiderar o nome civil para usos administrativos internos". O nome social é um direito, mas não implica a supressão do nome civil em todos os registros administrativos; há uma convivência entre ambos, com o nome social prevalecendo no trato social, mas o nome civil permanecendo em documentos oficiais quando exigido por lei. A alternativa é exagerada e não reflete o entendimento jurisprudencial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca as características de princípios e regras: a alternativa C atribui aos princípios a natureza descritiva das regras, enquanto a D traz a definição correta de mandados de otimização. Cuidado para não confundir: princípios são abertos e ponderáveis; regras são fechadas e subsuntivas.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar princípios de regras, pergunte: "essa norma admite gradação?" Se sim, é princípio; se não, é regra. Ex.: "legalidade" admite ponderação? Não, é regra; "moralidade" admite? Sim, é princípio. Treine com questões que misturam os dois conceitos.

Gabarito: letra D

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