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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2026

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu116388
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Os tambores da guerra

    O ano de 2026 provavelmente não será lembrado como o ano em que o mundo entrou em guerra, mas talvez o seja como aquele em que a guerra deixou de causar espanto. O perigo maior não é a eclosão de um conflito específico, e sim a naturalização da violência como método recorrente de governo, coerção e ordenamento global. O mundo pode não estar à beira de uma Terceira Guerra Mundial – embora esteja mais próximo do que nunca –, mas parece ter se acomodado a um estado de tensão permanente.
    A guerra de atrito na Ucrânia continua a consumir homens e munições – com Moscou testando os nervos da Otan por meios híbridos, de sabotagens a violações de espaço aéreo. No Oriente Médio, o cessar-fogo em Gaza não eliminou a instabilidade regional: a pressão sobre a Cisjordânia cresce, a ajuda segue politizada, e o papel do Irã como potência revisionista permanece um ponto de fricção, com repercussões sobre Israel, o Golfo e rotas marítimas. Na África, o Sahel virou laboratório de jihadismo e colapso estatal, enquanto o Sudão, sob disputa de potências regionais, permanece como moedor de gente e usina de refugiados. Mesmo fora de zonas clássicas de guerra, a violência organizada avança: no México, no Brasil e em outras partes da América Latina, a sofisticação de narcomilícias e as disputas intestinas transformam cidades em frentes de batalha.
    O que chama a atenção não é só a quantidade de guerras, mas a sua duração, sua fragmentação e a relativa indiferença que despertam. Estados, milícias, cartéis e proxies recorrem à força não como último recurso, mas como instrumento regular de política. A violência deixou de ser exceção; tornou-se linha de base.
    Essa proliferação desafia leituras simplistas. Os conflitos do nosso tempo parecem se organizar não tanto segundo choques claros entre civilizações, como vaticinou Samuel Huntington, mas dentro de mundos culturais, religiosos ou políticos aparentados – conflitos contra o “desvio”: o vizinho que escolheu outro caminho, o aliado que virou herege, o “inimigo interno”. Isso ajuda a explicar alianças paradoxais, antagonismos internos e a fluidez desconcertante do sistema internacional atual, do Mar Negro ao Mar do Sul da China, passando pela aliança atlântica.
    Um mundo que se acostuma à guerra é um mundo mais vulnerável ao erro irreversível. É isso – mais do que qualquer confronto isolado – que deveria concentrar a atenção de governos, alianças e sociedades no ano que começa.


(O Estado de S.Paulo, Editorial, 03.01.2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o emprego dos verbos e dos pronomes está em conformidade com a norma-padrão.
  1. AMéxico, Brasil e outras partes da América Latina vêm as suas cidades à mercê da sofisticação de narcomilícias e das disputas intestinas, que convertem elas em frentes de batalha.
  2. BA atenção de governos, alianças e sociedades no ano que começa deveria concentrar-se nos possíveis erros irreversíveis desse mundo acostumado à guerra, tentando, assim, evitar-lhes.
  3. CNo Oriente Médio, ainda que se tenha pedido o cessar-fogo em Gaza, permanece a instabilidade regional, expondo as pessoas à violência, a qual frequentemente lhes retira a vida.
  4. DProvavelmente o ano de 2026 não será lembrado pelas pessoas como o ano em que o mundo entrou em guerra, mas talvez lhe veem como aquele em que a guerra deixou de causar espanto.
  5. EQuando fazermos uma reflexão sobre os conflitos do nosso tempo, vamos entendê-los não tanto como choques claros entre civilizações, mas como conflitos decorrentes do “desvio”.
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GabaritoC — No Oriente Médio, ainda que se tenha pedido o cessar-fogo em Gaza, permanece a instabilidade regional, expondo as pessoas à violência, a qual frequentemente lhes retira a vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego de verbos e pronomes – norma-padrão

Gabarito: letra C. A única alternativa que respeita integralmente a norma-padrão quanto ao uso de pronomes oblíquos e à conjugação verbal é a C. O erro mais comum nas demais é o emprego do pronome oblíquo lhe (objeto indireto) onde se exige o/a (objeto direto), ou a forma verbal incorreta do futuro do subjuntivo (fazermos no lugar de fizermos).

Critério

Alternativa A

Alternativa B

Alternativa C (✅)

Alternativa D

Alternativa E

Verbo transitivo direto?

Sim (converter)

Sim (evitar)

Sim (retirar — VTDI)

Sim (ver)

Pronome usado

elas (reto)

lhes (oblíquo indireto)

lhes (oblíquo indireto)

lhe (oblíquo indireto)

Pronome correto

as / -nas

os / -los

lhes (correto)

o

Erro

Reto como objeto direto

lhe como objeto direto

Nenhum

lhe como objeto direto

Verbo no futuro do subjuntivo

fazermos (errado: fizermos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"que convertem elas em frentes de batalha"

O verbo converter é transitivo direto; o pronome que substitui o objeto direto (as cidades) deve ser as (ou -nas após verbo terminado em M). O uso de elas (pronome pessoal reto com função de objeto) é inadmissível na norma-padrão. O correto seria: convertem-nas ou as convertem.

Erro: troca de pronome pessoal reto por oblíquo átono.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"tentando, assim, evitar-lhes"

O verbo evitar é transitivo direto (evitar algo). O pronome que retoma erros irreversíveis deve ser os (evitá-los). Lhe é usado exclusivamente para objeto indireto (a alguém). O correto seria: evitá-los.

Erro: uso de lhe como objeto direto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"a qual frequentemente lhes retira a vida"

O verbo retirar é transitivo direto e indireto: retirar algo (a vida) de alguém. O pronome lhes cumpre a função de objeto indireto (a elas = às pessoas). A construção está perfeita: retira-lhes a vida (retira a vida delas). Todos os demais verbos e pronomes estão empregados conforme a norma.

Acerto: uso correto de lhe como objeto indireto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"mas talvez lhe veem como aquele"

O verbo ver é transitivo direto; o pronome que retoma o ano deve ser o (objeto direto). Além disso, veem está no plural, mas o sujeito implícito (as pessoas) é plural, o que é aceitável, mas o pronome está errado. O correto seria: mas talvez o vejam (ou o veem).

Erro: uso de lhe com verbo transitivo direto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Quando fazermos uma reflexão"

Após a conjunção quando, exige-se o futuro do subjuntivo: fizermos. A forma fazermos é infinitivo pessoal, inadequado nesse contexto. O correto seria: Quando fizermos uma reflexão....

Erro: conjugação no futuro do subjuntivo.


NÃO CAIA NESSA!

A banca testa a distinção entre objeto direto e indireto no uso dos pronomes o/a e lhe, e a conjugação do futuro do subjuntivo. Memorize: lhe só com verbos que pedem a alguém; verbos como evitar, ver, converter são TD e pedem o/a.

Gabarito: letra C.

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