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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166725
Banca
VUNESP
Órgão
Insper
Ano
2026
Cargo
Vest ( )

1 Em janeiro de 2026, a juventude das periferias de São Paulo enfrenta um paradoxo cruel: a cidade é o motor econômico do país, mas o caminho até a escola ou ao trabalho é uma corrida de obstáculos. Enquanto o senso comum diz que “não há verba”, a realidade técnica revela uma escolha política. A crise do transporte público coletivo no Brasil não é um acidente, mas o resultado de um sistema rodoviarista que, historicamente, priorizou o transporte sobre pneus em detrimento de sistemas de alta capacidade.

 

O modelo atual de São Paulo, baseado em uma lógica de mercado que chamamos de Logística 4.0, trata o estudante como “massa” ou “carga viva” a ser movimentada pelo menor custo operacional possível. A eficiência, medida por planilhas de custo, ignora a dignidade humana. O jovem perde tempo de vida no trânsito porque a falha do sistema não é técnica; como argumentamos em pesquisa, ela é ontológica: falha em sua missão humana. A miopia da Logística 4.0 revela-se quando o transporte público cumpre horários rastreados por algoritmos, mas falha em sua missão humana de garantir o bem-estar coletivo.

 

O tempo de deslocamento médio em grandes cidades brasileiras pode ultrapassar duas horas, segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). Para o jovem da escola pública, esse tempo é um custo de oportunidade elevado, um roubo do tempo de estudo, lazer e descanso. Esse “pedágio de vida” é um marcador de classe social, uma forma de exclusão que impede o acesso à faculdade ou ao primeiro emprego.

 

O urbanista Eduardo Alcântara de Vasconcellos alerta que a rede de transporte deve ser dinâmica para evitar a exclusão das periferias. A ausência de um alinhamento entre os diferentes órgãos gestores impede uma análise sistêmica que integre a gestão do trânsito com a função social do transporte, o que impede a democratização do espaço viário, impactando negativamente a produtividade urbana e a qualidade de vida.

 

5 A gestão pública da mobilidade deve ser compreendida como um tema transversal, onde o Estado reassume o protagonismo estratégico. Propomos a classificação da logística urbana como uma Infraestrutura de Suporte à Vida (ISV), no mesmo nível de saneamento básico.

 

O futuro da ciência do fluxo reside na orquestração de movimentos que respeitem a escala humana. A Logística 5.0 define-se como a ética do movimento: um compromisso técnico e social que transforma a circulação de massa e energia em suporte fundamental à soberania coletiva. O seu papel, jovem estudante, é cobrar essa transparência radical.

 

(Eduardo Facchini e Mariana Domingues Facchini. “Por que a ciência prova que o modelo de transporte de SP falhou (e como o SUM 5.0 é a solução)?”. https://diplomatique.org.br, 10.02.2026. Adaptado.)

Leia o artigo para responder à questão     No 4o parágrafo, os autores citam o urbanista Eduardo Alcântara de Vasconcellos para apresentar
  1. Aa opinião divergente de um especialista, a ser debatida com os argumentos que ele defende.
  2. Bum argumento contrário à tese defendida por eles, a ser refutado nos parágrafos seguintes.
  3. Co ponto de vista de um especialista na área, que corrobora a tese central do artigo.
  4. Dum conjunto de dados estatísticos que complementam a tese defendida no artigo.
  5. Euma pesquisa de opinião que reforça os argumentos apresentados no artigo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — o ponto de vista de um especialista na área, que corrobora a tese central do artigo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A função da citação do urbanista no 4º parágrafo

Gabarito: letra C. Os autores citam Eduardo Alcântara de Vasconcellos para apresentar o ponto de vista de um especialista na área, que corrobora a tese central do artigo — a de que o transporte público falha por uma escolha política e precisa ser repensado como infraestrutura essencial. A passagem que ancora essa leitura está no 4º parágrafo, quando o urbanista "alerta que a rede de transporte deve ser dinâmica para evitar a exclusão das periferias", ideia que ecoa diretamente a tese do texto, exposta já no 1º parágrafo: a crise do transporte "não é um acidente, mas o resultado de um sistema rodoviarista".

