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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2026

PortuguêsSintaxe
Código
vu116386
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Os tambores da guerra

    O ano de 2026 provavelmente não será lembrado como o ano em que o mundo entrou em guerra, mas talvez o seja como aquele em que a guerra deixou de causar espanto. O perigo maior não é a eclosão de um conflito específico, e sim a naturalização da violência como método recorrente de governo, coerção e ordenamento global. O mundo pode não estar à beira de uma Terceira Guerra Mundial – embora esteja mais próximo do que nunca –, mas parece ter se acomodado a um estado de tensão permanente.
    A guerra de atrito na Ucrânia continua a consumir homens e munições – com Moscou testando os nervos da Otan por meios híbridos, de sabotagens a violações de espaço aéreo. No Oriente Médio, o cessar-fogo em Gaza não eliminou a instabilidade regional: a pressão sobre a Cisjordânia cresce, a ajuda segue politizada, e o papel do Irã como potência revisionista permanece um ponto de fricção, com repercussões sobre Israel, o Golfo e rotas marítimas. Na África, o Sahel virou laboratório de jihadismo e colapso estatal, enquanto o Sudão, sob disputa de potências regionais, permanece como moedor de gente e usina de refugiados. Mesmo fora de zonas clássicas de guerra, a violência organizada avança: no México, no Brasil e em outras partes da América Latina, a sofisticação de narcomilícias e as disputas intestinas transformam cidades em frentes de batalha.
    O que chama a atenção não é só a quantidade de guerras, mas a sua duração, sua fragmentação e a relativa indiferença que despertam. Estados, milícias, cartéis e proxies recorrem à força não como último recurso, mas como instrumento regular de política. A violência deixou de ser exceção; tornou-se linha de base.
    Essa proliferação desafia leituras simplistas. Os conflitos do nosso tempo parecem se organizar não tanto segundo choques claros entre civilizações, como vaticinou Samuel Huntington, mas dentro de mundos culturais, religiosos ou políticos aparentados – conflitos contra o “desvio”: o vizinho que escolheu outro caminho, o aliado que virou herege, o “inimigo interno”. Isso ajuda a explicar alianças paradoxais, antagonismos internos e a fluidez desconcertante do sistema internacional atual, do Mar Negro ao Mar do Sul da China, passando pela aliança atlântica.
    Um mundo que se acostuma à guerra é um mundo mais vulnerável ao erro irreversível. É isso – mais do que qualquer confronto isolado – que deveria concentrar a atenção de governos, alianças e sociedades no ano que começa.


(O Estado de S.Paulo, Editorial, 03.01.2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o primeiro trecho contém oração com sujeito simples e predicado verbal, e o segundo trecho contém um adjunto adnominal, devidamente destacado, modificando o núcleo do sujeito da oração.
  1. A“Na África, o Sahel virou laboratório de jihadismo e colapso estatal…” (2º parágrafo) / “O ano de 2026 provavelmente não será lembrado como o ano em que o mundo entrou em guerra…” (1º parágrafo)
  2. B“A guerra de atrito na Ucrânia continua a consumir homens e munições…” (2º parágrafo) / “Os conflitos do nosso tempo parecem se organizar não tanto segundo choques claros entre civilizações…” (4º parágrafo)
  3. C“O perigo maior não é a eclosão de um conflito específico…” (1º parágrafo) / “Um mundo que se acostuma à guerra é um mundo mais vulnerável ao erro irreversível.” (5º parágrafo)
  4. D“Mesmo fora de zonas clássicas de guerra, a violência organizada avança…” (2º parágrafo) / “… e o papel do Irã como potência revisionista permanece um ponto de fricção, com repercussões sobre Israel…” (2º parágrafo)
  5. E“A violência deixou de ser exceção…” (3º parágrafo) / “Estados, milícias, cartéis e proxies recorrem à força não como último recurso, mas como instrumento regular de política.” (3º parágrafo)
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GabaritoB — “A guerra de atrito na Ucrânia continua a consumir homens e munições…” (2º parágrafo) / “Os conflitos do nosso tempo parecem se organizar não tanto segundo choques claros entre civilizações…” (4º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Questão sobre sujeito simples, predicado verbal e adjunto adnominal

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que o primeiro trecho apresenta sujeito simples e predicado verbal, e o segundo trecho contém um adjunto adnominal destacado modificando o núcleo do sujeito.

Análise do primeiro trecho de cada alternativa

A banca pede que a primeira oração tenha sujeito simples (um único núcleo) e predicado verbal (predicado cujo núcleo é um verbo significativo, não de ligação).

  • Alternativa A: “Na África, o Sahel virou laboratório de jihadismo e colapso estatal…” – O verbo “virou” é de ligação (indica transformação), e “laboratório” é predicativo do sujeito. Portanto, predicado nominal, não verbal. ❌

  • Alternativa B: “A guerra de atrito na Ucrânia continua a consumir homens e munições…” – Sujeito: “A guerra de atrito na Ucrânia” (núcleo: “guerra”; simples). Predicado: “continua a consumir” – locução verbal com verbo significativo “consumir”. Trata-se de predicado verbal. ✅

  • Alternativa C: “O perigo maior não é a eclosão de um conflito específico…” – Verbo “é” de ligação, predicado nominal. ❌

  • Alternativa D: “Mesmo fora de zonas clássicas de guerra, a violência organizada avança…” – Sujeito: “a violência organizada” (simples). Predicado: “avança” (verbo intransitivo de ação) → predicado verbal. ✅

  • Alternativa E: “A violência deixou de ser exceção…” – Verbo “deixou” é significativo; predicado verbal. ✅

Portanto, as alternativas A e C já estão descartadas.

Análise do segundo trecho de cada alternativa (que devem conter um adjunto adnominal destacado modificando o núcleo do sujeito)

  • Alternativa B: “Os conflitos do nosso tempo parecem se organizar…” – O trecho destacado (provavelmente sublinhado na prova) é “do nosso tempo”, adjunto adnominal que modifica “conflitos”, núcleo do sujeito. ✅

  • Alternativa D: “... e o papel do Irã como potência revisionista permanece um ponto de fricção...” – O adjunto adnominal “do Irã” modifica “papel”, mas a expressão “como potência revisionista” é um predicativo do sujeito, não adjunto. Além disso, a banca provavelmente não destacou corretamente o adjunto (não há indicação de destaque). ❌

  • Alternativa E: “Estados, milícias, cartéis e proxies recorrem à força...” – O sujeito é composto (múltiplos núcleos), não há adjunto adnominal destacado modificando um único núcleo. ❌

Conclusão

A única alternativa que atende integralmente aos dois requisitos é a B. No primeiro trecho, sujeito simples “A guerra de atrito na Ucrânia” + predicado verbal “continua a consumir”. No segundo trecho, adjunto adnominal “do nosso tempo” (destacado) modificando “conflitos”, núcleo do sujeito.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

Gabarito: letra B.

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