Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — VUNESP 2024

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
vu205858
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Aparecida (SP)
Ano
2024
Cargo
Prof ( )

Professores que encantam: quem são e o que fazem

 

Na cultura oriental, afirma-se que nenhum profissional é tão admirado e respeitado quanto o professor. Para se ter uma ideia do grau de apreço que lhe é conferido no Japão, por exemplo, costuma-se dizer que a única pessoa que não precisa se curvar diante do imperador é exatamente o professor. Ainda que seja mito, esse tratamento distinto não deixa de ter algum fundamento lógico, especialmente se considerarmos que sem professores não podem existir “bons imperadores”, pelo menos nos países minimamente civilizados. Na verdade, seria um gesto de submissão da autoridade legal à autoridade que vem do conhecimento.

 

De fato, na base de todo o progresso que a nossa civilização tem experimentado, sempre encontramos o professor como personagem insubstituível no processo de produção e difusão do saber. Nas sociedades baseadas no conhecimento, é praticamente impossível encontrar alguém que, de alguma forma, não reconheça o valor desse profissional. Alguns conseguem encantar pelo esmero didático; outros, pela relevância das atividades de pesquisa a que se dedicam. Mas, no geral, professores que se tornam inesquecíveis são aqueles que marcam a vida dos seus alunos e da sociedade como um todo com o trabalho que realizam.

 

Importa esclarecer, contudo, que encantar não significa transformar a sala de aula ou os laboratórios num parque de diversões. Pelo contrário: encantar significa ajudar o aluno a pensar, a superar suas dificuldades e a dar um passo à frente rumo à concretização de seus ideais. Para tanto, não basta ministrar aulas atraentes ou divertidas. Mais que isso, é preciso transformar a sala de aula num espaço de superação das dificuldades, do preconceito, das barreiras familiares, sociais e das próprias limitações. Isso pressupõe humanizar-se a sala de aula, trabalhar valorizando-se as etnias, a diversidade cultural, as crenças, a individualidade do aluno, seus sonhos e seu projeto de vida.

 

Apesar de toda a dedicação e de todo o esforço que o professor empreende para promover o homem, alguns ainda são duramente ameaçados ou recebem como prêmio a morte no ambiente de trabalho, como temos visto recentemente. Triste é o país que desencanta, aniquila e mata seus professores. É bom lembrar que isso pode ser feito por diferentes meios. Assim agindo, a sociedade está matando o seu próprio futuro. Sim, porque a história comprova que sem professores e escolas capazes de “encantar” não há garantia de futuro melhor – e muito menos de justiça social.

 

(José Maria Dias Filho, “Professores que encantam: quem são e o que fazem”. Folha de S.Paulo, 29.07.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão abaixo.   Com base em Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), o texto é um
  1. Arelato de experiência vivida, no qual prevalece a sequência tipológica narrativa para a organização dos fatos.
  2. Bartigo de opinião, no qual prevalece a sequência tipológica argumentativa para a abordagem e discussão do tema.
  3. Cdiscurso de acusação, no qual prevalece a sequência tipológica expositiva para elucidar as injustiças apontadas.
  4. Dresumo explicativo, no qual prevalece a sequência tipológica da descrição para detalhar a situação apresentada.
  5. Eensaio biográfico, no qual prevalece a sequência tipológica injuntiva para chamar a atenção do leitor ao problema.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — artigo de opinião, no qual prevalece a sequência tipológica argumentativa para a abordagem e discussão do tema.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gênero e tipologia: artigo de opinião com sequência argumentativa

Gabarito: letra B. O texto é um artigo de opinião — gênero jornalístico em que o autor defende uma tese — e nele prevalece a sequência tipológica argumentativa, pois o autor sustenta a importância do professor e critica a sociedade que o desvaloriza. A pista decisiva está na tese explícita e nos conectivos argumentativos que organizam a defesa, como se vê no trecho: "Triste é o país que desencanta, aniquila e mata seus professores" — juízo de valor que só existe em texto opinativo.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique, com base em Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), o gênero textual e a sequência tipológica predominante. Isso exige distinguir dois conceitos que a banca adora confundir:

  • Gênero textual: a forma concreta e socialmente reconhecida do texto (artigo de opinião, relato, resumo, ensaio...).

