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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166807
Banca
VUNESP
Órgão
CEFSA
Ano
2026
Cargo
CA ( )

Sobre moluscos, conchas e belezas

 

Desde que o objetivo da educação é permitir que vivamos melhor, nossas escolas deveriam tomar a natureza como mestra.

 

Voltamos ao mundo dos moluscos, que fez Piaget pensar sobre os homens… Deles a primeira coisa que vi foram as conchas. Eu vi, simplesmente, sem nada saber sobre suas origens. Ignorava que existissem moluscos. Não sabia que elas, as conchas, tinham sido feitas para ser casas daqueles animais de corpo mole que, sem elas, seriam devorados pelos predadores. Meus olhos apenas viram. Viram e se espantaram.

 

O espanto – os gregos sabiam que é no espanto que o pensamento começa. O espanto vem quando um objeto se coloca diante de nós como um enigma a ser decifrado: “Decifra-me ou te devoro!”. Conchas são objetos espantosos.

 

Foi um espanto estético. Foi a beleza que exigiu que eu as decifrasse. Conchas são objetos assombrosos, construídos segundo rigorosas relações matemáticas. Os moluscos eram também artistas, arquitetos. Suas casas tinham de ser belas. Será que a natureza tem uma alma de artista? Coisa estranha essa, com certeza alucinação de poeta, imaginar que a natureza seja a casa de um artista!

 

Pensei que a vida não produz apenas objetos úteis, ferramentas adequadas à sobrevivência. A vida não deseja apenas sobreviver, ela não se satisfaz com a utilidade. Ela constrói os seus objetos segundo as normas da beleza. A vida deseja alegria. Assim acontece conosco: precisamos sobreviver e, para isso, cultivamos repolhos, nabos e batatas e estabelecemos a ciência do cultivo de repolhos, nabos e batatas. Esse é um dos sentidos da ciência: receitas para construir ferramentas para a sobrevivência.

 

Mas, por razões que se encontram além das razões científicas, talvez por obra do artista invisível que mora em nós, gastamos nosso tempo e nossas forças na produção de coisas inúteis, tais como violetas, orquídeas e rosas, coisas que não servem para nada e só dão trabalho… Nosso corpo não se alimenta só de pão. Ele tem fome de beleza.

 

(Rubem Alves. Sobre moluscos, conchas e belezas. Disponível em: https://rubemalves.wordpress.com/2007/11/. Acesso em 22.04.2026. Adaptado)

Assinale a alternativa que melhor expressa a ideia central do texto.
  1. AA observação da natureza revela que a vida ultrapassa a utilidade, envolvendo também a busca pela beleza e pela experiência estética.
  2. BA natureza deve ser compreendida por meio de princípios científicos e matemáticos que explicam a organização dos seres vivos.
  3. CA educação deve priorizar conhecimentos voltados à sobrevivência, como o cultivo de alimentos e o domínio de técnicas científicas.
  4. DO espanto diante da natureza pode iniciar o pensamento, mas deve ser superado por explicações racionais e científicas mais objetivas.
  5. EA produção de elementos sem utilidade prática, como as flores, evidencia um desvio das finalidades essenciais da vida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — A observação da natureza revela que a vida ultrapassa a utilidade, envolvendo também a busca pela beleza e pela experiência estética.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ideia central: a vida ultrapassa a utilidade em busca da beleza

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que sintetiza a tese central do texto: a observação da natureza (as conchas, as flores) revela que a vida não se limita à utilidade, mas busca também a beleza e a experiência estética. Essa ideia está explicitamente formulada no 5º parágrafo: "A vida não deseja apenas sobreviver, ela não se satisfaz com a utilidade. Ela constrói os seus objetos segundo as normas da beleza. A vida deseja alegria."

O comando pede a ideia central — ou seja, a tese que o autor defende ao longo de todo o texto, não um detalhe ou um argumento isolado. Para resolvê-la, você precisa identificar o movimento argumentativo do autor: ele parte da observação das conchas (espanto estético), passa pela constatação de que a vida produz tanto ferramentas úteis quanto objetos belos, e conclui que a beleza é uma necessidade tão fundamental quanto a sobrevivência. A alternativa correta precisa abarcar esse todo, não apenas um fragmento.

