Questão de Português — Variações da Linguagem: Não Verbal, Regional, Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos — VUNESP 2024
Português›Variações da Linguagem: Não Verbal, Regional, Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos
Código
vu205869
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Aparecida (SP)
Ano
2024
Cargo
Prof ( )
Considere a imagem. (Bortoni-Ricardo: 2004) De acordo com Bortoni-Ricardo, considera-se um traço como descontínuo aquele que pode ser estigmatizado nas comunidades urbanas. O termo empregado por Chico Bento que exemplifica um traço descontínuo é
Afeiz.
Bcomprá.
Cpra.
Dbiete.
Evendido.
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GabaritoD — biete.
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Traço descontínuo na fala de Chico Bento: o estrangeirismo estigmatizado
Gabarito: letra D. O traço descontínuo — aquele que pode ser estigmatizado nas comunidades urbanas — é "biete", porque se trata de um estrangeirismo (adaptação de beef ou bife) que foge completamente ao padrão urbano e carrega forte marca rural, sendo alvo de preconceito linguístico. As demais formas (feiz, comprá, pra, vendido) são variações comuns na fala popular e, embora informais, não são tão estigmatizadas quanto o empréstimo lexical.
Para resolver, é preciso entender a distinção que Bortoni-Ricardo faz entre traços contínuos e traços descontínuos na variação linguística. Os contínuos são aqueles que aparecem em gradação na fala urbana e rural, sem grande estigma (ex.: reduções como pra, tá, cê). Os descontínuos são os que marcam fortemente a fala rural e, quando usados na cidade, sofrem estigmatização — são vistos como "erro grosseiro" ou "fala de caipira".
A imagem de Chico Bento, personagem de Mauricio de Sousa, é um clássico exemplo de fala rural caipira. Na tirinha, ele usa várias formas não padrão, mas a banca quer identificar qual delas é descontínua, ou seja, a que mais se distancia da norma urbana e, por isso, é alvo de preconceito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre traços contínuos e descontínuos. O candidato pode achar que "feiz" (troca de fiz por feiz) ou "comprá" (supressão do r final) são os mais "errados", mas esses são traços contínuos — ocorrem também na fala urbana informal. O descontínuo é o estrangeirismo "biete", que não tem paralelo na cidade.
Traços (Bortoni-Ricardo)
1Contínuos
Presentes na fala urbana e rural
Pouco estigmatizados
Ex.: feiz, comprá, pra
2Descontínuos
Marcam a fala rural
Estigmatizados na cidade
Ex.: biete (estrangeirismo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"feiz" é uma forma verbal não padrão (em vez de fiz), mas é um traço contínuo: a troca de fiz por feiz ocorre em diversas regiões e até na fala urbana informal, sem grande estigma. Não é o exemplo de traço descontínuo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"comprá" (supressão do r final em comprar) é uma redução comum na fala popular, também presente em contextos urbanos informais. É um traço contínuo, não descontínuo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"pra" (redução de para) é uma forma amplamente usada em todo o Brasil, inclusive na fala urbana coloquial. É um traço contínuo por excelência — não sofre estigmatização relevante.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"biete" é um estrangeirismo (adaptação de beef ou bife) típico da fala rural caipira. Esse tipo de empréstimo lexical, sem correspondência na norma urbana, é um traço descontínuo: quando usado na cidade, é imediatamente estigmatizado como "fala de caipira" ou "erro grosseiro". É exatamente o que Bortoni-Ricardo classifica como descontínuo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"vendido" é a forma padrão do particípio de vender. Não há variação estigmatizada aqui — é a forma correta, portanto não pode ser traço descontínuo.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar traço descontínuo, pergunte: "essa forma seria ridicularizada se usada na cidade?" Se sim, é descontínuo. Reduções como pra, tá, cê são contínuas; estrangeirismos rurais como biete são descontínuos.