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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu116389
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Os tambores da guerra

    O ano de 2026 provavelmente não será lembrado como o ano em que o mundo entrou em guerra, mas talvez o seja como aquele em que a guerra deixou de causar espanto. O perigo maior não é a eclosão de um conflito específico, e sim a naturalização da violência como método recorrente de governo, coerção e ordenamento global. O mundo pode não estar à beira de uma Terceira Guerra Mundial – embora esteja mais próximo do que nunca –, mas parece ter se acomodado a um estado de tensão permanente.
    A guerra de atrito na Ucrânia continua a consumir homens e munições – com Moscou testando os nervos da Otan por meios híbridos, de sabotagens a violações de espaço aéreo. No Oriente Médio, o cessar-fogo em Gaza não eliminou a instabilidade regional: a pressão sobre a Cisjordânia cresce, a ajuda segue politizada, e o papel do Irã como potência revisionista permanece um ponto de fricção, com repercussões sobre Israel, o Golfo e rotas marítimas. Na África, o Sahel virou laboratório de jihadismo e colapso estatal, enquanto o Sudão, sob disputa de potências regionais, permanece como moedor de gente e usina de refugiados. Mesmo fora de zonas clássicas de guerra, a violência organizada avança: no México, no Brasil e em outras partes da América Latina, a sofisticação de narcomilícias e as disputas intestinas transformam cidades em frentes de batalha.
    O que chama a atenção não é só a quantidade de guerras, mas a sua duração, sua fragmentação e a relativa indiferença que despertam. Estados, milícias, cartéis e proxies recorrem à força não como último recurso, mas como instrumento regular de política. A violência deixou de ser exceção; tornou-se linha de base.
    Essa proliferação desafia leituras simplistas. Os conflitos do nosso tempo parecem se organizar não tanto segundo choques claros entre civilizações, como vaticinou Samuel Huntington, mas dentro de mundos culturais, religiosos ou políticos aparentados – conflitos contra o “desvio”: o vizinho que escolheu outro caminho, o aliado que virou herege, o “inimigo interno”. Isso ajuda a explicar alianças paradoxais, antagonismos internos e a fluidez desconcertante do sistema internacional atual, do Mar Negro ao Mar do Sul da China, passando pela aliança atlântica.
    Um mundo que se acostuma à guerra é um mundo mais vulnerável ao erro irreversível. É isso – mais do que qualquer confronto isolado – que deveria concentrar a atenção de governos, alianças e sociedades no ano que começa.


(O Estado de S.Paulo, Editorial, 03.01.2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)
O título do texto (“Os tambores da guerra”) e a passagem “Isso ajuda a explicar alianças paradoxais, antagonismos internos e a fluidez desconcertante do sistema internacional atual, do Mar Negro ao Mar do Sul da China, passando pela aliança atlântica.” (4º parágrafo) permitem, correta e respectivamente, as seguintes interpretações:
  1. Aa indiferença das pessoas destaca a perda da importância da guerra no mundo atual; o anseio pela guerra cada vez mais diminui territorialmente, sinalizando dias tranquilos.
  2. Ba intermitência da guerra, conflitando com desejos da maior parte do povo da Terra; a guerra tomou quase todo o planeta, mas muitas pessoas ainda não a sentem, pois ela está só começando.
  3. Ca iminência de uma guerra, em um momento em que escasseiam os recursos dos países ricos; o caminho para a paz inexiste em parte expressiva do planeta, por mais que as relações políticas a busquem.
  4. Da presença da guerra, sinalizando a sua manutenção no cotidiano ao longo do tempo; as dissensões entre nações e as distorções de relações entre elas estão presentes ao redor do globo.
  5. Ea perenidade da guerra, mesmo que muitas nações que lutam digam preferir manter a paz; os conflitos atuais são restritos geograficamente e têm pouca relevância, por isso as pessoas os ignoram.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a presença da guerra, sinalizando a sua manutenção no cotidiano ao longo do tempo; as dissensões entre nações e as distorções de relações entre elas estão presentes ao redor do globo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Título e passagem – interpretação correta

Gabarito: letra D. A alternativa D interpreta o título “Os tambores da guerra” como sinal de presença da guerra (e não iminência ou intermitência) e a passagem do 4º parágrafo como indicativa de dissensões e distorções globais, em perfeita sintonia com o texto.

Como se prova?

  • Título: “tambores da guerra” é expressão metafórica que remete ao som que anuncia a guerra já em andamento ou constante. O editorial afirma que “a violência deixou de ser exceção; tornou-se linha de base” (3º parágrafo) e que “o mundo parece ter se acomodado a um estado de tensão permanente” (1º parágrafo). Portanto, guerra presente e mantida no cotidiano.

  • Passagem: O trecho citado explica que os conflitos atuais se dão “dentro de mundos culturais, religiosos ou políticos aparentados”, gerando “alianças paradoxais, antagonismos internos e fluidez desconcertante”. A enumeração geográfica (“do Mar Negro ao Mar do Sul da China, passando pela aliança atlântica”) mostra que essas dissensões e distorções estão presentes ao redor do globo, não restritas a uma região.

Análise das alternativas:

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que “a indiferença das pessoas destaca a perda da importância da guerra” e que “o anseio pela guerra diminui territorialmente, sinalizando dias tranquilos”. O texto mostra o oposto: a guerra é naturalizada, não perde importância; e a violência está disseminada, não diminuindo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que “a guerra tomou quase todo o planeta, mas muitas pessoas ainda não a sentem, pois ela está só começando”. O texto afirma que “a guerra deixou de causar espanto” e que “a violência tornou-se linha de base”, ou seja, ela já é sentida e não está só começando; está em andamento há tempo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Interpreta o título como “iminência de uma guerra” e acrescenta “escasseiam os recursos dos países ricos”, ideia não presente no texto. O editorial fala em guerra já existente, não iminente; e não menciona escassez de recursos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“a presença da guerra, sinalizando a sua manutenção no cotidiano ao longo do tempo; as dissensões entre nações e as distorções de relações entre elas estão presentes ao redor do globo.”

Perfeita paráfrase: o título sugere guerra constante; a passagem menciona alianças paradoxais e antagonismos (dissensões) espalhados globalmente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que “os conflitos atuais são restritos geograficamente e têm pouca relevância”. O texto cita várias regiões (Ucrânia, Oriente Médio, Sahel, Sudão, América Latina), mostrando abrangência global; e a relevância é enfatizada: “o perigo maior é a naturalização da violência”.

Conclusão: somente a letra D capta o sentido do título (guerra presente e cotidiana) e da passagem (dissensões globais).

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