Figuras de linguagem na tira: metonímia na fala da mulher
Gabarito: letra C. A fala da mulher — "Você é a minha cabeça" — emprega metonímia, pois substitui a pessoa (o homem) por uma parte do corpo (a cabeça), numa relação de proximidade (parte pelo todo). A alternativa C é a única que nomeia corretamente essa figura, como se vê na tira: a mulher não compara o homem a uma cabeça (o que seria metáfora), mas usa a parte para referir-se ao todo, recurso típico da metonímia.
O comando e o texto
A questão pede que você identifique a figura de linguagem presente na tira, com base na habilidade de analisar efeitos de sentido. Não se trata de interpretar o humor ou a crítica, mas de reconhecer o recurso expressivo usado na fala de um dos personagens. Para isso, é preciso dominar as definições das figuras e saber aplicá-las ao contexto.
Na tira, a mulher diz ao homem: "Você é a minha cabeça". Essa expressão não deve ser lida literalmente (o homem não é um órgão do corpo), mas também não é uma comparação implícita entre o homem e uma cabeça. O que ocorre é uma substituição: a mulher usa a palavra "cabeça" para referir-se ao homem, numa relação de parte pelo todo — a cabeça é uma parte do corpo humano, e o homem é o todo. Essa relação de proximidade é a essência da metonímia.
A técnica: metáfora × metonímia
A pegadinha central da questão está em distinguir metáfora de metonímia. Ambas são figuras de palavras que transferem sentido, mas de modos diferentes:
Critério | Metáfora | Metonímia |
|---|
Relação | Comparação implícita (semelhança) | Proximidade (contiguidade) |
Exemplo | "Ele é um leão" (valente) | "Li Machado de Assis" (obra pelo autor) |
Na tira | "Você é a minha cabeça" seria metáfora se significasse "você é inteligente como uma cabeça" | É metonímia porque "cabeça" substitui a pessoa (parte pelo todo) |
Na tira, a mulher não está dizendo que o homem é como uma cabeça (metáfora), mas que ele é a cabeça, ou seja, a parte que representa o todo — o homem é a pessoa que comanda, que pensa, que é a "cabeça" da relação. Essa substituição por proximidade é metonímia.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Metáfora seria uma comparação implícita por semelhança. Na fala "Você é a minha cabeça", não há comparação entre o homem e uma cabeça; há substituição de uma parte pelo todo. A banca oferece a metáfora como distratora porque ambas envolvem transferência de sentido, mas a relação aqui é de proximidade, não de semelhança.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Catacrese é o uso de uma palavra por falta de termo específico, como "braço da cadeira" ou "pé da mesa". Na tira, "cabeça" não é usada por falta de termo — há a palavra "homem" disponível. A catacrese é uma metáfora cristalizada pelo uso, o que não ocorre aqui.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A fala da mulher "Você é a minha cabeça" é um caso clássico de metonímia: a parte (cabeça) substitui o todo (a pessoa). Essa relação de proximidade é o que define a metonímia, como em "várias pernas passavam por ali" (parte pelo todo). A alternativa C nomeia corretamente a figura.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Hipérbole é o exagero intencional, como "morreu de rir". Na resposta do homem — que não foi transcrita, mas é o contraponto à fala da mulher — não há exagero; a figura está na fala da mulher, não na resposta. Além disso, a resposta do homem não é o foco da questão, que pede a figura na fala da mulher.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Antítese é a oposição de ideias, como "o amor e o ódio". Na fala da mulher não há palavras ou expressões de sentido contrário; há apenas a substituição metonímica. A antítese não se aplica ao trecho.
Fechamento
A regra de ouro: ao identificar figuras de linguagem, pergunte que relação o termo estabelece com o que substitui. Se for semelhança, é metáfora; se for proximidade (parte/todo, autor/obra, causa/efeito), é metonímia. Na tira, "cabeça" substitui a pessoa por uma relação de parte-todo — metonímia.
Gabarito: letra C.