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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166374
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SC
Ano
2026
Cargo
Prom Jus ( )

O Botafogo continua a ser o rendez-vous* da sociedade elegante desta corte.

 

As tardes não têm sido tão lindas como deviam; mas felizmente aí vem o mês de maio, o mês das flores, da poesia, a verdadeira primavera da nossa terra.

 

Começa a estação dos bailes e dos saraus. O Campestre dá a sua primeira partida por estes dias; o Cassino nos promete uma bela noite antes do fim do mês.

 

Teremos naturalmente, como nos anos passados, uma febre dançante. Ninguém escapará à epidemia; e até alguns malévolos espalham que o próprio ministério fará uma contradança.

 

Venha, pois, o mês gentil, a estação das flores, com as suas belas tardes, com as suas lindas manhãs de cerração, com os seus dias puros e frescos!

 

Quanta coisa bonita que se prepara este tempo! Que belas noites, que alegres divertimentos nos promete ainda o arrabalde do Botafogo!

 

Uma regata, um baile popular, e um fogo de artifício suspenso sobre as águas límpidas da baía! Que magnífico espetáculo!

 

A minha pena, coitadinha, já está tremendo de susto, só com a ideia de que há de ser obrigada a descrever todas essas maravilhas! Que se arranje como puder; é coisa que bem pouco me embaraça.

 

Além destes encantadores divertimentos, ainda teremos outros que por ora estão em segredo, e que se revelarão a seu tempo; assim como muita novidade política que se está guardando para a abertura das câmaras.

 

Que novidades são estas? Não sei; correm tantas versões, que é impossível acertar com a verdadeira. Cada um descreve a situação à sua maneira, forma conjeturas, e acaba fazendo uma pergunta que está no pensamento de todos:

 

– Haverá oposição?

 

Entretanto, na minha fraca opinião, a situação é a mais bela e a mais esperançosa que é possível. Navegamos num mar de rosas ao sopro das brisas bonançosas; faz um tempo soberbo: tudo sorri, tudo brilha.

 

E, se não, lancem os olhos sobre a atualidade e estudem com atenção os prognósticos favoráveis que vão aparecendo

 

(José de Alencar, Ao correr da pena. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/)

As informações presentes em “A minha pena, coitadinha, já está tremendo de susto, só com a ideia de que há de ser obrigada a descrever todas essas maravilhas! Que se arranje como puder; é coisa que bem pouco me embaraça.” Permitem concluir corretamente que o cronista faz:
  1. Auma explicação bem-humorada para demonstrar o seu interesse em escrever sobre os bailes e saraus que estão prestes a acontecer, pontuando a incipiência de sua arte.
  2. Buma reflexão sobre a sua escrita para reforçar a ideia de que terá muito trabalho em razão dos bailes e saraus de maio, para o qual reconhece que não lhe falta competência.
  3. Cum comentário jocoso relativo à sua capacidade de escrever, que reconhece como tímida quando comparada à grandiosidade representada pelos bailes e saraus.
  4. Duma advertência subliminar para sugestionar que os bailes e saraus de maio são ocasiões de menor relevância social, com as quais não pretende gastar sua criatividade.
  5. Eum questionamento superficial sobre o alcance social dos bailes e saraus, já que ele se declara incapaz de avaliar o impacto desses eventos para a vida dos cidadãos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — uma reflexão sobre a sua escrita para reforçar a ideia de que terá muito trabalho em razão dos bailes e saraus de maio, para o qual reconhece que não lhe falta competência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A ironia do cronista sobre a própria escrita

Gabarito: letra B. O trecho citado revela uma reflexão bem-humorada do cronista sobre o próprio ofício: ele reconhece que terá muito trabalho para descrever os bailes e saraus de maio, mas, ao mesmo tempo, afirma que isso "bem pouco me embaraça", ou seja, não lhe falta competência para a tarefa. A passagem que ancora essa leitura é a declaração final: "Que se arranje como puder; é coisa que bem pouco me embaraça." — o que demonstra segurança, e não timidez ou desinteresse.

