Questão de Português — Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva) — VUNESP 2026
Português›Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva)
Código
vu166713
Banca
VUNESP
Órgão
CUSC
Ano
2026
Cargo
Vest Med ( )
Para responder à quesão, leia o soneto “Aos que sonham”, de Raul de Leoni, publicado originalmente em 1922 no livro Luz mediterrânea.
Não se pode sonhar impunemente
Um grande sonho pelo mundo afora,
Porque o veneno humano não demora
Em corrompê-lo na íntima semente…
Olhando no alto a árvore excelente,
Que os frutos de ouro esplêndidos enflora,
O Sonhador não vê, e até ignora
A cilada rasteira da Serpente.
Queres sonhar? Defende-te em segredo,
E lembra, a cada instante e a cada dia,
O que sempre acontece e aconteceu:
Prometeu1 e o abutre no rochedo,
O Calvário do Filho de Maria
E a cicuta2 que Sócrates bebeu!
(Raul de Leoni. Luz mediterrânea e outros poemas, 2001.)
1 Prometeu: um dos titãs da mitologia grega, que teria roubado o fogo do Olimpo para dá-lo aos homens (por esse motivo Zeus o castigou, acorrentando-o a um rochedo para que um abutre bicasse permanentemente seu fígado).
2 cicuta: um dos venenos mais letais que existem, usado na Grécia Antiga para executar condenados.
Objeto direto interno é o complemento constituído por substantivo cognato do verbo (ou seja, o substantivo tem a mesma raiz ou origem etimológica do verbo) ou da esfera semântica deste: “Tinha a testa enrugada, como quem vivera vida de contínuo pesar” (Alexandre Herculano, Lendas e narrativas) / “Os olhos pestanejavam e choravam lágrimas quentes, que eu enxugava na manga.” (Graciliano Ramos, Angústia).
(Domingos Paschoal Cegalla. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa, 2009. Adaptado.)
Ocorre objeto direto interno no seguinte trecho do soneto:
A“Não se pode sonhar impunemente / Um grande sonho pelo mundo afora,” (1ª estrofe)
B“Porque o veneno humano não demora / Em corrompê-lo na íntima semente…” (1ª estrofe)
C“Queres sonhar? Defende-te em segredo,” (3ª estrofe)
D“O Sonhador não vê, e até ignora / A cilada rasteira da Serpente.” (2ª estrofe)
E“E lembra, a cada instante e a cada dia, / O que sempre acontece e aconteceu:” (3ª estrofe)
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GabaritoA — “Não se pode sonhar impunemente / Um grande sonho pelo mundo afora,” (1ª estrofe)
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Objeto direto interno: quando o complemento repete a ideia do verbo
Gabarito: letra A. O objeto direto interno ocorre quando o complemento do verbo transitivo direto é um substantivo cognato (mesma raiz) ou da mesma esfera semântica do verbo. No trecho da alternativa A, o verbo "sonhar" tem como objeto direto "Um grande sonho" — substantivo cognato, pois "sonho" deriva de "sonhar". É exatamente o que define o conceito citado no enunciado: "substantivo cognato do verbo (ou seja, o substantivo tem a mesma raiz ou origem etimológica do verbo)".
"Não se pode sonhar impunemente / Um grande sonho pelo mundo afora,"
Aqui, "sonhar" é verbo transitivo direto (quem sonha, sonha algo), e "um grande sonho" é o objeto direto que repete a ideia do verbo — o caso clássico de objeto direto interno (ou cognato). As demais alternativas ou trazem objeto direto comum (não cognato) ou não apresentam objeto direto.
O comando: identificar um caso específico de objeto direto
A questão pede que você reconheça, entre os trechos do soneto, aquele em que ocorre objeto direto interno. Isso exige dois passos: (1) saber o que é objeto direto (complemento de verbo transitivo direto, sem preposição) e (2) saber o que o torna interno — o fato de o substantivo ser cognato do verbo ou pertencer à mesma área de sentido. Não basta haver um objeto direto qualquer; é preciso que haja essa relação de identidade semântica.
A técnica: procure o par verbo + substantivo da mesma família
A pegadinha central é confundir objeto direto comum com objeto direto interno. Veja o exemplo do próprio enunciado: "vivera vida de contínuo pesar" — "vida" é cognato de "viver". No soneto, "sonhar" e "sonho" formam o mesmo par. Quando você localizar um verbo e um substantivo com a mesma raiz (ou claramente da mesma esfera), ali está o objeto direto interno.
Análise das alternativas
Objeto direto interno: Definição (Substantivo cognato do verbo, Mesma esfera semântica); Exemplos clássicos (Sonhar um sonho, Viver a vida, Chorar lágrimas); Como identificar (Verbo transitivo direto, Objeto repete a ideia do verbo)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Não se pode sonhar impunemente / Um grande sonho pelo mundo afora,"
O verbo "sonhar" (transitivo direto) tem como complemento "um grande sonho" — substantivo cognato, pois "sonho" é derivado de "sonhar". É o objeto direto interno por excelência. Note que "impunemente" e "pelo mundo afora" são adjuntos adverbiais, não interferem na análise.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Porque o veneno humano não demora / Em corrompê-lo na íntima semente…"
Aqui, "corrompê-lo" é verbo transitivo direto com objeto direto representado pelo pronome "lo" (que retoma "sonho"). Não há substantivo cognato — "lo" é pronome, não um nome da mesma família do verbo. Portanto, não é objeto direto interno. Erro: troca de conceito — confunde objeto direto pronominal com objeto direto interno.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Queres sonhar? Defende-te em segredo,"
"Queres sonhar" — o verbo "querer" é transitivo direto e "sonhar" (infinitivo) funciona como objeto direto oracional. Não há substantivo cognato; "sonhar" é verbo, não substantivo. Já "defende-te" é verbo pronominal reflexivo, com "te" como objeto direto reflexivo. Nenhum caso de objeto direto interno. Erro: ausência do fenômeno — não há substantivo cognato.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"O Sonhador não vê, e até ignora / A cilada rasteira da Serpente."
Aqui há objeto direto comum: "a cilada rasteira da Serpente" é o complemento de "vê" e de "ignora". Mas "cilada" não é cognato de "ver" nem de "ignorar" — não há relação de mesma raiz ou esfera semântica. É objeto direto normal, não interno. Erro: troca de conceito — o trecho tem objeto direto, mas não o tipo pedido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"E lembra, a cada instante e a cada dia, / O que sempre acontece e aconteceu:"
"Lembra" aqui é transitivo indireto (quem lembra, lembra de algo), e "o que sempre acontece e aconteceu" é uma oração subordinada substantiva objetiva indireta. Não há objeto direto, muito menos interno. Erro: contradiz o texto — classifica como objeto direto um termo que é objeto indireto.
Conclusão
A única alternativa em que o complemento do verbo é um substantivo cognato é a A: "sonhar" + "sonho". As demais ou trazem objeto direto comum (D), pronome (B), oração (C, E) ou objeto indireto (E). Para acertar questões assim, sempre verifique se o substantivo objeto tem a mesma raiz do verbo — essa é a marca do objeto direto interno.
PEGA ESSA DICA!
Ao procurar objeto direto interno, pergunte: "o objeto é um substantivo que repete a ideia do verbo?" Se sim, é cognato. Ex.: "viver a vida", "sonhar um sonho", "chorar lágrimas".