O texto é um texto dissertativo-argumentativo em tom poético. A tese aparece de forma explícita no 5º parágrafo, quando o autor afirma que a vida não se satisfaz com a utilidade e constrói seus objetos "segundo as normas da beleza". No 6º parágrafo, ele reforça com o exemplo das flores: "coisas que não servem para nada e só dão trabalho… Nosso corpo não se alimenta só de pão. Ele tem fome de beleza." A alternativa A é uma paráfrase fiel dessa tese: "a observação da natureza revela que a vida ultrapassa a utilidade, envolvendo também a busca pela beleza e pela experiência estética".

A técnica para questões de "ideia central" é: localize a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa perguntando se ela abrange o texto inteiro ou apenas um detalhe. Alternativas que citam exemplos (conchas, flores) ou aspectos secundários (matemática, ciência) costumam ser distratoras. A correta é a que resume o argumento global do autor.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "ideia central" pede a tese, não um argumento isolado. Desconfie de alternativas que mencionam apenas um parágrafo ou um exemplo específico.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a paráfrase exata da tese do texto. O autor desenvolve exatamente essa ideia: a observação da natureza (conchas, flores) mostra que a vida não se limita à utilidade, mas busca a beleza e a experiência estética. Isso está explícito no 5º parágrafo:

"A vida não deseja apenas sobreviver, ela não se satisfaz com a utilidade. Ela constrói os seus objetos segundo as normas da beleza. A vida deseja alegria."

E no 6º parágrafo, com o exemplo das flores:

"coisas que não servem para nada e só dão trabalho… Nosso corpo não se alimenta só de pão. Ele tem fome de beleza."

A alternativa A captura essa síntese: "a observação da natureza revela que a vida ultrapassa a utilidade, envolvendo também a busca pela beleza e pela experiência estética". Não acrescenta nada de fora, não restringe o alcance — é a tese global.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que "a natureza deve ser compreendida por meio de princípios científicos e matemáticos que explicam a organização dos seres vivos". Isso restringe o texto a um aspecto secundário: o autor menciona que as conchas são "construídas segundo rigorosas relações matemáticas", mas isso é apenas um detalhe da observação, não a tese central. O texto não defende que a natureza deva ser compreendida por princípios científicos; pelo contrário, ele valoriza o espanto estético e a beleza como formas de conhecimento. A alternativa tangencia o tema, focando em um elemento periférico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que "a educação deve priorizar conhecimentos voltados à sobrevivência, como o cultivo de alimentos e o domínio de técnicas científicas". Isso contradiz a tese do texto. O autor abre o texto dizendo que "nossas escolas deveriam tomar a natureza como mestra", mas não defende que a educação priorize a sobrevivência. Pelo contrário, ele critica a visão utilitarista: "A vida não deseja apenas sobreviver, ela não se satisfaz com a utilidade". A alternativa C inverte o sentido do texto, que valoriza a beleza e a experiência estética, não a mera sobrevivência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que "o espanto diante da natureza pode iniciar o pensamento, mas deve ser superado por explicações racionais e científicas mais objetivas". Isso contradiz o texto. O autor valoriza o espanto como início do pensamento ("os gregos sabiam que é no espanto que o pensamento começa"), mas não defende que ele deva ser superado por explicações racionais. Pelo contrário, o espanto estético é o que leva à decifração das conchas, e o autor celebra a beleza como algo que "não se satisfaz com a utilidade". A alternativa D distorce a relação entre espanto e razão, impondo uma hierarquia que o texto não estabelece.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que "a produção de elementos sem utilidade prática, como as flores, evidencia um desvio das finalidades essenciais da vida". Isso contradiz o texto. O autor não vê as flores como um desvio; pelo contrário, ele as celebra como expressão da busca pela beleza: "Nosso corpo não se alimenta só de pão. Ele tem fome de beleza." A alternativa E embute uma opinião negativa ("desvio") que o autor não externa — ele vê a produção do inútil como algo positivo e essencial. A alternativa acrescenta um juízo de valor ausente no texto.

Conclusão: a ideia central do texto é que a vida ultrapassa a utilidade, buscando também a beleza e a experiência estética. A alternativa A é a única que sintetiza essa tese de forma fiel, sem extrapolar, restringir ou contradizer o texto. As demais ou focam em detalhes secundários (B), invertem a tese (C, D) ou embutem opiniões negativas (E).

Gabarito: letra A

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