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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166882
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIMES
Ano
2026
Cargo
Vest ( )

Para responder a questão seguinte, leia o trecho de uma fala do escritor indígena Daniel Munduruku.

 

Para o povo Munduruku só existem dois tempos: o tempo do passado, que é o tempo da memória, e o tempo do presente, que é o tempo do agora. Na língua Munduruku, não existe a palavra futuro, simplesmente porque o futuro não existe. A língua Munduruku é concreta, ela opera a partir de coisas muito palpáveis, e o futuro, como vocês sabem, não é nada palpável. Ele é uma especulação. Não à toa, [...] é uma palavra que foi inventada pela economia. Existe alguém mais especulador que economista? Esse termo foi concebido numa tentativa de congelar um tempo que nós não temos. Por isso criaram os bancos e a poupança. A poupança é a garantia de felicidade. A aposentadoria é nossa segurança de que seremos felizes um dia, e o tempo inteiro jogamos a nossa expectativa de felicidade para um tempo que não temos. Dessa forma, vivemos buscando, não vemos a hora de nos aposentar para finalmente sermos felizes, não é mesmo? O povo Munduruku não tem a palavra futuro. Nós só temos o passado e o presente. E educamos as crianças dentro dessa perspectiva. (...) A gente nunca faz aquela famosa pergunta para uma criança: “O que você vai ser quando crescer?”. Você sabe disso? Alguém perguntou para vocês isso? E não fazemos essa pergunta por um motivo muito simples: as crianças não serão nada, porque elas já são tudo o que precisam ser, ou seja, são crianças. Cabe aos adultos darem todas as possibilidades para elas serem plenamente crianças. Porque, quando passa dos nove anos, ela se torna o que chamamos de adolescente… O adolescente é um menino ou menina de nove a quinze anos de idade. Essa é uma fase importante de crescimento, porque quando chegamos aos quinze já somos adultos [...]

 

(“O ato indígena de educar(se): uma conversa com Daniel Munduruku”. https://bienal.org.br 21.02.2017.)

Em sua fala, Daniel Munduruku defende um ponto de vista que
  1. Acritica a projeção excessiva da felicidade humana no futuro.
  2. Bpropõe a ausência de responsabilidade dos adultos com as crianças.
  3. Cvaloriza o passado como tempo ideal da existência humana.
  4. Dconsidera a língua dissociada do comportamento humano.
  5. Erejeita o planejamento da vida social pautado na coletividade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — critica a projeção excessiva da felicidade humana no futuro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ponto de vista de Daniel Munduruku sobre o futuro

Gabarito: letra A. Em sua fala, Daniel Munduruku critica a projeção excessiva da felicidade humana no futuro, como se lê na passagem em que afirma que "o tempo inteiro jogamos a nossa expectativa de felicidade para um tempo que não temos" e que "vivemos buscando, não vemos a hora de nos aposentar para finalmente sermos felizes". A crítica está ancorada na ideia de que o futuro é uma "especulação" inventada pela economia, e não algo palpável.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique o ponto de vista defendido pelo autor. Isso é uma questão de compreensão/interpretação global do texto: não se trata de localizar uma informação pontual, mas de sintetizar a tese que orienta toda a argumentação. A tese, em textos dissertativo-argumentativos como este, costuma aparecer na introdução ou na conclusão — e aqui ela está espalhada por todo o trecho, mas sempre apontando para a mesma direção: a crítica à obsessão pelo futuro.

O texto e o movimento argumentativo

O texto parte de uma constatação linguística — a língua Munduruku não tem a palavra "futuro" — para construir uma crítica à cultura ocidental. O autor explica que o futuro é uma invenção da economia, algo especulativo, e que essa invenção nos leva a adiar a felicidade:

"A poupança é a garantia de felicidade. A aposentadoria é nossa segurança de que seremos felizes um dia, e o tempo inteiro jogamos a nossa expectativa de felicidade para um tempo que não temos."

Esse é o núcleo da crítica: projetamos a felicidade no futuro, em vez de vivê-la no presente. A alternativa A é uma paráfrase fiel dessa ideia — "projeção excessiva da felicidade humana no futuro" é exatamente o que o autor descreve.

A técnica que decide

A armadilha central desta questão é a extrapolação: várias alternativas pegam elementos reais do texto (a língua, o passado, a educação das crianças) e os distorcem, acrescentando ideias que o autor não defende. O método é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?

  • A alternativa A parafraseia o texto — está correta.

  • As demais extrapolam ou contradizem o texto — estão erradas.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. O autor critica explicitamente a projeção da felicidade no futuro:

"o tempo inteiro jogamos a nossa expectativa de felicidade para um tempo que não temos. Dessa forma, vivemos buscando, não vemos a hora de nos aposentar para finalmente sermos felizes"

A expressão "projeção excessiva" é uma síntese fiel de "jogamos a nossa expectativa de felicidade para um tempo que não temos". Não há acréscimo de informação: a crítica está literalmente no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B contradiz o texto. O autor não propõe ausência de responsabilidade dos adultos; pelo contrário, afirma que "cabe aos adultos darem todas as possibilidades para elas serem plenamente crianças". Há uma responsabilidade explícita dos adultos em relação às crianças. A alternativa inverte o sentido do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C extrapola. O autor menciona o passado como "tempo da memória", mas não o valoriza como tempo ideal da existência. Ele apenas constata que, para os Munduruku, só existem passado e presente. Não há nenhuma passagem dizendo que o passado é superior ou ideal. A alternativa acrescenta um juízo de valor que o texto não contém.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D contradiz o texto. O autor afirma o oposto: a língua está diretamente ligada ao comportamento humano. Ele diz que a língua Munduruku "é concreta, ela opera a partir de coisas muito palpáveis" e que, por não ter a palavra futuro, o povo "educa as crianças dentro dessa perspectiva". A língua molda a visão de mundo e o comportamento. A alternativa inverte a relação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E extrapola e tangencia. O texto fala de uma cultura coletiva (os Munduruku), mas não discute planejamento da vida social pautado na coletividade. O autor critica a projeção no futuro, não o planejamento coletivo. A alternativa introduz um tema (planejamento social coletivo) que não está no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — pega elementos reais do texto (passado, língua, crianças, coletividade) e os distorce, acrescentando ideias que o autor não defende. A única alternativa que se limita a parafrasear o texto é a A.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "ponto de vista defendido", procure a tese — a ideia central que organiza a argumentação. Ela costuma aparecer na introdução ou na conclusão, e aqui está na passagem sobre a "expectativa de felicidade" jogada no futuro.

Gabarito: letra A — a única que parafraseia a crítica central do autor, sem extrapolar, contradizer ou tangenciar o texto.

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