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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — VUNESP 2026

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
vu166819
Banca
VUNESP
Órgão
CEFSA
Ano
2026
Cargo
CA ( )

A Dividida

 

Raimundo entrou firme, Luiz Carlos voou longe. A bola espirrou pela linha de fundo...

 

― Pô, Mundo! ― disse Luiz Carlos, do chão.

 

― É pra homem ― disse Raimundo. E em seguida foi pra cima do juiz, que tinha dado escanteio.

 

No vestiário, Luiz Carlos mostrou a perna para o Raimundo.

 

― Olha o que você fez.

 

― É do jogo, meu.

 

― Do jogo, não. Tu é que é um animal.

 

A discussão continuou no carro. Luiz Carlos dava carona para o Raimundo. Todas as terças, do condomínio para o ginásio, do ginásio para o condomínio. Os dois se conheciam desde a adolescência. Eram sócios numa firma de engenharia. Eram cunhados. Moravam em casas pegadas, no mesmo condomínio. Sempre jogavam no mesmo time. Naquela noite, Raimundo fora aliciado pelo outro time. Tinha fama de bom marcador.

 

Na manhã seguinte, se encontraram, cada um saindo da sua casa. Luiz Carlos mancando, Raimundo caçoando.

 

― Pensei que você estivesse no hospital...

 

― Olha aqui, ó troglodita. Não fala comigo.

 

― Na UTI!

 

― Isto é o que dá jogar contra perna-de-pau.

 

― Ah é? Eu sou perna-de-pau? Eu sou viril, mas leal, se você quer saber. Viril, mas leal.

 

― Viril, mas leal... Assassino, mas traiçoeiro, isso sim.

 

― Eu divido, meu irmão.

 

― E eu?!

 

― Você pipoca.

 

― Eu não acredito... Você entrou por cima da bola, Mundo. Admite.

 

― Entrei na bola!

 

― Por cima!

 

A discussão continuou na reunião das quartas, na firma. Ficou tão violenta que a reunião teve que ser suspensa. Decisões importantes foram adiadas porque os dois não quiseram mais se falar, naquele dia ou no resto da semana. E no sábado, pela primeira vez desde que tinham se mudado para o condomínio, as duas famílias não fizeram o churrasco juntas. Cada um fez na sua churrasqueira. E proibiu a mulher e os filhos de se aproximar da mulher e dos filhos do outro.

 

(Luis Fernando Veríssimo. Disponível em: https://www.extraclasse.org.br/opiniao/colunistas/2024/09/a-dividida/. Acesso em 22.04.2026. Adaptado)

É correto afirmar que, no diálogo entre os dois personagens,
  1. Apredomina a variedade formal da língua, marcada pelo uso rigoroso da norma-padrão e ausência de expressões coloquiais.
  2. Bhá predominância de linguagem técnica, própria do contexto profissional da engenharia em que os personagens atuam.
  3. Cpredomina a variedade informal da língua, com uso de gírias, expressões coloquiais e construções típicas da oralidade.
  4. Dobserva-se uma linguagem literária rebuscada, com vocabulário sofisticado e construções elaboradas.
  5. Ehá uso predominante de linguagem regional arcaica, característica de textos literários.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — predomina a variedade informal da língua, com uso de gírias, expressões coloquiais e construções típicas da oralidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Linguagem formal e informal no diálogo

Gabarito: letra C. No diálogo entre Raimundo e Luiz Carlos predomina a variedade informal da língua, marcada por gírias, expressões coloquiais e construções típicas da oralidade — como se vê em "Pô, Mundo!", "É pra homem", "Tu é que é um animal", "perna-de-pau", "pipoca" e "troglodita". As demais alternativas falham porque descrevem registros que o texto não apresenta: a linguagem é claramente coloquial, não formal, técnica, rebuscada ou arcaica.

O comando pede uma compreensão do texto: "É correto afirmar que, no diálogo entre os dois personagens". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções nem acréscimos. A tarefa é identificar o registro linguístico predominante nas falas — e o texto fornece evidências abundantes.