  • Tipo textual (ou sequência tipológica): o modo de organização do discurso (narrativo, descritivo, expositivo, argumentativo, injuntivo).

O comando "o texto é um..." pede o gênero; "no qual prevalece a sequência tipológica..." pede o tipo. A alternativa correta precisa acertar os dois.

O texto: tese e movimento argumentativo

O texto defende a tese de que o professor é insubstituível e merece respeito, e critica a sociedade que o desvaloriza. Veja a estrutura:

  • 1º parágrafo: apresenta a tese — o professor é admirado e respeitado, pois sem ele não há "bons imperadores".

  • 2º parágrafo: reforça a tese — o professor é "personagem insubstituível" na produção e difusão do saber.

  • 3º parágrafo: esclarece o que é "encantar" — não é entreter, é ajudar o aluno a superar dificuldades.

  • 4º parágrafo: conclui com uma crítica contundente — "Triste é o país que desencanta, aniquila e mata seus professores".

O autor não narra fatos, não descreve objetos, não dá instruções: ele defende um ponto de vista com argumentos. Isso é a essência da argumentação.

A técnica que decide: gênero × tipo

Para acertar, você precisa:

  1. Identificar o gênero: o texto foi publicado na Folha de S.Paulo, tem autor nomeado (José Maria Dias Filho) e defende uma opinião — isso é artigo de opinião.

  2. Identificar a sequência tipológica: o texto é organizado em tese → argumentos → conclusão, com conectivos como "De fato", "Mas", "Pelo contrário", "Apesar de" — isso é argumentação.

A pegadinha da banca está em oferecer gêneros plausíveis (relato, discurso, resumo, ensaio) com tipologias incompatíveis. A letra B é a única em que gênero e tipo se alinham.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de gênero e tipo. O texto não é um relato de experiência vivida — não há narrador contando fatos pessoais em sequência cronológica. Também não prevalece a narração: não há personagens, enredo, clímax ou verbos no pretérito predominantes. O autor argumenta, não narra.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O texto é um artigo de opinião (gênero jornalístico opinativo) e nele prevalece a sequência argumentativa: o autor defende a tese de que o professor é insubstituível e critica a sociedade que o desvaloriza. A passagem que comprova a tese é:

"Triste é o país que desencanta, aniquila e mata seus professores."

Esse juízo de valor, somado aos conectivos argumentativos ("De fato", "Pelo contrário", "Apesar de"), caracteriza a argumentação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de gênero e tipo. O texto não é um discurso de acusação — não há acusação formal contra alguém, e sim uma crítica social. Também não prevalece a exposição: o autor não se limita a informar; ele defende uma tese. A exposição é neutra; o texto é opinativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de gênero e tipo. O texto não é um resumo explicativo — não resume outra obra. Também não prevalece a descrição: não há caracterização estática de pessoas, objetos ou ambientes. O autor argumenta, não descreve.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de gênero e tipo. O texto não é um ensaio biográfico — não conta a vida de alguém. Também não prevalece a injunção: não há instruções, ordens ou verbos no imperativo. O autor argumenta, não prescreve.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre gênero e tipo textual. Cada distratora oferece um gênero plausível (relato, discurso, resumo, ensaio) com uma tipologia incompatível. A letra B é a única em que os dois se alinham.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a tipologia, pergunte: qual é a intenção do autor? Narrar? Descrever? Expor? Convencer? Instruir? Se o autor defende uma tese, é argumentativo.

Conclusão: a resposta é a letra B, pois o texto é um artigo de opinião com sequência argumentativa predominante. As demais alternativas erram ao atribuir gêneros e tipos que não correspondem à intenção do autor.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/vu205858