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Questão de Direito Penal — Legislação Penal Especial — VUNESP 2026

Direito PenalLegislação Penal Especial
Código
vu116481
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Assinale a alternativa correta.
  1. ACarlos é proprietário de uma boate situada em área de uso misto. Após meses de funcionamento e reiteradas reclamações de moradores da vizinhança, no sentido de que o volume excessivo do som, especialmente em dias de festa, lhes causava perturbação do sossego, estresse e insônia, a Polícia compareceu ao local e constatou a emissão de ruídos acima dos limites legalmente permitidos para a região. A conduta praticada por Carlos subsume-se ao tipo penal previsto no art. 42 da LCP, sendo cabível, no caso, a aplicação do benefício da transação penal.
  2. BLúcio, sócio-administrador da empresa Luciomar Comercial Ltda., reduziu artificialmente o pagamento de ICMS em 2016. Em 2020 o crédito tributário foi definitivamente constituído pelo Fisco. Caso a empresa seja formalmente extinta e Lúcio ajuíze uma ação anulatória para questionar a validade do lançamento tributário, o inquérito policial instaurado para apurar o crime contra a ordem tributária (art. 1º da Lei nº 8.137/1990) deverá ser obrigatoriamente suspenso, uma vez que a pendência de discussão judicial sobre a validade do débito impede o prosseguimento da persecução penal.
  3. CEm regular cumprimento de mandando de busca e apreensão expedido para a apuração do crime de tráfico de drogas na residência de Letícia, não foi encontrada prova alguma da prática da traficância. Todavia, foi apreendida uma pistola Taurus .380, registrada em seu nome, cujo certificado estava expirado há aproximadamente 1 ano. Diante disso, Letícia deverá responder exclusivamente pelo crime de posse de arma de uso permitido.
  4. DJoão comparece reiteradamente na saída do Colégio Santa Helena com o propósito de filmar adolescentes em seus uniformes, focando deliberadamente em suas regiões genitais, para fins de satisfação sexual. Sua conduta caracteriza o crime de produção de cena pornográfica, previsto no art. 240 do ECA, cuja pena é de 4 a 8 anos de reclusão.
  5. EAmanda, visando evitar multas de trânsito durante uma viagem de fim de semana, decide utilizar fita adesiva preta para transformar o número “3” em um “8” na placa de seu automóvel. Consoante o entendimento mais recente do STJ, a conduta de Amanda é considerada atípica, uma vez que a adulteração do sinal identificador do veículo ocorreu de forma precária e temporária.
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GabaritoD — João comparece reiteradamente na saída do Colégio Santa Helena com o propósito de filmar adolescentes em seus uniformes, focando deliberadamente em suas regiões genitais, para fins de satisfação sexual. Sua conduta caracteriza o crime de produção de cena pornográfica, previsto no art. 240 do ECA, cuja pena é de 4 a 8 anos de reclusão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Legislação Penal Especial

Gabarito: letra D. A conduta de João — filmar adolescentes em uniforme, focando nas regiões genitais para satisfação sexual — enquadra-se perfeitamente no crime de produção de cena pornográfica envolvendo adolescente (art. 240 do ECA), que prevê pena de 4 a 8 anos de reclusão. As demais alternativas apresentam erros de tipificação, processuais ou jurisprudenciais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A conduta de Carlos (ruído excessivo) é contravenção penal (art. 42 da LCP), mas o benefício da transação penal, previsto na Lei 9.099/95, é cabível para infrações penais de menor potencial ofensivo, incluindo contravenções (art. 61 da Lei 9.099/95). Contudo, a afirmação de que "é cabível" no caso concreto não é automática: a transação penal depende de preenchimento de requisitos subjetivos e da proposta do Ministério Público, e não é um direito automático do agente. A alternativa sugere que o benefício é aplicável como regra, o que é impreciso. Além disso, a banca considera a alternativa incorreta, provavelmente por entender que o ruído excessivo pode configurar crime ambiental, e não apenas contravenção, mas o enunciado limita-se à LCP. De todo modo, o gabarito oficial aponta erro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A redução artificial de ICMS configura crime contra a ordem tributária (art. 1º da Lei 8.137/90). A pendência de ação anulatória do lançamento tributário não suspende obrigatoriamente o inquérito policial ou a ação penal, conforme jurisprudência consolidada do STF e STJ (o crime independe da discussão administrativa ou judicial do crédito, desde que constituído definitivamente). A extinção da empresa também não extingue a responsabilidade penal dos sócios-administradores. Portanto, a afirmação de que o inquérito deve ser "obrigatoriamente suspenso" é falsa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No caso de Letícia, a busca resultou apenas em arma de fogo com certificado expirado. O crime de posse de arma de uso permitido (art. 12 da Lei 10.826/2003) exige que a arma esteja sem registro ou com registro vencido? O mero vencimento do certificado de registro não configura crime, segundo entendimento do STJ (a posse de arma registrada em nome do agente, mesmo com certificado vencido, é atípica, tratando-se de mera irregularidade administrativa). Portanto, Letícia não deveria responder por crime algum, e não "exclusivamente" pelo crime de posse. Logo, a alternativa erra.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

João, reiteradamente, filma adolescentes (menores de 18 e maiores de 12 anos) na saída da escola, focando nas regiões genitais, com finalidade de satisfação sexual. A conduta se subsume ao art. 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que define como crime "produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente". A pena é de reclusão de 4 a 8 anos. O ato de filmar as partes íntimas com intuito libidinoso enquadra-se como produção de cena pornográfica, pois a cena registrada é de conotação sexual. Portanto, a alternativa está integralmente correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A Súmula 501 do STJ afirma que "é atípica a conduta de alterar a placa de veículo automotor de forma precária e temporária, sem o intuito de praticar crime de receptação ou de adulteração de sinal identificador de veículo automotor". Amanda altera a placa para evitar multas, o que configura intuito fraudulento (evitar a fiscalização). Esse intuito não se enquadra na exceção da súmula, pois a finalidade de fraudar a fiscalização de trânsito pode configurar crime de falsificação de documento (art. 297 do CP) ou outra fraude. Portanto, a conduta não é atípica, e a alternativa erra ao afirmar o contrário.

Gabarito: letra D.

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