Lei Maria da Penha — Aplicação e entendimento do STJ
Gabarito: letra E. A alternativa correta é a letra E, pois a Lei Maria da Penha veda expressamente a aplicação isolada da pena de multa, mesmo quando o crime em tese a admita como sanção autônoma. Segundo o entendimento consolidado do STJ, em crimes de violência doméstica contra a mulher, é proibida a substituição da pena privativa de liberdade por multa isolada, em respeito à proteção integral da vítima.
A questão explora a correta interpretação da Lei nº 11.340/2006 e da jurisprudência do STJ. Vamos analisar cada alternativa:
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as medidas protetivas devem ser submetidas a prazo obrigatório de revisão periódica com garantia de contraditório. O art. 19, §1º da Lei Maria da Penha dispõe que as medidas podem ser concedidas de imediato, independentemente de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público. Além disso, o §6º estabelece que elas vigoram enquanto persistir o risco, sem previsão de revisão periódica obrigatória. Não há exigência de contraditório prévio para sua concessão ou manutenção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sustenta que a agravante do art. 61, II, “f”, do CP se aplica a todas as contravenções penais. O art. 12 do CP determina a aplicação das regras gerais aos fatos incriminados por lei especial, mas as contravenções penais são regidas pela Lei de Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/1941), que possui sistemática própria. O STJ, no Tema 1333, não consolidou esse entendimento ampliativo; a agravante é restrita aos crimes, não se estendendo automaticamente a todas as contravenções.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma ser indispensável a realização de instrução probatória específica para fixação de valor mínimo de reparação de danos morais. Todavia, o STJ entende que o juiz pode fixar esse valor com base nos elementos já dos autos, sem necessidade de instrução complementar, desde que mínimo e proporcional. A exigência de pedido expresso também não é requisito absoluto, podendo o juiz, de ofício, arbitrar valor mínimo, conforme a Lei Maria da Penha e a jurisprudência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sustenta que a vítima não tem legitimidade para recorrer de decisões sobre medidas protetivas. O art. 271 do CPP limita a atuação do assistente de acusação, mas a Lei Maria da Penha confere à vítima legitimidade autônoma para recorrer de decisões que indeferem ou revogam medidas protetivas, conforme consolidado pelo STJ (HC 184.654/SP e outros).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Lei Maria da Penha, em seu art. 17, veda a aplicação de penas de cesta básica ou outras prestações pecuniárias, bem como a substituição da pena que comporte o pagamento isolado de multa. Essa proibição é absoluta, impedindo que o juiz aplique apenas a multa mesmo quando o crime (ex.: ameaça) preveja essa sanção de forma alternativa. O STJ reitera esse entendimento em diversos julgados.
Gabarito: letra E – a única alternativa correta.