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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2026

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
vu166809
Banca
VUNESP
Órgão
CEFSA
Ano
2026
Cargo
CA ( )

Sobre moluscos, conchas e belezas

 

Desde que o objetivo da educação é permitir que vivamos melhor, nossas escolas deveriam tomar a natureza como mestra.

 

Voltamos ao mundo dos moluscos, que fez Piaget pensar sobre os homens… Deles a primeira coisa que vi foram as conchas. Eu vi, simplesmente, sem nada saber sobre suas origens. Ignorava que existissem moluscos. Não sabia que elas, as conchas, tinham sido feitas para ser casas daqueles animais de corpo mole que, sem elas, seriam devorados pelos predadores. Meus olhos apenas viram. Viram e se espantaram.

 

O espanto – os gregos sabiam que é no espanto que o pensamento começa. O espanto vem quando um objeto se coloca diante de nós como um enigma a ser decifrado: “Decifra-me ou te devoro!”. Conchas são objetos espantosos.

 

Foi um espanto estético. Foi a beleza que exigiu que eu as decifrasse. Conchas são objetos assombrosos, construídos segundo rigorosas relações matemáticas. Os moluscos eram também artistas, arquitetos. Suas casas tinham de ser belas. Será que a natureza tem uma alma de artista? Coisa estranha essa, com certeza alucinação de poeta, imaginar que a natureza seja a casa de um artista!

 

Pensei que a vida não produz apenas objetos úteis, ferramentas adequadas à sobrevivência. A vida não deseja apenas sobreviver, ela não se satisfaz com a utilidade. Ela constrói os seus objetos segundo as normas da beleza. A vida deseja alegria. Assim acontece conosco: precisamos sobreviver e, para isso, cultivamos repolhos, nabos e batatas e estabelecemos a ciência do cultivo de repolhos, nabos e batatas. Esse é um dos sentidos da ciência: receitas para construir ferramentas para a sobrevivência.

 

Mas, por razões que se encontram além das razões científicas, talvez por obra do artista invisível que mora em nós, gastamos nosso tempo e nossas forças na produção de coisas inúteis, tais como violetas, orquídeas e rosas, coisas que não servem para nada e só dão trabalho… Nosso corpo não se alimenta só de pão. Ele tem fome de beleza.

 

(Rubem Alves. Sobre moluscos, conchas e belezas. Disponível em: https://rubemalves.wordpress.com/2007/11/. Acesso em 22.04.2026. Adaptado)

A relação de hipônimo e hiperônimo está corretamente estabelecida entre as palavras destacadas em:
  1. A“Desde que o objetivo da educação é permitir que vivamos melhor, nossas escolas deveriam tomar a natureza como mestra.” (1º parágrafo)
  2. B“Ignorava que existissem moluscos. Não sabia que elas, as conchas, tinham sido feitas para ser casas daqueles animais de corpo mole...” (2º parágrafo)
  3. C“Coisa estranha essa, com certeza alucinação de poeta, imaginar que a natureza seja a casa de um artista!” (4º parágrafo)
  4. D“Assim acontece conosco: precisamos sobreviver e, para isso, cultivamos repolhos, nabos e batatas...” (5º parágrafo)
  5. E“... produção de coisas inúteis, tais como violetas, orquídeas e rosas, coisas que não servem para nada e só dão trabalho…” (6º parágrafo)
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GabaritoB — “Ignorava que existissem moluscos. Não sabia que elas, as conchas, tinham sido feitas para ser casas daqueles animais de corpo mole...” (2º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipônimo e Hiperônimo: a relação de inclusão semântica

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que a relação de hipônimo e hiperônimo está corretamente estabelecida: "conchas" é hipônimo de "moluscos"? Não — a relação correta é que "conchas" são as "casas" dos "animais de corpo mole" (os moluscos). O hiperônimo é o termo mais genérico ("casas"), e o hipônimo é o mais específico ("conchas"). A passagem que ancora isso é: "Não sabia que elas, as conchas, tinham sido feitas para ser casas daqueles animais de corpo mole..." — aqui, "casas" é o termo geral que engloba "conchas" como um tipo específico de casa.

