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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166712
Banca
VUNESP
Órgão
CUSC
Ano
2026
Cargo
Vest Med ( )

Para responder à quesão, leia o soneto “Aos que sonham”, de Raul de Leoni, publicado originalmente em 1922 no livro Luz mediterrânea.

 

Não se pode sonhar impunemente

Um grande sonho pelo mundo afora,

Porque o veneno humano não demora

Em corrompê-lo na íntima semente…

 

Olhando no alto a árvore excelente,

Que os frutos de ouro esplêndidos enflora,

O Sonhador não vê, e até ignora

A cilada rasteira da Serpente.

 

Queres sonhar? Defende-te em segredo,

E lembra, a cada instante e a cada dia,

O que sempre acontece e aconteceu:

 

Prometeu1 e o abutre no rochedo,

O Calvário do Filho de Maria

E a cicuta2 que Sócrates bebeu!

 

(Raul de Leoni. Luz mediterrânea e outros poemas, 2001.)

 

1 Prometeu: um dos titãs da mitologia grega, que teria roubado o fogo do Olimpo para dá-lo aos homens (por esse motivo Zeus o castigou, acorrentando-o a um rochedo para que um abutre bicasse permanentemente seu fígado).

 

2 cicuta: um dos venenos mais letais que existem, usado na Grécia Antiga para executar condenados.

O soneto de Raul de Leoni caracteriza-se, sobretudo, pelo seu teor
  1. Anostálgico.
  2. Bsatírico.
  3. Clírico-amoroso.
  4. Dmetalinguístico.
  5. Efilosófico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — filosófico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Teor predominante do soneto: a reflexão filosófica

Gabarito: letra E. O soneto de Raul de Leoni caracteriza-se, sobretudo, pelo teor filosófico, pois o eu lírico reflete sobre a condição humana — a impossibilidade de sonhar sem sofrer as consequências —, como se vê na tese do primeiro quarteto: "Não se pode sonhar impunemente". Essa afirmação universal, seguida de exemplos históricos e mitológicos (Prometeu, Cristo, Sócrates), configura uma meditação sobre a vida, típica da poesia filosófica.

O comando pede que se identifique o teor predominante do texto, ou seja, a característica que mais o define. Não se trata de localizar uma informação explícita, mas de interpretar o conjunto: qual é a intenção central do autor? Para isso, é preciso ler o poema como um todo, captando a tese (a ideia defendida) e os argumentos que a sustentam.

O poema desenvolve uma reflexão universal: sonhar — no sentido de idealizar, aspirar a algo grande — expõe o sonhador a forças que o corrompem. O eu lírico não narra uma história pessoal, não descreve uma cena, não expressa um amor particular; ele medita sobre uma verdade da condição humana. Essa meditação é reforçada pelas referências a Prometeu, ao Calvário e a Sócrates, que funcionam como exemplos históricos de sonhadores punidos. A pergunta retórica "Queres sonhar?" e o conselho "Defende-te em segredo" têm caráter exortativo, mas a base é filosófica: uma constatação sobre o mundo.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? O teor filosófico está ancorado na tese e nos exemplos; os demais teores (nostálgico, satírico, lírico-amoroso, metalinguístico) exigiriam elementos que o texto não apresenta.

Teor predominante do soneto
  • 1Filosófico (gabarito)
    • Tese universal: "não se pode sonhar impunemente"
    • Exemplos históricos: Prometeu, Cristo, Sócrates
    • Meditação sobre a condição humana
  • 2Distratores
    • Nostálgico (saudade — ausente)
    • Satírico (zombaria — ausente)
    • Lírico-amoroso (paixão — ausente)
    • Metalinguístico (fala da própria linguagem — ausente)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O teor nostálgico envolveria saudade, melancolia por um tempo passado ou por algo perdido. O poema não expressa saudade; ele faz uma advertência sobre o presente e o futuro ("Queres sonhar? Defende-te em segredo"). A referência a Prometeu, Cristo e Sócrates não é saudosista, mas exemplar — serve para ilustrar uma tese, não para evocar o passado com nostalgia. Erro: tangenciar — fala de um sentimento que o texto não aborda.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O teor satírico implicaria ridicularizar, zombar de algo ou alguém. O poema não zomba de ninguém; ele alerta o sonhador sobre os perigos. A linguagem é séria, solene, até trágica ("a cilada rasteira da Serpente", "o abutre no rochedo"). Não há ironia nem crítica mordaz. Erro: contradizer o texto — atribui um tom que o poema não tem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O teor lírico-amoroso envolveria a expressão de sentimentos amorosos, geralmente dirigidos a uma pessoa amada. O poema não trata de amor romântico; o "sonho" aqui é metáfora de ideal, aspiração, não de paixão. A palavra "amor" não aparece, e as referências são a figuras que sofreram por seus ideais, não por amores. Erro: troca de conceito — confunde "sonho" (ideal) com "amor".

Alternativa D — ❌ Incorreta

O teor metalinguístico ocorre quando o texto fala sobre a própria linguagem, sobre o ato de escrever ou sobre o poema em si. O soneto não discute a poesia nem a língua; ele discute a vida, o sonho e suas consequências. Não há referência ao fazer poético. Erro: tangenciar — aborda um tema que o texto não toca.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O teor filosófico é o que melhor define o poema. A tese é uma reflexão universal sobre a condição humana: sonhar é perigoso, pois o mundo corrompe os ideais. Os exemplos de Prometeu, Cristo e Sócrates são argumentos que comprovam essa tese, mostrando que os grandes sonhadores foram punidos. O poema não narra, não descreve, não expressa um sentimento particular; ele medita sobre uma verdade da existência. Como se lê no primeiro quarteto:

"Não se pode sonhar impunemente / Um grande sonho pelo mundo afora, / Porque o veneno humano não demora / Em corrompê-lo na íntima semente…"

Essa afirmação categórica, seguida de exemplos históricos, é a marca da poesia filosófica, que busca compreender o sentido da vida e as leis que regem o destino humano.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece distratores que parecem plausíveis (nostálgico, satírico, lírico-amoroso, metalinguístico), mas nenhum deles se sustenta no texto. O candidato que não identifica a tese central acaba escolhendo um teor periférico. Dica: ao pedir o "teor predominante", procure a ideia central — ela costuma estar na introdução ou na conclusão. Aqui, a tese está no primeiro verso: "Não se pode sonhar impunemente".

Gabarito: letra E — o soneto é, sobretudo, filosófico, pois reflete sobre a condição do sonhador diante das forças que corrompem os ideais.

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