Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — VUNESP 2026
Português›Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
vu166711
Banca
VUNESP
Órgão
CUSC
Ano
2026
Cargo
Vest Med ( )
Para responder à quesão, leia o soneto “Aos que sonham”, de Raul de Leoni, publicado originalmente em 1922 no livro Luz mediterrânea.
Não se pode sonhar impunemente
Um grande sonho pelo mundo afora,
Porque o veneno humano não demora
Em corrompê-lo na íntima semente…
Olhando no alto a árvore excelente,
Que os frutos de ouro esplêndidos enflora,
O Sonhador não vê, e até ignora
A cilada rasteira da Serpente.
Queres sonhar? Defende-te em segredo,
E lembra, a cada instante e a cada dia,
O que sempre acontece e aconteceu:
Prometeu1 e o abutre no rochedo,
O Calvário do Filho de Maria
E a cicuta2 que Sócrates bebeu!
(Raul de Leoni. Luz mediterrânea e outros poemas, 2001.)
1 Prometeu: um dos titãs da mitologia grega, que teria roubado o fogo do Olimpo para dá-lo aos homens (por esse motivo Zeus o castigou, acorrentando-o a um rochedo para que um abutre bicasse permanentemente seu fígado).
2 cicuta: um dos venenos mais letais que existem, usado na Grécia Antiga para executar condenados.
No soneto, o eu lírico dirige-se explicitamente a um interlocutor
Ana segunda e na terceira estrofes.
Bna terceira e na quarta estrofes.
Cna segunda estrofe, apenas.
Dna terceira estrofe, apenas.
Ena primeira e na segunda estrofes.
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GabaritoD — na terceira estrofe, apenas.
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Interlocução no soneto: a quem o eu lírico se dirige
Gabarito: letra D. O eu lírico dirige-se explicitamente a um interlocutor apenas na terceira estrofe, quando usa o verbo no imperativo e o pronome de segunda pessoa: "Queres sonhar? Defende-te em segredo". As demais estrofes são reflexões impessoais (1ª e 2ª) ou exemplos históricos (4ª), sem marcas diretas de interlocução.
O comando pede que você identifique onde há marcas explícitas de interlocução — ou seja, onde o eu lírico se dirige diretamente a um "tu/você". Isso não é uma questão de inferência, mas de localização de pistas linguísticas: pronomes de 2ª pessoa, verbos no imperativo ou vocativos. A resposta mora na superfície do texto, não em deduções.
No soneto, a única estrofe com essas marcas é a terceira:
"Queres sonhar? Defende-te em segredo,\nE lembra, a cada instante e a cada dia,"
O verbo "Queres" (2ª pessoa do presente do indicativo) e os imperativos "Defende-te" e "lembra" (com o pronome oblíquo "te") apontam diretamente para um interlocutor. É a única passagem em que o eu lírico conversa com alguém.
A técnica que decide a questão é simples: procure as marcas de 2ª pessoa. Na 1ª estrofe, o sujeito é indeterminado ("Não se pode sonhar") — não há interlocutor. Na 2ª, o eu lírico fala de "O Sonhador" em 3ª pessoa, como observador. Na 4ª, apenas cita exemplos (Prometeu, Calvário, Sócrates) sem se dirigir a ninguém. Só a 3ª estrofe quebra a impessoalidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "falar sobre alguém" e "falar com alguém". A 2ª estrofe menciona "O Sonhador", mas isso é referência em 3ª pessoa, não interlocução. Interlocução exige marcas de 2ª pessoa (pronomes tu/você, imperativos), que só aparecem na 3ª estrofe.
1Procure marcas de 2ª pessoa
2Pronomes tu/você/te
3Verbos no imperativo
4Vocativos explícitos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"na segunda e na terceira estrofes" — erro de inclusão: a 2ª estrofe não tem interlocução. O trecho "O Sonhador não vê, e até ignora" usa 3ª pessoa ("O Sonhador"), descrevendo-o como objeto de observação, não como destinatário. A alternativa extrapola ao incluir uma estrofe que não contém marcas de 2ª pessoa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"na terceira e na quarta estrofes" — erro de inclusão: a 4ª estrofe é uma lista de exemplos históricos ("Prometeu e o abutre", "O Calvário", "a cicuta") sem qualquer verbo no imperativo ou pronome de 2ª pessoa. O eu lírico cita esses casos, não se dirige a ninguém. A alternativa extrapola ao incluir a 4ª estrofe.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"na segunda estrofe, apenas" — erro de troca: a 2ª estrofe não tem interlocução (fala de "O Sonhador" em 3ª pessoa), e a 3ª, que tem, é excluída. A alternativa contradiz o texto ao apontar a estrofe errada e omitir a correta.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"na terceira estrofe, apenas" — é exatamente o que o texto mostra. A 3ª estrofe tem as únicas marcas de interlocução:
"Queres sonhar? Defende-te em segredo,\nE lembra, a cada instante e a cada dia,"
O verbo "Queres" (2ª pessoa) e os imperativos "Defende-te" e "lembra" (com o pronome "te") comprovam que o eu lírico se dirige diretamente a um interlocutor. Nenhuma outra estrofe apresenta essas marcas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"na primeira e na segunda estrofes" — erro de inclusão e troca: a 1ª estrofe usa sujeito indeterminado ("Não se pode sonhar") e a 2ª fala de "O Sonhador" em 3ª pessoa. Nenhuma das duas tem interlocução. A alternativa contradiz o texto ao apontar estrofes sem marcas de 2ª pessoa e omitir a 3ª.
Conclusão: a questão testa a distinção entre referência em 3ª pessoa (falar sobre) e interlocução em 2ª pessoa (falar com). A única estrofe com pronomes e verbos de 2ª pessoa é a terceira. Para questões assim, grife os verbos no imperativo e os pronomes "te/tu/você" — eles são a prova material da interlocução.