A questão pede que você identifique, entre as opções, aquela em que a relação de inclusão semântica (hipônimo = termo específico; hiperônimo = termo genérico) está correta. Isso não é uma questão de interpretação profunda, mas de semântica lexical: você precisa reconhecer quando uma palavra está sendo usada para nomear uma categoria mais ampla (hiperônimo) e quando nomeia um membro dessa categoria (hipônimo).

No texto, o autor fala de moluscos, conchas e belezas. A relação pedida não é entre "moluscos" e "conchas" diretamente (embora conchas sejam produzidas por moluscos, não são uma subcategoria deles), mas entre "casas" e "conchas": a concha é um tipo de casa (a casa do molusco). O hiperônimo é "casas" (termo genérico) e o hipônimo é "conchas" (termo específico).

A técnica para resolver: identifique, em cada alternativa, se há um par de palavras em que uma é subclasse da outra. Pergunte: "X é um tipo de Y?" Se sim, X é hipônimo de Y. Na alternativa B, "conchas" é um tipo de "casas" (no contexto, casas de moluscos). Nas demais, não há essa relação de inclusão: são relações de causa, exemplificação, ou simplesmente termos sem hierarquia.

1Relação de inclusão semântica
Hipônimo: termo específico
Hiperônimo: termo genérico
2Teste: "X é um tipo de Y?"
Sim → hiponímia
Não → outra relação
3Confusões comuns
Exemplificação ("tais como")
Metáfora
Hipônimo e hiperônimo
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Hipônimo e hiperônimo: Relação de inclusão semântica (Hipônimo: termo específico, Hiperônimo: termo genérico); Teste: "X é um tipo de Y?" (Sim → hiponímia, Não → outra relação); Confusões comuns (Exemplificação ("tais como"), Metáfora)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Aqui, "natureza" e "mestra" não formam par hipônimo/hiperônimo. "Mestra" é uma metáfora (a natureza é comparada a uma mestra), não uma categoria que inclui "natureza". Não há relação de inclusão semântica; há uma comparação figurada. A alternativa tangencia o tema ao citar palavras do texto, mas não estabelece a relação pedida.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A relação está correta: "conchas" (hipônimo) são um tipo específico de "casas" (hiperônimo). O texto diz: "Não sabia que elas, as conchas, tinham sido feitas para ser casas daqueles animais de corpo mole...". A concha é a casa do molusco — "casa" é o termo genérico que engloba "concha" como uma de suas espécies. A relação de inclusão é perfeita: toda concha é uma casa (no contexto), mas nem toda casa é uma concha.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Natureza" e "casa" não têm relação de hiponímia. "Casa" aqui é usada em sentido figurado (a natureza seria a casa de um artista), não como categoria que inclui "natureza". Não há hierarquia semântica; há uma metáfora. A alternativa extrapola ao tentar forçar uma relação que não existe no trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Repolhos, nabos e batatas" são exemplos de coisas que cultivamos para sobreviver, mas não são hipônimos de um termo presente no trecho. O hiperônimo seria "alimentos" ou "vegetais", que não está destacado. A relação de exemplificação não é a mesma de hiponímia, pois falta o termo genérico explícito. A alternativa tangencia ao citar exemplos, mas não estabelece a relação pedida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Violetas, orquídeas e rosas" são exemplos de "coisas inúteis", mas "coisas inúteis" não é um hiperônimo natural dessas flores (o hiperônimo seria "flores"). Além disso, a relação de exemplificação não é o que se pede. A alternativa tangencia ao citar exemplos, mas não há relação de inclusão semântica entre os termos destacados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre exemplificação ("tais como") e hiponímia. Nas alternativas D e E, há exemplos de uma categoria, mas o hiperônimo não está destacado ou não é natural. Na B, a relação é genuína: "conchas" são um tipo de "casas".

PEGA ESSA DICA!

Para testar hiponímia, pergunte: "X é um tipo de Y?" Se a resposta for sim, X é hipônimo de Y. Se for "X é um exemplo de Y", pode ser exemplificação, não hiponímia.

Gabarito: letra B — a única em que a relação de inclusão semântica (hipônimo/hiperônimo) está corretamente estabelecida entre os termos destacados.

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