O texto é uma crônica de Luis Fernando Veríssimo, narrada com discurso direto (as falas são transcritas com travessão). Os personagens são amigos, cunhados e sócios, que se conhecem desde a adolescência — o que justifica a intimidade e a informalidade do diálogo. A discussão começa num jogo de futebol, quando Raimundo faz uma entrada violenta em Luiz Carlos, e se estende pelo vestiário, no carro e na reunião da firma.

A técnica para resolver é observar as marcas de oralidade e coloquialismo nas falas. Vejamos os exemplos:

"― Pô, Mundo! ― disse Luiz Carlos, do chão."

A interjeição "Pô" (redução de "pôrra") é uma gíria típica da fala informal. Outros exemplos:

"― É do jogo, meu." / "― Do jogo, não. Tu é que é um animal."

A expressão "meu" como vocativo, o uso de "Tu é" (em vez de "Tu és" ou "Você é") e o xingamento "animal" são marcas de coloquialidade. Ainda:

"― Olha aqui, ó troglodita. Não fala comigo." / "― Na UTI!" / "― Isto é o que dá jogar contra perna-de-pau."

"Troglodita" e "perna-de-pau" são expressões coloquiais (a segunda é uma gíria para jogador ruim). E o clímax:

"― Você pipoca."

"Pipocar" é uma gíria que significa "recuar, não ir para o confronto". Todas essas marcas comprovam a predominância da variedade informal.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que descrevem outros registros (formal, técnico, rebuscado, arcaico) — todos ausentes do texto. A alternativa C é a única que nomeia corretamente o que está diante dos olhos do leitor.

Registro linguístico no diálogo
  • 1Variedade informal (gabarito)
    • Gírias: "Pô", "pipoca"
    • Coloquialismos: "perna-de-pau", "troglodita"
    • Oralidade: "Tu é que é", "meu"
  • 2Registros ausentes no texto
    • Formal (norma-padrão)
    • Técnico (engenharia)
    • Rebuscado (literário)
    • Arcaico (regional)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que predomina a variedade formal, com "uso rigoroso da norma-padrão e ausência de expressões coloquiais". Isso contradiz o texto: as falas estão repletas de coloquialismos e desvios da norma culta ("Tu é que é um animal", "Pô, Mundo!", "perna-de-pau"). A linguagem formal é justamente o oposto do que se observa. Erro: contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa fala em linguagem técnica "própria do contexto profissional da engenharia". Embora os personagens sejam engenheiros e sócios de uma firma, o diálogo transcrito não contém nenhum termo técnico — é uma discussão sobre futebol, com linguagem coloquial. A menção à engenharia aparece apenas na narração ("Eram sócios numa firma de engenharia"), não nas falas. Erro: extrapola — acrescenta uma característica que o texto não sustenta para o diálogo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que predomina a variedade informal, "com uso de gírias, expressões coloquiais e construções típicas da oralidade". Isso é exatamente o que o texto mostra: "Pô, Mundo!", "É pra homem", "Tu é que é um animal", "perna-de-pau", "pipoca", "troglodita", "Na UTI!". Todas são marcas de informalidade e oralidade. A alternativa é uma paráfrase fiel do registro linguístico do diálogo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa fala em linguagem literária rebuscada, com "vocabulário sofisticado e construções elaboradas". O texto é uma crônica, mas o diálogo é coloquial e espontâneo — não há vocabulário sofisticado nem construções elaboradas. As falas são curtas, diretas e cheias de gírias. Erro: contradiz o texto — descreve um registro que não aparece.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa fala em linguagem regional arcaica, "característica de textos literários". Não há marcas de regionalismo específico nem arcaísmos no diálogo — as expressões usadas ("Pô", "perna-de-pau", "pipoca") são coloquialismos contemporâneos, não arcaicos. Erro: extrapola — inventa uma característica que o texto não apresenta.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o registro linguístico, procure marcas concretas no texto: gírias, interjeições, reduções ("pra", "tá"), vocativos informais ("meu"), xingamentos. Se a alternativa descreve um registro, confira se há evidências dele nas falas — se não há, a alternativa está errada.

Gabarito: letra C. A questão testa a capacidade de reconhecer a variação linguística situacional (diafásica): o mesmo falante usa registros diferentes conforme o contexto. Aqui, a intimidade entre os personagens e a situação de conflito geram um diálogo marcadamente informal — e a alternativa C é a única que nomeia corretamente esse registro.

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