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Questão de Direito Administrativo — Improbidade administrativa - Lei nº 8.429 de 1992 e Lei nº 14.230 de 2021 — VUNESP 2024

Direito AdministrativoImprobidade administrativa - Lei nº 8.429 de 1992 e Lei nº 14.230 de 2021
Código
vu087658
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Oficial de Justiça
João da Silva foi nomeado para cargo público com exigência de escolaridade até o ensino médio, no âmbito do Poder Judiciário do Estado de São Paulo, e, junto aos documentos obrigatórios para a posse, verificou a necessidade de apresentação da sua declaração de imposto de renda. Na sua declaração consta como dependente uma filha que João teve fora do casamento e mantém em segredo há anos. Por essa razão, João gostaria de evitar a entrega da declaração do imposto de renda para a posse e posterior exercício do cargo.Considerando essa situação hipotética e o previsto no ordenamento jurídico brasileiro, é correto afirmar que:
  1. Aa exigência formulada pelo órgão para a posse é contrária ao direito à privacidade, à proteção da honra, bem como à proteção de dados pessoais e do sigilo fiscal e bancário garantidos pela Constituição Federal.
  2. Ba posse e o exercício do cargo público ficam condicionados à apresentação da declaração de imposto de renda, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal.
  3. Cembora exija-se, em regra, a apresentação da declaração de imposto de renda, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, essa regra não se aplica aos servidores do Poder Judiciário em razão da separação de poderes.
  4. Da posse em cargo público de nível superior fica condicionada à apresentação da declaração de imposto de renda, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, mas não a posse em cargo público de nível médio.
  5. Epara evitar a exposição do seu drama familiar, João poderia modificar a sua declaração de imposto de renda, apresentando, para posse, declaração que não contivesse a informação relativa aos recebimentos e pagamentos de sua filha.
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GabaritoB — a posse e o exercício do cargo público ficam condicionados à apresentação da declaração de imposto de renda, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Declaração de Imposto de Renda para Posse em Cargo Público

Gabarito: letra B. A exigência de apresentação da declaração de imposto de renda para a posse e o exercício em cargo público é legal e obrigatória, conforme o art. 13 da Lei 8.429/1992, que condiciona a posse e o exercício de agente público à apresentação da declaração que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente. A situação de João, que deseja ocultar a filha dependente, não o exime dessa obrigação, pois a lei não prevê exceção para casos de constrangimento pessoal.

A questão trata da obrigatoriedade da declaração de bens e rendas como requisito para a investidura em cargo público. Essa exigência decorre do princípio da moralidade administrativa e da necessidade de transparência e controle da evolução patrimonial dos agentes públicos, visando prevenir e coibir o enriquecimento ilícito. A Lei 8.429/1992, em seu art. 13, estabelece essa condição de forma expressa e geral, aplicando-se a todos os agentes públicos, independentemente do nível de escolaridade exigido para o cargo ou do Poder a que pertença.

A banca explora a tensão entre o direito à privacidade e o dever de transparência do agente público. Embora a Constituição Federal garanta a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem (art. 5º, X), essa proteção não é absoluta quando se trata do acesso a cargos públicos. O agente público, ao optar por ingressar no serviço público, submete-se a restrições e deveres especiais, como a apresentação da declaração de bens, que é medida de interesse público e não viola o sigilo fiscal, pois a declaração é arquivada no serviço de pessoal e não é divulgada publicamente.

A alternativa correta é a letra B, pois reproduz fielmente o comando do art. 13 da Lei 8.429/1992. As demais alternativas apresentam distorções: a letra A alega violação à privacidade, o que não ocorre; a letra C tenta excluir o Poder Judiciário, sem amparo legal; a letra D diferencia indevidamente os cargos de nível superior e médio; e a letra E sugere a alteração da declaração, o que configuraria declaração falsa, punível com demissão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A exigência de apresentação da declaração de imposto de renda para a posse não é contrária ao direito à privacidade, à honra ou ao sigilo fiscal e bancário. A Constituição Federal garante esses direitos, mas eles não são absolutos. No caso, a exigência tem fundamento legal (art. 13 da Lei 8.429/1992) e visa ao interesse público, sendo o sigilo fiscal preservado, pois a declaração é arquivada no serviço de pessoal e não é divulgada. A banca tenta confundir o candidato ao invocar direitos fundamentais, mas a obrigação legal prevalece.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa reproduz exatamente o teor do art. 13 da Lei 8.429/1992, que condiciona a posse e o exercício de agente público à apresentação da declaração de imposto de renda e proventos de qualquer natureza, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente. A exigência se aplica a todos os agentes públicos, sem distinção de escolaridade ou Poder, e a recusa em apresentar a declaração ou a apresentação de declaração falsa sujeita o agente à pena de demissão (art. 13, § 3º).

Art. 13Lei-8429

Art. 13 — "A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração de imposto de renda e proventos de qualquer natureza, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente."

Alternativa C — ❌ Incorreta

A regra do art. 13 da Lei 8.429/1992 aplica-se a todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e a todos os entes federativos, não havendo exceção para os servidores do Poder Judiciário. A separação de poderes não afasta a obrigação legal de apresentar a declaração de bens, pois se trata de norma geral de moralidade administrativa. A alternativa tenta criar uma exceção inexistente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A lei não faz distinção entre cargos de nível superior e nível médio para a exigência da declaração de imposto de renda. O art. 13 da Lei 8.429/1992 condiciona a posse e o exercício de qualquer agente público à apresentação da declaração, independentemente da escolaridade exigida para o cargo. A alternativa tenta diferenciar situações que a lei trata de forma idêntica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa sugere que João poderia modificar sua declaração de imposto de renda para omitir a filha dependente, o que configuraria declaração falsa. O art. 13, § 3º, da Lei 8.429/1992 prevê a pena de demissão para o agente público que prestar declaração falsa. Além disso, a omissão de dependente na declaração de imposto de renda pode configurar crime contra a ordem tributária. A alternativa é juridicamente inviável e eticamente reprovável.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tensão entre o direito à privacidade e o dever de transparência do agente público. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa A, que invoca direitos fundamentais, mas a exigência legal prevalece. Lembre-se: a declaração de bens é requisito para a posse, e a recusa ou falsidade gera demissão. Fique atento a essa distinção.

Gabarito: letra B

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