Considere os seguintes volumes de tipos de sangue disponíveis no banco de sangue de determinado hospital.
5 litros de sangue O+
4 litros de sangue O–
3 litros de sangue B+
2 litros de sangue B–
2 litros de sangue AB–
Um paciente com tipo sanguíneo B–, ao ser atendido nesse hospital para receber transfusão sanguínea, informou ao médico que há alguns meses havia recebido sangue incompatível ao sistema Rh. Dessa forma, o volume total de sangue disponível para a transfusão sanguínea nesse paciente equivale a
A2 litros.
B4 litros.
C5 litros.
D6 litros.
E9 litros.
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GabaritoD — 6 litros.
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Resolução
Gabarito: letra D — a conta chega a 6 litros — alternativa D.
A ideia por trás
A transfusão de sangue exige compatibilidade em dois sistemas: o ABO e o Rh. No sistema ABO, o que importa são os anticorpos presentes no plasma do receptor: se ele tem anticorpo anti-A, não pode receber hemácias com antígeno A; se tem anti-B, não pode receber hemácias com antígeno B. O fator Rh é um antígeno presente nas hemácias de pessoas Rh positivo; pessoas Rh negativo não o possuem e, se nunca foram expostas a sangue Rh+, não têm anticorpos anti-Rh. Porém, uma vez sensibilizadas (como no caso do paciente), passam a produzir anticorpos anti-Rh, e uma nova transfusão de sangue Rh+ causaria reação grave.
A regra prática é: o receptor só pode receber sangue que não tenha os antígenos contra os quais ele possui anticorpos. O grupo B possui anticorpo anti-A, então só pode receber sangue dos grupos B ou O (que não têm antígeno A). O fator Rh: se o paciente é Rh– e já foi sensibilizado, não pode receber sangue Rh+. Assim, o paciente B– sensibilizado só pode receber sangue B– ou O–. O sangue O– é doador universal porque não tem antígenos A, B ou Rh.
Esta questão cobra exatamente a combinação das duas regras: o paciente B– já sensibilizado ao Rh. É preciso descartar qualquer sangue com antígeno A (AB–) e qualquer sangue Rh+ (O+ e B+), restando apenas O– e B–.
O que a questão dá
5 litros de sangue O+
4 litros de sangue O–
3 litros de sangue B+
2 litros de sangue B–
2 litros de sangue AB–
paciente com tipo sanguíneo B–
paciente já recebeu sangue incompatível ao sistema Rh
O que queremos: o volume total de sangue disponível para transfusão nesse paciente
Passo 1 — Descartar o sangue AB– por ter antígeno A
O paciente é do grupo B, então seu plasma contém anticorpos anti-A. Isso significa que ele não pode receber sangue que tenha antígeno A, ou seja, sangue dos grupos A ou AB. Por isso, já descartamos o sangue AB– (2 litros).
NÃO CAIA NESSA!
Esquecer que o grupo B tem anti-A e incluir o sangue AB–, que tem antígeno A.
Passo 2 — Descartar os sangues Rh+ por causa da sensibilização
O paciente já recebeu sangue incompatível ao Rh, ou seja, já produziu anticorpos anti-Rh. Portanto, ele não pode receber sangue Rh+ (O+ e B+), pois isso causaria reação transfusional. Isso elimina 5 litros de O+ e 3 litros de B+.
NÃO CAIA NESSA!
Considerar apenas o sistema ABO e incluir os sangues Rh+, como O+ e B+, que são ABO-compatíveis mas incompatíveis no Rh.
Passo 3 — Somar os volumes dos sangues compatíveis
Após os descartes, restam apenas os sangues O– (4 litros) e B– (2 litros), que são compatíveis tanto no ABO quanto no Rh. Somamos esses volumes para obter o total disponível.
Por que esta fórmula: A soma direta dos volumes é a operação correta, pois são os únicos tipos que o paciente pode receber.
De onde vem cada valor: = enunciado: 4 litros de O– · = enunciado: 2 litros de B–
NÃO CAIA NESSA!
Somar também o AB– (2 litros) ou os Rh+, chegando a 8 ou mais litros.