Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166884
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIMES
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
Leia o poema “Poesia”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder a questão seguinte.
Gastei uma hora pensando um verso Que a pena não quer escrever No entanto ele está cá dentro inquieto, vivo. Ele está cá dentro E não quer sair. Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira.
(Alguma poesia, 2024.)
No poema, o eu lírico sugere que
Afazer poesia é um ofício complexo, que comumente o impede de pensar em outros assuntos.
Bfazer poesia é uma forma de renúncia, já que ela ganha vida às custas da vitalidade do poeta.
Ca poesia adquire vida autônoma e acaba por fazer do próprio poeta seu prisioneiro.
Da poesia não se limita ao pensar do poeta, ela também capta a vida que está ao redor dele.
Ea poesia não se reduz ao que pode ser escrito, ela é também um estado de consciência.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — a poesia não se reduz ao que pode ser escrito, ela é também um estado de consciência.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Poesia de Drummond: o que o eu lírico sugere
Gabarito: letra E. O poema sugere que a poesia não se reduz ao que pode ser escrito — ela é também um estado de consciência que "inunda" a vida do eu lírico. A passagem decisiva é o verso final: "Mas a poesia deste momento / inunda minha vida inteira." A conjunção "Mas" marca uma virada: mesmo sem conseguir escrever o verso, a poesia transborda para além do papel, tornando-se uma experiência interior que o envolve por completo.
O comando: o que a questão pede
O enunciado usa o verbo "sugere" — isso indica que a resposta não está literalmente escrita, mas deve ser inferida a partir das pistas do texto. Não se trata de localizar uma informação explícita (compreensão), mas de depreender uma ideia que o poema comunica indiretamente. A alternativa correta precisa ser uma paráfrase fiel do que o texto autoriza, sem acrescentar nada de fora.
O texto: tema e movimento argumentativo
O poema descreve o processo de criação poética: o eu lírico gasta uma hora pensando um verso que "a pena não quer escrever". O verso está "cá dentro, inquieto, vivo", mas "não quer sair". Até aqui, temos a dificuldade de expressão — a ideia não se materializa em palavras. No entanto, o último verso introduz uma reviravolta: "Mas a poesia deste momento / inunda minha vida inteira." O "Mas" opõe-se à frustração inicial: a poesia não depende do ato de escrever; ela já é uma vivência interior que preenche o eu lírico. É exatamente essa ideia que a alternativa E captura.
A técnica: como testar cada alternativa
A armadilha central desta questão é a extrapolação. O poema fala de um verso que "não quer sair" — e a banca tenta levar o candidato a interpretar isso como prisão, renúncia ou complexidade do ofício. Mas o texto não diz nada disso. Ele apenas descreve a dificuldade de escrever e, em seguida, afirma que a poesia inunda a vida. A alternativa correta é a que não ultrapassa esse limite: a poesia é mais do que o escrito — é um estado interior.
PEGA ESSA DICA!
Grife o comando ("sugere") e desconfie de alternativas que introduzem palavras como "prisioneiro", "renúncia" ou "impede" — elas quase sempre extrapolam o texto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto menciona que o eu lírico "gastei uma hora pensando um verso", mas não diz que isso o impede de pensar em outros assuntos. A palavra "comumente" generaliza uma situação pontual, e a ideia de "impedimento" não está em nenhum verso. O texto fala de uma dificuldade específica, não de uma característica geral do ofício.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação com opinião embutida. O poema não menciona "renúncia" nem diz que a poesia "ganha vida às custas da vitalidade do poeta". Essa é uma interpretação dramática que o texto não autoriza. O verso "inquieto, vivo" descreve o verso que não sai, mas não há relação de troca ou sacrifício. A alternativa acrescenta um juízo de valor que não está no poema.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação (metáfora levada ao extremo). O verso "não quer sair" pode sugerir que o verso está "preso" dentro do poeta, mas o texto não diz que a poesia "faz do poeta seu prisioneiro". Essa é uma leitura literal de uma metáfora, transformando uma dificuldade de expressão em uma relação de cárcere. O poema não fala de aprisionamento — fala de um verso que resiste, mas que, mesmo assim, a poesia "inunda" a vida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: tangencia o tema. A alternativa fala que a poesia "capta a vida que está ao redor" — mas o poema não menciona nada sobre o mundo exterior. Todo o texto é centrado no interior do eu lírico: o verso "cá dentro", a poesia que "inunda minha vida inteira". Não há referência a "vida ao redor". A alternativa foge ao escopo do poema.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta é uma paráfrase fiel do texto. O poema mostra que a poesia não se limita ao que pode ser escrito — o verso "não quer sair", mas a poesia "inunda minha vida inteira". Isso significa que a poesia é também um estado de consciência, uma vivência interior que independe da materialização em palavras. A conjunção "Mas" é a chave: ela introduz a ideia de que, mesmo sem o verso escrito, a poesia acontece dentro do eu lírico.
"Mas a poesia deste momento / inunda minha vida inteira."
Esse trecho prova que a poesia transcende o ato de escrever — ela é uma experiência que preenche o ser. Nenhuma outra alternativa captura essa ideia com tanta precisão.
Conclusão
A questão testa sua capacidade de inferir a partir de pistas textuais, sem extrapolar. A alternativa E é a única que permanece dentro do texto: a poesia não se reduz ao escrito, é um estado interior. As demais ou acrescentam ideias (prisão, renúncia, impedimento) ou fogem do tema (vida ao redor).