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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu166520
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SP
Ano
2026
Cargo
AuxP

Irresponsabilidade que mata crianças

 

Pela primeira vez no século 21, o número de crianças que morrem antes de completar 5 anos de idade deve aumentar, em vez de diminuir. De acordo com um relatório da Fundação Gates, a mortalidade infantil deve atingir 4,8 milhões de crianças em 2025, 200 mil a mais que em 2024.

 

Trágica sob qualquer ponto de vista, a morte de crianças por doenças evitáveis e tratáveis como diarreia, além daquelas que podem ser erradicadas com vacinas, soa como um atestado de falência da humanidade.

 

O principal motivo para que, após anos de quedas consecutivas, as mortes na primeira infância voltem a aumentar é o corte da ajuda internacional oferecida por países ricos. Na segunda passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os EUA, historicamente os maiores doadores de ajuda internacional do mundo, promoveram reduções significativas em programas de assistência global.

 

Embora o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida, países como Reino Unido, Alemanha e França também têm fechado as torneiras para assistência aos países mais necessitados. Segundo o relatório, pelo menos 24 nações de alta renda reduziram suas doações internacionais.

 

O quadro ruim pode tornar-se ainda mais sombrio. Num cenário já contemplado por muitos países, de cortes de cerca de 20% na assistência global à saúde, 12 milhões de mortes adicionais de crianças podem ocorrer até 2045. Caso as reduções com ajuda internacional se intensifiquem para um patamar de 30%, o número de mortes adicionais de crianças pode chegar a 16 milhões até 2045.

 

Evitáveis, as mortes de milhares de crianças exigem compromisso firme tanto com o financiamento de ajuda aos mais necessitados quanto com o combate à desinformação. A humanidade já dispõe de ferramentas para que crianças não morram aos milhares por causas praticamente banais.

 

(O Estado de S.Paulo, “Editorial”, 26.12.2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder a questão seguinte:

 

Considere a passagem “Embora o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida…” (em verde).

 

Sem prejuízo ao sentido original do texto e em conformidade com a norma-padrão, as expressões destacadas devem ser substituídas, na ordem em que aparecem, por:

  1. APor mais que … fosse
  2. BApesar de … ser
  3. CComo … é
  4. DNo entanto … seria
  5. EPortanto … seja
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GabaritoB — Apesar de … ser

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de oração concessiva: "embora" → "apesar de"

Gabarito: letra B. A substituição correta é "Apesar de … ser", pois "embora" e "apesar de" são conectivos concessivos equivalentes, e a forma verbal "ser" (infinitivo) é a única que se ajusta à regência de "apesar de" sem alterar o sentido original. No texto, a passagem "Embora o desmantelamento da Usaid seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida" expressa uma concessão — admite-se um fato (o desmantelamento ser o maior símbolo) para, em seguida, contrapor outro (outros países também reduziram doações). A reescrita com "Apesar de" preserva exatamente essa relação, e o verbo "ser" no infinitivo é a forma exigida pela locução prepositiva "apesar de".

O comando

A questão pede uma substituição de duas expressões destacadas — o conectivo "Embora" e a forma verbal "seja" — sem prejuízo ao sentido original e em conformidade com a norma-padrão. Isso significa que a alternativa correta deve (1) manter o valor semântico de concessão (não pode virar causa, conclusão ou oposição pura) e (2) respeitar a regência e a morfologia exigidas pelo novo conectivo. Não se trata de interpretar o texto, mas de reescrever um trecho com equivalência de sentido e correção gramatical.

O texto e a relação concessiva

No 4º parágrafo, o autor afirma que o desmantelamento da Usaid é o maior símbolo da nova era de cooperação contida, mas apesar disso outros países também reduziram doações. A oração iniciada por "Embora" é uma subordinada adverbial concessiva: ela apresenta um fato que poderia impedir a realização do fato da oração principal, mas não o impede. Veja o trecho:

"Embora o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida, países como Reino Unido, Alemanha e França também têm fechado as torneiras para assistência aos países mais necessitados."

