Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2026
Português›Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu166803
Banca
VUNESP
Órgão
FICSAE
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
Leia o poema “Com licença poética”, de Adélia Prado, para responder a questão
Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos — dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou.
(Adélia Prado, Poesia reunida, 2015.)
O modo subjuntivo é o modo verbal que expressa fatos incertos, hipotéticos, desejados, possíveis. Está no modo subjuntivo o verbo sublinhado em:
A“Aceito os subterfúgios que me cabem,”
B“Não sou tão feia que não possa casar,”
C“Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.”
D“Minha tristeza não tem pedigree,”
E“sua raiz vai ao meu mil avô.”
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GabaritoB — “Não sou tão feia que não possa casar,”
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Modo subjuntivo: reconhecimento no poema de Adélia Prado
Gabarito: letra B. O verbo "possa" está no presente do subjuntivo — forma que expressa dúvida, possibilidade ou hipótese, exatamente o que o enunciado define. A pista está na estrutura da oração: "que não possa casar" é uma oração subordinada adjetiva restritiva introduzida por que, e o verbo no subjuntivo indica uma possibilidade (a de casar), não um fato certo. As demais alternativas trazem verbos no presente do indicativo (certeza, fato), como se lê no próprio texto.
O comando
A questão pede que você reconheça o modo verbal de um verbo sublinhado. Isso é uma tarefa de gramática metalinguística: não se trata de interpretar o sentido do poema, mas de identificar a flexão de modo de cada forma verbal. O enunciado já define o conceito — "modo subjuntivo expressa fatos incertos, hipotéticos, desejados, possíveis" — e você deve aplicar essa definição a cada alternativa.
O texto
O poema "Com licença poética" é uma declaração de identidade e resistência da mulher. Os verbos predominam no presente do indicativo, pois a eu lírica afirma certezas sobre si mesma: "Aceito", "sinto", "escrevo", "Cumpro", "sou". A única forma no subjuntivo aparece justamente na alternativa B, em uma oração que expressa uma possibilidade — a de casar —, não um fato consumado.
A técnica que decide
Para reconhecer o modo subjuntivo, você pode usar duas pistas:
Semântica: o subjuntivo indica dúvida, hipótese, desejo, possibilidade — o oposto da certeza do indicativo.
Morfologia: no presente do subjuntivo, a vogal temática muda (verbos da 1ª conjugação usam -e, e os da 2ª/3ª usam -a). Compare: "eu canto" (indicativo) × "que eu cante" (subjuntivo); "eu como" (indicativo) × "que eu coma" (subjuntivo).
No verso "que não possa casar", o verbo poder está na 1ª pessoa do singular do presente do subjuntivo (possa). A oração "que não possa casar" é uma subordinada adjetiva restritiva que restringe o sentido de "tão feia" — e o subjuntivo marca a possibilidade de casar, não uma certeza.
"Não sou tão feia que não possa casar,"
Aqui, "possa" expressa uma hipótese (a de que ela poderia casar), exatamente o valor semântico do subjuntivo.
Análise das alternativas
Modo subjuntivo: Valor semântico (Dúvida, Hipótese, Desejo, Possibilidade); Pista morfológica (presente) (1ª conj.: -e (cante), 2ª/3ª conj.: -a (coma)); Contexto típico (Após "que", Oração subordinada)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Aceito os subterfúgios que me cabem,"
O verbo "cabem" está no presente do indicativo (3ª pessoa do plural). Indica um fato certo, uma constatação — não há dúvida nem hipótese. Erro: contradiz o texto (o modo é indicativo, não subjuntivo).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Não sou tão feia que não possa casar,"
O verbo "possa" está no presente do subjuntivo (1ª pessoa do singular do verbo poder). Expressa possibilidade — a de casar —, exatamente o que o enunciado define como subjuntivo. É a única alternativa com verbo nesse modo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina."
Os verbos "sinto" e "cumpro" estão no presente do indicativo (1ª pessoa do singular). Indicam fatos certos, afirmações da eu lírica. Erro: contradiz o texto (modo indicativo).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Minha tristeza não tem pedigree,"
O verbo "tem" está no presente do indicativo (3ª pessoa do singular). Expressa um fato, uma característica atribuída à tristeza. Erro: contradiz o texto (modo indicativo).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"sua raiz vai ao meu mil avô."
O verbo "vai" está no presente do indicativo (3ª pessoa do singular). Indica um fato, uma origem. Erro: contradiz o texto (modo indicativo).
Fechamento
A banca explora a confusão entre os modos verbais: todas as distratoras estão no indicativo (certeza), enquanto a correta está no subjuntivo (possibilidade). Para acertar, lembre-se: o subjuntivo aparece em orações com dúvida, hipótese, desejo — e, no presente, costuma vir após que ("que eu possa", "que você fale").
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o modo verbal, pergunte: "o verbo expressa certeza (indicativo) ou dúvida/possibilidade (subjuntivo)?" No poema, "possa" é a única forma que não afirma um fato — é uma possibilidade.