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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2026

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu166873
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIMES
Ano
2026
Cargo
Vest ( )

Leia o poema “Identidade”, de Mia Couto, para responder a questão

 

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

 

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

 

Sou pólen sem insecto

 

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

 

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

 

No mundo que combato
morro
no mundo por que luto
nasço.

 

(Raiz de orvalho e outros poemas, 2009.)

A utilização recorrente de verbos no tempo presente reforça, no poema, a ideia de
  1. Adiálogo entre o passado e o presente, o que possibilita a autodescoberta do eu lírico.
  2. Bdualidade de um passado indesejado, o que impede eu lírico de se reconhecer.
  3. Cpermanência de ações em andamento na busca do eu lírico por autoconhecimento.
  4. Dcontradições que impossibilitam o eu lírico de se reconhecer no mundo.
  5. Eresgate do passado para que o eu lírico descubra um propósito na vida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — permanência de ações em andamento na busca do eu lírico por autoconhecimento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O presente do indicativo e a busca por autoconhecimento no poema de Mia Couto

Gabarito: letra C. A recorrência de verbos no presente do indicativo — "Preciso", "Sou", "Existo", "combato", "luto", "nasço" — reforça a ideia de permanência de ações em andamento na busca do eu lírico por autoconhecimento. O presente, aqui, não marca um momento pontual, mas um estado contínuo e atual de existência e de luta, como se lê nos versos finais: "No mundo que combato / morro / no mundo por que luto / nasço."

O comando: o que a banca pede

A questão pede que se relacione um recurso linguístico (o uso recorrente do tempo presente) com o efeito de sentido que ele produz no poema. Não se trata de uma pergunta de compreensão literal, mas de interpretação ancorada na gramática: é preciso perceber que a escolha do tempo verbal não é neutra — ela constrói a ideia de que o processo de autoconhecimento é contínuo, não pontual nem concluído.

O texto: tema, tese e o papel do presente

O poema "Identidade" tematiza a busca do eu lírico por si mesmo. A tese aparece já no primeiro verso: "Preciso ser um outro / para ser eu mesmo" — ou seja, a identidade não é algo dado, mas algo que se constrói. Essa construção é apresentada como um processo em andamento, e é exatamente isso que o presente do indicativo materializa.

Observe a cadeia de verbos no presente:

"Preciso ser um outro / para ser eu mesmo" "Sou grão de rocha" "Sou o vento que a desgasta" "Existo onde me desconheço" "No mundo que combato / morro / no mundo por que luto / nasço."

Todos esses verbos estão no presente do indicativo, tempo que, segundo a gramática normativa, pode indicar:

  1. Fato que ocorre no momento da fala — "Preciso", "Sou", "Existo".

  2. Fato habitual — ações que se repetem.

  3. Fato atemporal — verdades universais, como "Sou grão de rocha".

  4. Fato iniciado e que perdura até o momento da fala — o processo de autoconhecimento.

No poema, o presente não é usado para marcar um instante isolado, mas para eternizar o processo: o eu lírico não diz "fui" ou "serei", mas "sou" — e esse "sou" é contínuo, permanente. É exatamente isso que a alternativa C captura: "permanência de ações em andamento na busca do eu lírico por autoconhecimento".

A técnica que decide: presente = processo contínuo

A pegadinha central da questão é confundir o presente com outros tempos verbais ou com ideias que o texto não sustenta. O presente do indicativo, no poema, não aponta para o passado (como em A, D e E) nem para uma dualidade que impede o reconhecimento (como em B). Ele aponta para um agora que se estende, um processo em curso.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver uma questão que relaciona tempo verbal a efeito de sentido, pergunte: "O tempo marca um momento pontual, um processo contínuo, uma repetição ou uma verdade atemporal?" No poema, o presente marca processo contínuo — e é isso que a banca quer.

Análise das alternativas

  1. 1Verbos no presente
  2. 2Ações em andamento
  3. 3Busca contínua por autoconhecimento
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que o presente reforça um "diálogo entre o passado e o presente". O texto, porém, não estabelece esse diálogo — os verbos estão todos no presente, e o passado só aparece como algo que o eu lírico "aguarda" ("aguardando pelo meu passado"), não como um tempo com o qual se dialoga. A ideia de "diálogo" é acrescentada de fora, sem apoio no poema.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que o presente reforça a "dualidade de um passado indesejado, o que impede eu lírico de se reconhecer". O texto, porém, mostra o eu lírico em busca de autoconhecimento, não impedido por ele. O verso "Preciso ser um outro / para ser eu mesmo" indica que a transformação é possível e desejada — não que o passado o impeça. Além disso, o passado não é qualificado como "indesejado" em nenhum trecho.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A única sustentada pelo texto. O presente do indicativo, recorrente em todo o poema, marca ações em andamento — "Preciso", "Sou", "Existo", "combato", "luto", "nasço" — que expressam a busca contínua do eu lírico por autoconhecimento. O verso final sintetiza isso: "No mundo que combato / morro / no mundo por que luto / nasço." O "morro" e o "nasço" no presente indicam um ciclo permanente de luta e renascimento, não um evento concluído.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o presente reforça "contradições que impossibilitam o eu lírico de se reconhecer no mundo". O texto, porém, não diz que as contradições o impossibilitam — pelo contrário, o eu lírico se reconhece justamente nesse processo: "Existo onde me desconheço". A contradição (combater e lutar) é parte do processo, não um obstáculo intransponível.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa diz que o presente reforça o "resgate do passado para que o eu lírico descubra um propósito na vida". O texto menciona o passado apenas como algo que o eu lírico "aguarda" ("aguardando pelo meu passado"), mas não há "resgate" nem "propósito" explícito. A ideia de "descobrir um propósito" é acrescentada de fora, sem apoio no poema.

Conclusão

A questão testa a relação entre tempo verbal e efeito de sentido. O presente do indicativo, no poema, não marca um momento pontual, mas um processo contínuo — a busca do eu lírico por autoconhecimento. As alternativas incorretas ou extrapolam (A, E), ou contradizem o texto (B, D). A correta é a letra C, que captura exatamente a permanência das ações em andamento.

Gabarito: letra C.

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