O comando da questão é de compreensão/recorrência: pergunta-se qual a função da citação no parágrafo, ou seja, o papel argumentativo que ela exerce dentro do texto. Não se pede uma inferência profunda, mas a identificação de uma relação explícita: o autor do artigo traz a voz de um especialista para reforçar o que ele mesmo já vinha defendendo. A resposta correta é a que descreve essa relação de concordância entre a fala citada e a tese do artigo.

O texto é um artigo de opinião dissertativo-argumentativo: a tese central é a de que a crise do transporte público não é um problema técnico, mas uma escolha política decorrente de um modelo rodoviarista que prioriza o lucro em detrimento das pessoas. No 4º parágrafo, a citação de Vasconcellos não introduz um debate nem uma opinião contrária — e é exatamente isso que as alternativas A e B tentam fazer parecer. Vejamos o trecho decisivo:

"O urbanista Eduardo Alcântara de Vasconcellos alerta que a rede de transporte deve ser dinâmica para evitar a exclusão das periferias."

A palavra "alerta" já indica que o especialista está chamando a atenção para um problema, mas o conteúdo do alerta — a necessidade de uma rede dinâmica para evitar a exclusão — está em perfeita sintonia com a tese do artigo, que denuncia a exclusão causada pelo modelo atual. Não há sinal de oposição, refutação ou divergência. Pelo contrário: o urbanista é usado como autoridade que confirma o diagnóstico dos autores.

A técnica para resolver questões como esta é simples: identifique a tese do texto e veja se a citação a apoia, a contradiz ou a complementa. Aqui, a citação apoia — ela corrobora. As alternativas que falam em "opinião divergente" (A), "argumento contrário" (B) ou "dados estatísticos" (D) e "pesquisa de opinião" (E) extrapolam ou tangenciam o que o texto realmente apresenta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação ao sugerir que a citação poderia ser uma opinião divergente (A/B) ou um dado estatístico (D/E), quando o texto não dá nenhum indício disso. O verbo "alerta" e o conteúdo do alerta mostram concordância, não oposição.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver uma citação de especialista, pergunte: ela reforça a tese, contradiz ou complementa? Se reforça, a função é de corroboração — como na letra C.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a citação apresenta "a opinião divergente de um especialista, a ser debatida com os argumentos que ele defende". Isso contradiz o texto: não há nenhuma marca de divergência. O urbanista "alerta" sobre a necessidade de uma rede dinâmica, o que está alinhado à tese. A palavra "divergente" é uma extrapolação — o texto não sugere que o especialista discorda dos autores.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que a citação é "um argumento contrário à tese defendida por eles, a ser refutado nos parágrafos seguintes". Também contradiz o texto: não há refutação posterior, e o conteúdo do alerta não é contrário à tese. A ideia de "argumento contrário" é uma invenção — o texto não apresenta o urbanista como opositor.

Alternativa C — ✅ Correta

Esta é a única que descreve com precisão a função da citação: "o ponto de vista de um especialista na área, que corrobora a tese central do artigo". O verbo "corrobora" significa confirmar, reforçar — exatamente o que a citação faz. O urbanista é uma voz de autoridade que valida o diagnóstico dos autores sobre a exclusão das periferias.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a citação apresenta "um conjunto de dados estatísticos que complementam a tese". Tangencia o texto: a citação não traz dados numéricos, mas uma opinião de especialista. O texto até menciona dados da ANTP no 3º parágrafo, mas não na citação de Vasconcellos. A alternativa confunde a função da citação com a de outros elementos do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que a citação é "uma pesquisa de opinião que reforça os argumentos". Extrapola: não há pesquisa de opinião no texto; há a fala de um urbanista. A alternativa troca o conceito de "citação de autoridade" por "pesquisa de opinião", que são coisas distintas.

Conclusão: a citação de Vasconcellos tem função de corroboração — ela reforça a tese do artigo. As demais alternativas ou contradizem o texto (A, B) ou tangenciam/extrapolam (D, E). Gabarito: letra C.

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