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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166377
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SC
Ano
2026
Cargo
Prom Jus ( )

Os tambores da guerra

 

O ano de 2026 provavelmente não será lembrado como o ano em que o mundo entrou em guerra, mas talvez o seja como aquele em que a guerra deixou de causar espanto. O perigo maior não é a eclosão de um conflito específico, e sim a naturalização da violência como método recorrente de governo, coerção e ordenamento global. O mundo pode não estar à beira de uma Terceira Guerra Mundial – embora esteja mais próximo do que nunca –, mas parece ter se acomodado a um estado de tensão permanente.

 

A guerra de atrito na Ucrânia continua a consumir homens e munições – com Moscou testando os nervos da Otan por meios híbridos, de sabotagens a violações de espaço aéreo. No Oriente Médio, o cessar-fogo em Gaza não eliminou a instabilidade regional: a pressão sobre a Cisjordânia cresce, a ajuda segue politizada, e o papel do Irã como potência revisionista permanece um ponto de fricção, com repercussões sobre Israel, o Golfo e rotas marítimas. Na África, o Sahel virou laboratório de jihadismo e colapso estatal, enquanto o Sudão, sob disputa de potências regionais, permanece como moedor de gente e usina de refugiados. Mesmo fora de zonas clássicas de guerra, a violência organizada avança: no México, no Brasil e em outras partes da América Latina, a sofisticação de narcomilícias e as disputas intestinas transformam cidades em frentes de batalha.

 

O que chama a atenção não é só a quantidade de guerras, mas a sua duração, sua fragmentação e a relativa indiferença que despertam. Estados, milícias, cartéis e proxies recorrem à força não como último recurso, mas como instrumento regular de política. A violência deixou de ser exceção; tornou-se linha de base.

 

Essa proliferação desafia leituras simplistas. Os conflitos do nosso tempo parecem se organizar não tanto segundo choques claros entre civilizações, como vaticinou Samuel Huntington, mas dentro de mundos culturais, religiosos ou políticos aparentados – conflitos contra o “desvio”: o vizinho que escolheu outro caminho, o aliado que virou herege, o “inimigo interno”. Isso ajuda a explicar alianças paradoxais, antagonismos internos e a fluidez desconcertante do sistema internacional atual, do Mar Negro ao Mar do Sul da China, passando pela aliança atlântica.

 

Um mundo que se acostuma à guerra é um mundo mais vulnerável ao erro irreversível. É isso – mais do que qualquer confronto isolado – que deveria concentrar a atenção de governos, alianças e sociedades no ano que começa.

 

(O Estado de S.Paulo, Editorial, 03.01.2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

O título do texto (“Os tambores da guerra”) e a passagem “Isso ajuda a explicar alianças paradoxais, antagonismos internos e a fluidez desconcertante do sistema internacional atual, do Mar Negro ao Mar do Sul da China, passando pela aliança atlântica.” Permitem, correta e respectivamente, as seguintes interpretações:
  1. Aa indiferença das pessoas destaca a perda da importância da guerra no mundo atual; o anseio pela guerra cada vez mais diminui territorialmente, sinalizando dias tranquilos.
  2. Ba intermitência da guerra, conflitando com desejos da maior parte do povo da Terra; a guerra tomou quase todo o planeta, mas muitas pessoas ainda não a sentem, pois ela está só começando.
  3. Ca iminência de uma guerra, em um momento em que escasseiam os recursos dos países ricos; o caminho para a paz inexiste em parte expressiva do planeta, por mais que as relações políticas a busquem.
  4. Da presença da guerra, sinalizando a sua manutenção no cotidiano ao longo do tempo; as dissensões entre nações e as distorções de relações entre elas estão presentes ao redor do globo.
  5. Ea perenidade da guerra, mesmo que muitas nações que lutam digam preferir manter a paz; os conflitos atuais são restritos geograficamente e têm pouca relevância, por isso as pessoas os ignoram.
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GabaritoD — a presença da guerra, sinalizando a sua manutenção no cotidiano ao longo do tempo; as dissensões entre nações e as distorções de relações entre elas estão presentes ao redor do globo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação do título e da passagem sobre conflitos globais

Gabarito: letra D. O título “Os tambores da guerra” e a passagem citada permitem, respectivamente, as interpretações de que a guerra está presente e se mantém no cotidiano ao longo do tempo, e de que as dissensões entre nações e as distorções das relações entre elas estão presentes ao redor do globo. A alternativa D é a única que sintetiza fielmente o que o texto afirma, sem extrapolar ou restringir o alcance das ideias.

O comando pede que se interprete, correta e respectivamente, o título do texto e a passagem destacada. Isso significa que a primeira parte da alternativa deve corresponder ao sentido do título, e a segunda, ao sentido da passagem. É uma questão de compreensão (localizar e parafrasear ideias do texto), não de inferência profunda — a resposta está ancorada em passagens explícitas.

