Questão de Engenharia de Software — Análise de Pontos de Função (APF) — VUNESP 2023
Engenharia de Software›Análise de Pontos de Função (APF)
Código
vu196899
Banca
VUNESP
Órgão
SP Regula
Ano
2023
Cargo
ARSP ( )
Uma das métricas utilizadas para a medição da funcionalidade de um software denomina-se análise de pontos de função. Verificando os diversos elementos considerados na aplicação dessa técnica, é correto afirmar que
Auma das contagens realizadas refere-se ao número de desvios condicionais ou não presentes no software.
Buma das contagens realizadas refere-se à quantidade de analistas que realizaram o desenvolvimento do software.
Cutiliza um total de 14 fatores de ajuste, baseados em respostas a algumas perguntas.
Demprega fatores de ponderação que são classificados em abstrato e concreto.
Eo valor final dessa técnica situa-se entre os valores extremos zero e um.
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GabaritoC — utiliza um total de 14 fatores de ajuste, baseados em respostas a algumas perguntas.
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Análise de Pontos de Função (APF)
Gabarito: letra C. A APF, técnica criada por Allan Albrecht na IBM em 1979, mede o tamanho funcional do software sob a perspectiva do usuário, e após a contagem das funções de dados e transações, aplica-se um fator de ajuste composto por 14 características gerais do sistema (CGS), cada uma avaliada em uma escala de 0 a 5. É exatamente esse conjunto de 14 fatores que a alternativa C descreve corretamente.
A Análise de Pontos de Função é uma métrica de tamanho funcional, ou seja, mede o que o software faz do ponto de vista do usuário, independentemente da tecnologia, linguagem de programação ou da quantidade de pessoas envolvidas no desenvolvimento. O processo de contagem envolve identificar e classificar as funções de dados (Arquivos Lógicos Internos - ALI e Arquivos de Interface Externa - AIE) e as funções de transação (Entradas Externas - EE, Saídas Externas - SE e Consultas Externas - CE), atribuindo pesos conforme a complexidade (baixa, média ou alta). O resultado dessa contagem é o total de Pontos de Função Não Ajustados (PFNA).
Para chegar ao valor final, aplica-se o Fator de Ajuste (FA), que é calculado a partir das 14 Características Gerais do Sistema (CGS). Cada característica recebe um grau de influência de 0 (nenhuma) a 5 (influência forte), e a soma desses graus (chamada de Nível de Influência - NI) é usada na fórmula: FA = 0,65 + 0,01 × NI. Como o NI pode variar de 0 a 70, o FA varia de 0,65 a 1,35. O valor final em Pontos de Função é obtido multiplicando o PFNA pelo FA (PF = PFNA × FA).
As 14 CGS são: 1) Comunicação de Dados; 2) Processamento Distribuído; 3) Performance; 4) Configuração do Equipamento; 5) Volume de Transações; 6) Entrada de Dados Online; 7) Interface com o Usuário; 8) Atualização Online; 9) Processamento Complexo; 10) Reusabilidade; 11) Facilidade de Implantação; 12) Facilidade Operacional; 13) Múltiplos Locais; 14) Facilidade de Mudanças. É importante notar que essas características são respondidas por meio de perguntas sobre o sistema, e não sobre a equipe de desenvolvimento.
A banca explora a confusão entre o que a APF mede (funcionalidade) e o que ela não mede (esforço, pessoas, desvios de código). A APF é uma medida de tamanho, não de complexidade algorítmica ou de produtividade da equipe. O valor final não é normalizado entre 0 e 1, mas sim um número absoluto em Pontos de Função. Guarde bem a distinção entre as funções de dados/transação (que são contadas) e os fatores de ajuste (que são aplicados depois): é nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A APF não conta desvios condicionais ou não presentes no software. Isso se refere à complexidade estrutural do código, medida por métricas como complexidade ciclomática, que é uma métrica de complexidade, não de tamanho funcional. A APF conta funções de dados e funções de transação, que são definidas pela interação do usuário com o sistema, não pela estrutura interna do código.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A APF é independente da equipe de desenvolvimento. A quantidade de analistas que realizaram o desenvolvimento não influencia a contagem de pontos de função, pois a métrica mede a funcionalidade entregue ao usuário, não o esforço ou os recursos humanos empregados. Essa é uma confusão comum entre tamanho funcional e produtividade.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A APF utiliza exatamente 14 fatores de ajuste, que são as Características Gerais do Sistema (CGS). Cada uma dessas 14 características é avaliada por meio de perguntas sobre o sistema, recebendo um grau de influência de 0 a 5. A soma desses graus compõe o Nível de Influência (NI), que é usado na fórmula do Fator de Ajuste (FA = 0,65 + 0,01 × NI). O FA é então multiplicado pelos Pontos de Função Não Ajustados (PFNA) para obter o valor final em Pontos de Função.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os fatores de ponderação na APF são classificados por complexidade funcional: baixa, média e alta. Não existe classificação em "abstrato" e "concreto" na APF. Essa classificação é usada em outros contextos, como em tipos de dados ou em análise orientada a objetos, mas não na ponderação de pontos de função.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O valor final da APF não se situa entre zero e um. O resultado é um número absoluto em Pontos de Função, que pode ser qualquer valor inteiro positivo, dependendo do tamanho do software. O que varia entre 0,65 e 1,35 é o Fator de Ajuste (FA), que é um multiplicador, não o valor final da métrica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o Fator de Ajuste (que varia entre 0,65 e 1,35) com o valor final da métrica. O candidato que lembra que o FA é um multiplicador entre 0,65 e 1,35 pode achar que o valor final está entre 0 e 1, mas isso é um erro: o valor final é o PFNA multiplicado pelo FA, resultando em um número absoluto de pontos de função, que pode ser qualquer valor positivo.