O comando pede uma conclusão a partir das informações do trecho, ou seja, uma inferência ancorada em pistas textuais. Não se trata de localizar uma informação literal, mas de depreender a atitude do cronista diante do próprio trabalho de escrever. A chave está em perceber o tom irônico e autodepreciativo da expressão "A minha pena, coitadinha, já está tremendo de susto" — a pena (metonímia do ato de escrever) é personificada como algo frágil e assustado, mas logo em seguida o autor revela que isso não o preocupa de fato.

O texto de José de Alencar é uma crônica que celebra a chegada de maio e os divertimentos da corte. O trecho em questão funciona como uma pausa metalinguística: o cronista comenta o próprio texto que está escrevendo. A expressão "Que se arranje como puder" é uma forma coloquial de dizer "que se vire", indicando que, apesar do susto fingido, ele não teme o desafio. A oração "é coisa que bem pouco me embaraça" é decisiva: "embaraçar" aqui significa "atrapalhar, causar dificuldade", e o advérbio "bem pouco" reforça que a tarefa não o intimida.

A armadilha central desta questão é a troca de sentido: as alternativas A, C e D interpretam a fala como sinal de insegurança ou desprezo, quando o texto indica exatamente o oposto — confiança na própria capacidade. A banca explora a tendência de o candidato ler "tremendo de susto" de forma literal, ignorando o contexto irônico e a conclusão explícita do trecho. A alternativa B é a única que capta essa dupla camada: reconhece o trabalho ("terá muito trabalho") e a competência ("não lhe falta competência").

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a ironia do trecho. O candidato que lê "tremendo de susto" literalmente cai nas alternativas A, C ou D, que falam em timidez, interesse ou desprezo. Mas o texto se resolve na última frase: "é coisa que bem pouco me embaraça" — ou seja, não há susto real, há segurança.

1Tom irônico e autodepreciativo
"Pena tremendo de susto" (hipérbole)
2Conclusão real
"Bem pouco me embaraça"
Segurança na própria capacidade
3Dupla camada
Reconhece o trabalho
Afirma a competência
Atitude do cronista
LEVELsoulevel.com.br
Atitude do cronista: Tom irônico e autodepreciativo ("Pena tremendo de susto" (hipérbole)); Conclusão real ("Bem pouco me embaraça", Segurança na própria capacidade); Dupla camada (Reconhece o trabalho, Afirma a competência)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o cronista demonstra "interesse em escrever" e pontua a "incipiência de sua arte". O trecho não fala em interesse — fala em obrigação ("há de ser obrigada a descrever"). E "incipiência" (falta de experiência) contradiz a segurança expressa em "bem pouco me embaraça". Erro: contradiz o texto — inverte o sentido da conclusão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa capta a dupla camada do trecho: (1) o reconhecimento do trabalho — "há de ser obrigada a descrever todas essas maravilhas" — e (2) a confiança na própria capacidade — "é coisa que bem pouco me embaraça". O tom é de reflexão bem-humorada sobre a escrita, não de medo real. A passagem "Que se arranje como puder" reforça o descompromisso com o susto fingido. Correta: paráfrase fiel do sentido global.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "comentário jocoso" (correto) mas afirma que o cronista reconhece sua capacidade como "tímida quando comparada à grandiosidade". O texto não faz essa comparação de grandiosidade, e a conclusão é oposta: ele não se sente tímido, pois "bem pouco me embaraça". Erro: extrapolação — acrescenta a ideia de comparação com a grandiosidade, que não está no trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "advertência subliminar" e "menor relevância social" dos bailes. O texto não contém nenhuma crítica social nem sugestão de que os eventos sejam irrelevantes — pelo contrário, o cronista os chama de "maravilhas" e "magnífico espetáculo". Erro: contradiz o texto — inverte o tom elogioso do cronista em relação aos divertimentos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "questionamento superficial sobre o alcance social" e "incapacidade de avaliar o impacto". O trecho não questiona nada — ele comenta a própria escrita. A ideia de "incapacidade" contradiz "bem pouco me embaraça". Erro: fuga ao tema — aborda uma preocupação social que não existe no trecho.

Conclusão: a questão testa a capacidade de ler a ironia e o contexto. A expressão "tremendo de susto" é uma hipérbole bem-humorada, desmentida pela conclusão "bem pouco me embaraça". A alternativa B é a única que mantém as duas ideias: o trabalho reconhecido e a competência afirmada. Gabarito: letra B.

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