O texto é um editorial que discute a naturalização da violência como método recorrente de governo e ordenamento global. A tese central é que o mundo se acostumou à guerra, que deixou de ser exceção para se tornar "linha de base". O título "Os tambores da guerra" remete a essa presença constante e ameaçadora da guerra, que não é um evento isolado, mas um estado permanente. A passagem citada, por sua vez, descreve a fluidez desconcertante do sistema internacional, marcado por alianças paradoxais e antagonismos internos, do Mar Negro ao Mar do Sul da China, passando pela aliança atlântica — ou seja, as dissensões e distorções nas relações entre nações estão presentes em todo o globo.

A técnica para resolver é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta interpretação, ou ela exige acrescentar algo de fora? A alternativa correta é a que parafraseia o texto sem introduzir ideias novas, sem restringir o alcance e sem contradizer o que está escrito. As demais cometem erros clássicos de interpretação: extrapolam, restringem ou contradizem o texto.

Interpretação de texto
  • 1Título "Os tambores da guerra"
    • Guerra presente e mantida no cotidiano
    • Violência como linha de base
  • 2Passagem citada
    • Alianças paradoxais
    • Antagonismos internos
    • Fluidez do sistema internacional
    • Abrangência global (Mar Negro ao Mar do Sul da China)
  • 3Erros clássicos das demais
    • Extrapolação (ideias de fora do texto)
    • Contradição (inverte o sentido)
    • Restrição (reduz o alcance)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o título sugere "a indiferença das pessoas destaca a perda da importância da guerra no mundo atual". Isso contradiz o texto, que afirma o oposto: a guerra não perdeu importância, mas se tornou "linha de base" e "instrumento regular de política". O texto diz que a violência "deixou de ser exceção; tornou-se linha de base", o que indica aumento da importância, não perda. Além disso, a segunda parte — "o anseio pela guerra cada vez mais diminui territorialmente, sinalizando dias tranquilos" — é uma extrapolação absurda: o texto descreve conflitos em várias regiões (Ucrânia, Oriente Médio, África, América Latina), não uma diminuição territorial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "intermitência da guerra, conflitando com desejos da maior parte do povo da Terra". O texto não menciona desejos da população mundial, e a guerra não é descrita como intermitente, mas como permanente e naturalizada. A segunda parte — "a guerra tomou quase todo o planeta, mas muitas pessoas ainda não a sentem, pois ela está só começando" — é uma extrapolação: o texto não diz que a guerra está "só começando" nem que as pessoas não a sentem. Pelo contrário, o texto afirma que a violência se tornou "linha de base", ou seja, já está enraizada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "iminência de uma guerra, em um momento em que escasseiam os recursos dos países ricos". O texto menciona que o mundo "pode não estar à beira de uma Terceira Guerra Mundial", mas não fala em escassez de recursos dos países ricos — isso é uma extrapolação (informação de fora do texto). A segunda parte — "o caminho para a paz inexiste em parte expressiva do planeta, por mais que as relações políticas a busquem" — também não é sustentada: o texto não diz que o caminho para a paz inexiste, mas que a violência se naturalizou. A alternativa tangencia o tema, mas acrescenta ideias que o texto não aborda.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto. A primeira parte — "a presença da guerra, sinalizando a sua manutenção no cotidiano ao longo do tempo" — corresponde ao título e à tese central do texto. O texto afirma:

"A violência deixou de ser exceção; tornou-se linha de base."

Isso indica que a guerra está presente e se mantém no cotidiano, não como evento isolado, mas como estado permanente. A segunda parte — "as dissensões entre nações e as distorções de relações entre elas estão presentes ao redor do globo" — corresponde à passagem citada, que descreve "alianças paradoxais, antagonismos internos e a fluidez desconcertante do sistema internacional atual, do Mar Negro ao Mar do Sul da China, passando pela aliança atlântica". A expressão "do Mar Negro ao Mar do Sul da China" indica abrangência global das dissensões e distorções. A alternativa parafraseia fielmente o texto, sem acrescentar ou restringir.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "perenidade da guerra, mesmo que muitas nações que lutam digam preferir manter a paz". O texto não menciona que nações que lutam dizem preferir a paz — isso é uma extrapolação. A segunda parte — "os conflitos atuais são restritos geograficamente e têm pouca relevância, por isso as pessoas os ignoram" — contradiz o texto, que descreve conflitos em várias regiões do mundo (Ucrânia, Oriente Médio, África, América Latina) e afirma que a violência se tornou "linha de base", ou seja, tem grande relevância. A alternativa inverte o sentido do texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação e a contradição. Alternativas como A, C e E acrescentam ideias que não estão no texto (escassez de recursos, desejos da população, nações que preferem a paz) ou invertem o sentido (guerra perde importância, conflitos restritos). A correta é a que parafraseia o texto sem introduzir nada de fora.

PEGA ESSA DICA!

Ao interpretar um título, pergunte: qual é a tese do texto? O título geralmente a resume. E ao interpretar uma passagem, volte ao texto e verifique se a alternativa parafraseia ou acrescenta informação. Se acrescenta, está errada.

Gabarito: letra D.

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