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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166874
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIMES
Ano
2026
Cargo
Vest ( )

Leia o poema “Identidade”, de Mia Couto, para responder a questão

 

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

 

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

 

Sou pólen sem insecto

 

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

 

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

 

No mundo que combato
morro
no mundo por que luto
nasço.

 

(Raiz de orvalho e outros poemas, 2009.)

No poema, o eu lírico mostra-se
  1. Acansado.
  2. Bsaudoso.
  3. Cconformado.
  4. Dpersistente.
  5. Ehesitante.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — persistente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Identidade do eu lírico: persistência e renascimento

Gabarito: letra D. O eu lírico mostra-se persistente porque, mesmo diante do mundo que combate, ele afirma que "no mundo por que luto / nasço" — ou seja, é na luta que ele encontra vida e renovação. Essa ideia de renascer pelo esforço é a marca da persistência, e não de cansaço, saudade, conformismo ou hesitação.

O comando pede uma interpretação do poema: não se trata de localizar uma informação explícita, mas de depreender o estado de espírito do eu lírico a partir das imagens e das antíteses que ele constrói. Para isso, é preciso ler o poema como um todo, captando o movimento que vai da fragmentação ("Sou grão de rocha", "Sou pólen sem insecto") à ação transformadora ("No mundo que combato / morro / no mundo por que luto / nasço").

O poema de Mia Couto trabalha com a ideia de identidade em constante construção: "Preciso ser um outro / para ser eu mesmo". Essa abertura já sugere um sujeito que não se conforma com o que é, mas que busca se transformar. As imagens da natureza (rocha, vento, pólen, areia) reforçam a ideia de forças que atuam e se transformam. O ponto decisivo, porém, está nas duas últimas estrofes: há um mundo que combato (onde ele "morre") e um mundo por que luto (onde ele "nasce"). A oposição entre "combater" e "lutar" não é gratuita: combater é resistir ao que é adverso; lutar é agir em favor de algo. É nessa ação, nesse empenho, que o eu lírico encontra o renascimento.

A persistência, portanto, não é uma simples teimosia, mas uma disposição para continuar existindo e se renovando mesmo diante das dificuldades. O eu lírico não desiste: ele "nasce" no mundo por que luta. Essa é a chave para eliminar as demais alternativas, que atribuem ao eu lírico sentimentos passivos (cansaço, saudade, conformismo) ou indecisos (hesitação), todos incompatíveis com a imagem final de renascimento pela luta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece adjetivos que poderiam ser plausíveis (cansado, saudoso, conformado, hesitante), mas que não encontram respaldo nas imagens do poema. A pegadinha está em escolher um sentimento que parece razoável, mas que não é sustentado pelas antíteses finais, que apontam para a persistência e o renascimento pela luta.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de interpretação de poema, sublinhe as antíteses e as imagens de ação. O estado de espírito do eu lírico raramente está explícito; ele se revela pelo movimento das ideias. Aqui, o verbo "nasço" é a pista decisiva: quem nasce, renasce, não desiste.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Cansado. O poema não traz nenhuma imagem de exaustão ou desânimo. O eu lírico fala em "combater" e "lutar", o que sugere energia e disposição, não cansaço. A alternativa extrapola ao atribuir um sentimento que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Saudoso. Não há referência a lembranças, nostalgia ou desejo de voltar ao passado. O eu lírico menciona "aguardando pelo meu passado", mas isso indica expectativa em relação ao futuro, não saudade. A alternativa tangencia o tema, pois o passado aparece, mas com outro sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Conformado. O eu lírico não se conforma: ele "combate" um mundo e "luta" por outro. A ideia de conformismo é oposta à de luta e renascimento. A alternativa contradiz o texto, que mostra um sujeito ativo e transformador.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Persistente. O eu lírico mostra-se persistente porque, mesmo diante do mundo que combate (onde "morre"), ele continua lutando e, nessa luta, "nasce". A persistência é a qualidade de quem não desiste, e é exatamente isso que o poema expressa na estrofe final:

"No mundo que combato / morro / no mundo por que luto / nasço."

A oposição entre "morro" e "nasço" reforça a ideia de que a luta é fonte de vida e renovação. O eu lírico persiste porque encontra sentido na ação, não na passividade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Hesitante. Hesitação é indecisão, dúvida. O eu lírico, ao contrário, demonstra clareza de propósito: ele sabe o que combate e pelo que luta. A alternativa contradiz o texto, que apresenta um sujeito decidido e engajado.

Conclusão: a persistência é a única qualidade que se sustenta integralmente no poema, ancorada na antítese final entre "morro" e "nasço". As demais alternativas ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o texto. Gabarito: letra D.

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