A relação é de concessão: mesmo sendo o maior símbolo, outros países também cortaram ajuda. O conectivo "embora" exige o verbo no subjuntivo ("seja"), mas quando substituímos por "apesar de", a forma verbal passa a ser o infinitivo ("ser"), pois "apesar de" é uma locução prepositiva que rege infinitivo.

A técnica: equivalência entre conectivos concessivos

Os principais conectivos concessivos são: embora, ainda que, mesmo que, conquanto, apesar de, não obstante, se bem que, por mais que. Todos expressam a mesma relação de concessão — um fato que não impede outro. A diferença está na regência:

  • Conjunções concessivas (embora, ainda que, mesmo que) introduzem oração com verbo no subjuntivo.

  • Locuções prepositivas (apesar de, não obstante) introduzem oração com verbo no infinitivo.

Assim, a reescrita correta é:

"Apesar de o desmantelamento da Usaid ser muito provavelmente o maior símbolo..."

Note que "apesar de" pode ser seguido de oração reduzida de infinitivo (com sujeito próprio) ou de substantivo ("apesar do desmantelamento"). No caso, mantém-se a estrutura com sujeito "o desmantelamento" e verbo "ser" no infinitivo.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Por mais que … fosse" — "Por mais que" é um conectivo concessivo, mas exige o verbo no subjuntivo ("seja", "fosse"). A forma "fosse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) altera o tempo verbal do original (presente do subjuntivo "seja"), o que muda o sentido temporal da frase. Além disso, "por mais que" tem um matiz de intensidade ("por mais que seja") que não está presente no original. Portanto, erro de tempo verbal e de matiz semântico.

Alternativa B — ✅ Correta

"Apesar de … ser" — Mantém a relação de concessão e usa a forma infinitiva "ser", exigida pela locução prepositiva "apesar de". O sentido permanece idêntico: mesmo sendo o maior símbolo, outros países também cortaram ajuda. É a única alternativa que preserva o sentido e a norma-padrão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Como … é" — "Como" pode ser causal ("já que") ou comparativo ("assim como"), mas não concessivo. No contexto, "como" introduziria uma causa ("já que o desmantelamento é o maior símbolo..."), o que altera completamente a relação lógica: o original diz que apesar de ser o maior símbolo, outros países cortaram; a reescrita diria que porque é o maior símbolo, outros países cortaram. Erro de valor semântico (causa em vez de concessão).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"No entanto … seria" — "No entanto" é um conectivo adversativo (oposição), usado para ligar orações coordenadas, não subordinadas. Além disso, "seria" (futuro do pretérito) altera o tempo verbal e o modo (indicativo em vez de subjuntivo). A reescrita quebraria a estrutura sintática do período, transformando a subordinada em uma oração independente. Erro de classe de conectivo e de tempo verbal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Portanto … seja" — "Portanto" é um conectivo conclusivo (indica conclusão), não concessivo. Substituir "embora" por "portanto" inverteria a relação lógica: o original diz que apesar de ser o maior símbolo, outros países cortaram; a reescrita diria que por isso outros países cortaram. Além disso, "portanto" não introduz oração subordinada, mas coordenada conclusiva. Erro de valor semântico (conclusão em vez de concessão).

Conclusão

A única alternativa que preserva o sentido de concessão e respeita a norma-padrão é a letra B. Para questões de reescrita, teste cada conectivo perguntando: qual relação lógica ele estabelece? Se a relação mudar (causa, conclusão, oposição), a alternativa está errada. Além disso, verifique a regência do novo conectivo: "apesar de" exige infinitivo, "embora" exige subjuntivo.

PEGA ESSA DICA!

Memorize os conectivos por valor semântico: concessão (embora, apesar de, ainda que), causa (porque, como, já que), conclusão (portanto, logo, então), oposição (mas, porém, no entanto). Na dúvida, substitua mentalmente por "apesar de" e veja se o sentido permanece.

Gabarito: letra B

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