Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — VUNESP 2026
Português›Sinônimos e Antônimos
Código
vu166802
Banca
VUNESP
Órgão
FICSAE
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
Leia o poema “Com licença poética”, de Adélia Prado, para responder a questão
Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos — dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou.
(Adélia Prado, Poesia reunida, 2015.)
A palavra “envergonhada”, no contexto do poema, tem um sentido que se opõe ao da palavra
Aemancipada.
Bretraída.
Cacompanhada.
Dalienada.
Esofisticada.
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GabaritoA — emancipada.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Antonímia contextual: o oposto de "envergonhada" no poema
Gabarito: letra A. No contexto do poema, "envergonhada" não significa "tímida" ou "acanhada" no sentido psicológico, mas sim submissa, oprimida, sem autonomia — a mulher como "espécie ainda envergonhada" é aquela que ainda não se emancipou. Por isso, o termo que se opõe a esse sentido é "emancipada" (liberta, independente), como se lê nos versos em que a eu lírica aceita o peso do destino feminino, mas afirma sua força: "Aceito os subterfúgios que me cabem, / sem precisar mentir" e "Mulher é desdobrável. Eu sou.".
A questão pede que você identifique o antônimo contextual de uma palavra — não o antônimo dicionarizado, mas aquele que se opõe ao sentido que a palavra assume naquele texto. Isso é típico de questões sobre poemas, em que o sentido figurado e a intenção do autor prevalecem sobre o significado literal.
No poema, a eu lírica fala do destino imposto à mulher: "vai carregar bandeira. / Cargo muito pesado pra mulher, / esta espécie ainda envergonhada.". O adjetivo "envergonhada" aqui não descreve uma característica individual de timidez, mas uma condição histórica e social: a mulher que ainda não conquistou seu lugar, que vive à sombra, submissa. É o oposto de emancipada — mulher livre, dona de si, que rompeu com essa condição.
A técnica para resolver: sempre leia a palavra no contexto e pergunte: que ideia ela carrega aqui? Depois, busque entre as alternativas a que expressa a ideia contrária. No poema, a eu lírica se contrapõe à condição de submissão: ela aceita os subterfúgios, mas não se submete — "Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina." e "Mulher é desdobrável. Eu sou." revelam uma voz que se afirma, que se desdobra, que não se limita ao papel que lhe foi dado. Portanto, "envergonhada" = submissa, e seu antônimo é "emancipada".
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o sentido literal de "envergonhada" (tímida, acanhada) e o sentido contextual (submissa, oprimida). O candidato que não lê o poema com atenção marca "retraída", que é o antônimo literal, mas não o contextual.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de antonímia contextual, desconfie de alternativas que são antônimos óbvios no dicionário. O contexto manda: pergunte-se "que ideia a palavra carrega AQUI?" antes de buscar o oposto.
Antonímia contextual: Sentido no poema (Submissa, Oprimida, Sem autonomia); Oposto (Emancipada (livre, dona de si)); Pegadinha (Retraída (antônimo literal, não contextual))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Emancipada é o antônimo contextual de "envergonhada". No poema, "envergonhada" descreve a mulher que ainda não se libertou, que vive submissa ao destino imposto ("Cargo muito pesado pra mulher, / esta espécie ainda envergonhada"). "Emancipada" expressa exatamente o oposto: a mulher livre, independente, dona de si. A eu lírica, ao longo do poema, afirma essa emancipação: "Aceito os subterfúgios que me cabem, / sem precisar mentir" e "Mulher é desdobrável. Eu sou." — ela não se conforma, ela se desdobra, se afirma. Portanto, a oposição é clara: envergonhada (submissa) × emancipada (livre).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Retraída é um antônimo literal de "envergonhada" (tímida, acanhada), mas não é o sentido que a palavra assume no poema. No contexto, "envergonhada" não descreve uma característica psicológica individual, mas uma condição social e histórica da mulher. A alternativa restringe o sentido da palavra ao seu significado dicionarizado, ignorando o contexto poético. A eu lírica não é retraída; ela é submissa a um destino imposto, mas se afirma: "Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina." Portanto, "retraída" não se opõe ao sentido contextual de "envergonhada".
Alternativa C — ❌ Incorreta
Acompanhada não tem relação de oposição com "envergonhada" no contexto. O poema não fala de solidão ou companhia; fala de uma condição de submissão e falta de autonomia. "Acompanhada" seria o oposto de "sozinha", mas "envergonhada" não significa "sozinha" aqui. A alternativa tangencia o tema, pois introduz uma ideia que não está presente no texto. Não há nenhuma pista no poema que relacione "envergonhada" a "acompanhada" ou a "desacompanhada".
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alienada é uma palavra que pode se aproximar de "envergonhada" no sentido de "alheia, sem consciência", mas não é o oposto. No poema, "envergonhada" não significa "alienada" (inconsciente, alheia), mas sim "submissa, oprimida". A alternativa troca o conceito: confunde a condição de submissão com a de alienação. A eu lírica não é alienada; ela tem plena consciência de sua condição e a enfrenta: "Aceito os subterfúgios que me cabem, / sem precisar mentir". Portanto, "alienada" não é o antônimo contextual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sofisticada não tem relação de oposição com "envergonhada" no contexto. O poema não trata de elegância, refinamento ou sofisticação; trata da condição da mulher e de sua luta por autonomia. "Sofisticada" seria o oposto de "simples" ou "rústica", mas "envergonhada" não significa "simples" aqui. A alternativa extrapola o texto, acrescentando uma ideia que não está presente. Não há nenhuma pista no poema que relacione "envergonhada" a "sofisticada" ou a "não sofisticada".
Conclusão: a única alternativa que expressa o oposto do sentido contextual de "envergonhada" (submissa, oprimida) é emancipada (livre, independente). As demais ou restringem o sentido ao literal, ou tangenciam o tema, ou trocam o conceito. Lembre-se: em questões de antonímia contextual, o contexto é soberano — pergunte-se sempre "que ideia a palavra carrega AQUI?" antes de buscar o oposto.