Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2026
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
vu166804
Banca
VUNESP
Órgão
FICSAE
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
Leia o poema “Com licença poética”, de Adélia Prado, para responder a questão
Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos — dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou.
(Adélia Prado, Poesia reunida, 2015.)
Em uma passagem do poema, o eu lírico caracteriza sua “vontade de alegria” como
Aausente.
Bvaliosa.
Crevigorante.
Dsaudosa.
Eantiga.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — antiga.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A "vontade de alegria" no poema de Adélia Prado
Gabarito: letra E. O eu lírico caracteriza sua "vontade de alegria" como antiga, pois afirma que sua raiz "vai ao meu mil avô" — ou seja, remonta a gerações passadas, a algo ancestral. A passagem que ancora essa leitura está no trecho:
"já a minha vontade de alegria, / sua raiz vai ao meu mil avô."
A expressão "mil avô" (antepassado remoto) indica que a alegria não é algo recente ou passageiro, mas uma herança profunda, enraizada no tempo. As demais alternativas (ausente, valiosa, revigorante, saudosa) não encontram sustentação no texto: nenhuma delas é mencionada ou sugerida pelo eu lírico.
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique como o eu lírico caracteriza sua "vontade de alegria". Isso é uma tarefa de interpretação/inferência: a resposta não está literalmente escrita (não há a palavra "antiga" no poema), mas é uma dedução ancorada em pistas do próprio texto. A pista decisiva é a metáfora da "raiz" que "vai ao meu mil avô".
O texto e o movimento argumentativo
O poema "Com licença poética" é uma declaração de identidade e resistência do eu lírico feminino. Ele aceita os "subterfúgios" que lhe cabem, mas afirma: "Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina." Em seguida, há uma contraposição entre a tristeza e a alegria:
"Minha tristeza não tem pedigree, / já a minha vontade de alegria, / sua raiz vai ao meu mil avô."
Aqui, "pedigree" (linhagem, origem nobre) é negado à tristeza, mas a alegria tem raiz profunda, que alcança o "mil avô" — um ancestral distante. A ideia é de origem antiga, ancestral, não de valor, revigoramento ou saudade.
A técnica que decide
Para resolver, pergunte: o texto autoriza esta caracterização? A alternativa E é a única que se apoia diretamente na imagem da raiz ancestral. As demais:
A) ausente — contradiz o texto: o eu lírico fala da "vontade de alegria" como algo presente e enraizado.
B) valiosa — extrapola: o texto não atribui valor à alegria; fala de origem, não de preço ou importância.
C) revigorante — extrapola: não há menção a renovação de forças ou energia.
D) saudosa — extrapola: "saudade" envolve lembrança e desejo de algo passado; o texto fala de raiz, não de nostalgia.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O eu lírico não diz que a alegria está ausente; ao contrário, ele a apresenta como algo que tem raiz e que existe nele. A passagem "já a minha vontade de alegria" pressupõe a existência dessa vontade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapola. O texto não faz juízo de valor sobre a alegria (não diz que é valiosa, preciosa). A imagem da raiz remete a origem, não a valor. Atribuir "valiosa" é acrescentar uma opinião que o eu lírico não externou.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapola. "Revigorante" sugere algo que dá novas forças, que reanima. Nada no poema indica esse efeito. A alegria é descrita como ancestral, não como fonte de energia renovada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapola. "Saudosa" envolve nostalgia, lembrança afetiva do passado. O texto fala de raiz (origem), mas não de saudade. A raiz "vai ao mil avô" indica antiguidade, não sentimento de falta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A correta é a única sustentada pelo texto. A expressão "sua raiz vai ao meu mil avô" é uma metáfora: a alegria tem origem tão remota quanto um ancestral de mil gerações. Isso a caracteriza como antiga, algo que vem de longe, que faz parte da herança do eu lírico. Não há outra alternativa que se apoie em passagem do poema.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece adjetivos que parecem plausíveis (valiosa, revigorante, saudosa) mas que não têm apoio no texto. A correta exige inferir o sentido de "raiz vai ao meu mil avô" — a armadilha é escolher um adjetivo bonito em vez de seguir a pista textual.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de interpretação, grife a passagem que sustenta cada alternativa. Se não houver passagem, a alternativa está errada — mesmo que soe verdadeira no mundo real.