Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218071
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SP
Ano
2025
Cargo
AuxP
Mulheres... Mulheres
Duas donas muito próximas me vieram contar a mesma estória. Paradas por um polícia de trânsito e ao indagarem se tinham feito algum erro, ouviram do agente a mesma justificação: temos de controlar os documentos, é que agora as mulheres estão a cometer muito. Temos a ideia, talvez errada, que as mulheres conduzem com mais prudência, chegando mesmo a dificultarem a fluidez do tráfego pela sua lentidão, que se não enganam quanto aos sinais e respeitam as prioridades, que nunca se enervam nem insultam os outros motoristas, etc., etc. Pois, a julgar pelo que dizem estes polícias, elas cometem cada vez mais infrações, começando por não terem carta de condução*, não usarem documentos das viaturas* e se especializarem em manobras perigosas neste já catastrófico trânsito de Luanda. Pasmei, mas eram duas testemunhas independentes.
Não tenho dados para discutir se têm aumentado os atos ilícitos ou criminalidade por parte das mulheres. Claro, conheço casos de senhoras apanhadas em tráfico de drogas nos aeroportos e homicídios praticados por elas, alguns mesmo com relevância midiática. E, de vez em quando, presencio cenas de pancadaria envolvendo as “divinas”, embora nunca em estádio de futebol, apesar de aumentar o número de assistentes femininas nos desafios. A violência no futebol parece ainda ser atributo masculino.
(Pepetela. Crónicas Maldispostas, 2015. Adaptado)
* carta de condução: carteira de habilitação.
* viaturas: carros.
Leia o texto a seguir para responder a questão seguinte: Considere o trecho: “... as mulheres conduzem com mais prudência, chegando mesmo a dificultarem a fluidez do tráfego pela sua lentidão, que se não enganam quanto aos sinais e respeitam as prioridades, que nunca se enervam nem insultam os outros motoristas, etc., etc.” (1o parágrafo) As informações contidas nesse trecho são ideias
Adas autoridades sobre o comportamento feminino no trânsito.
Bdos guardas sobre o comportamento feminino no trânsito.
Cpostas na lei sobre o comportamento feminino no trânsito.
Destrangeiras sobre o comportamento feminino no trânsito.
Edo senso comum sobre o comportamento feminino no trânsito.
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GabaritoE — do senso comum sobre o comportamento feminino no trânsito.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Compreensão de texto: as ideias sobre as mulheres no trânsito
Gabarito: letra E. As informações do trecho são ideias do senso comum sobre o comportamento feminino no trânsito. O autor as apresenta como uma crença generalizada e não comprovada — ele mesmo diz: "Temos a ideia, talvez errada" —, o que as caracteriza como opiniões populares, e não como posição de autoridades, guardas, lei ou estrangeiros. A pista decisiva está na expressão "Temos a ideia", que indica uma visão coletiva e difusa, típica do senso comum.
O comando: compreensão (recorrência)
O enunciado pede que você identifique de quem são as ideias contidas no trecho. Isso é uma questão de compreensão/recorrência: a resposta está explícita no texto, basta localizar a passagem que revela a origem dessas ideias. Não há inferência a fazer — o autor deixa claro, no próprio parágrafo, que se trata de uma "ideia" que "temos", ou seja, uma crença compartilhada socialmente.
O texto: a tese e o movimento argumentativo
No 1º parágrafo, o cronista relata que duas donas de casa ouviram de um polícia que as mulheres "estão a cometer muito" infrações. Em seguida, ele contrapõe essa fala com a imagem tradicional que se tem das mulheres ao volante:
"Temos a ideia, talvez errada, que as mulheres conduzem com mais prudência, chegando mesmo a dificultarem a fluidez do tráfego pela sua lentidão, que se não enganam quanto aos sinais e respeitam as prioridades, que nunca se enervam nem insultam os outros motoristas, etc., etc."
O trecho destacado é a chave: o autor não atribui essas ideias a uma fonte específica (autoridades, guardas, lei), mas a um "nós" coletivo — "Temos a ideia". Esse "nós" representa a opinião popular, o senso comum, aquilo que "todo mundo acha" sem necessariamente ter comprovação. A expressão "talvez errada" reforça que se trata de uma crença não verificada, característica típica do senso comum.
A técnica: distinguir a fonte das ideias
A questão testa sua capacidade de identificar a origem do discurso. Repare:
O polícia é quem relata as infrações, mas não é a fonte das ideias sobre prudência, lentidão, respeito aos sinais etc.
As ideias do trecho são apresentadas como algo que "temos" — um conhecimento compartilhado, uma crença popular.
O autor, ao dizer "talvez errada", se distancia dessas ideias, tratando-as como preconceito ou estereótipo, não como fato ou posição oficial.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. As ideias não são das "autoridades". O texto não menciona nenhuma autoridade (governo, órgão de trânsito) como fonte dessas opiniões. O autor fala em "Temos a ideia", referindo-se a uma crença coletiva, não a uma posição institucional. Atribuir essas ideias a autoridades é acrescentar informação que o texto não traz.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: troca de referente. Os guardas aparecem no texto, mas como relatores das infrações, não como autores das ideias sobre prudência e lentidão. O polícia diz que as mulheres "estão a cometer muito" infrações — isso é o relato dele. Já as ideias do trecho (prudência, respeito aos sinais) são apresentadas como crença geral: "Temos a ideia". A alternativa confunde quem relata com quem pensa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: fora do escopo. O texto não menciona nenhuma lei sobre o comportamento feminino no trânsito. A palavra "lei" não aparece em nenhum momento. As ideias do trecho são opiniões, não dispositivos legais. A alternativa tangencia o tema, falando de algo que o texto não aborda.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: fora do escopo. O texto não diz que essas ideias são de "estrangeiros". A crônica se passa em Luanda, Angola, e o autor é angolano (Pepetela). Não há nenhuma referência a estrangeiros ou a uma visão estrangeira sobre as mulheres. A alternativa inventa uma informação que não existe no texto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta: paráfrase fiel do texto. A expressão "Temos a ideia, talvez errada" é a prova textual de que se trata de uma crença popular, do senso comum. O autor generaliza: "Temos" = nós, as pessoas, a sociedade. E o adjetivo "talvez errada" indica que é uma opinião não comprovada, exatamente o que caracteriza o senso comum. A alternativa reescreve com outras palavras o que o texto diz: as ideias são do senso comum.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a troca de referente. O polícia aparece no texto, então o candidato marca "guardas" (B) sem perceber que o guarda é quem relata as infrações, não quem pensa que as mulheres são prudentes. A pista "Temos a ideia" desloca a autoria para o coletivo.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife os pronomes e expressões de posse ("Temos", "nossa", "deles"). Eles revelam de quem é a opinião. Aqui, "Temos a ideia" é a assinatura do senso comum.
Gabarito: letra E — as ideias do trecho são do senso comum, como prova a expressão "Temos a ideia, talvez errada".