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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2025

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu218074
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SP
Ano
2025
Cargo
AuxP

Mulheres... Mulheres

 

Duas donas muito próximas me vieram contar a mesma estória. Paradas por um polícia de trânsito e ao indagarem se tinham feito algum erro, ouviram do agente a mesma justificação: temos de controlar os documentos, é que agora as mulheres estão a cometer muito. Temos a ideia, talvez errada, que as mulheres conduzem com mais prudência, chegando mesmo a dificultarem a fluidez do tráfego pela sua lentidão, que se não enganam quanto aos sinais e respeitam as prioridades, que nunca se enervam nem insultam os outros motoristas, etc., etc. Pois, a julgar pelo que dizem estes polícias, elas cometem cada vez mais infrações, começando por não terem carta de condução*, não usarem documentos das viaturas* e se especializarem em manobras perigosas neste já catastrófico trânsito de Luanda. Pasmei, mas eram duas testemunhas independentes.

 

Não tenho dados para discutir se têm aumentado os atos ilícitos ou criminalidade por parte das mulheres. Claro, conheço casos de senhoras apanhadas em tráfico de drogas nos aeroportos e homicídios praticados por elas, alguns mesmo com relevância midiática. E, de vez em quando, presencio cenas de pancadaria envolvendo as “divinas”, embora nunca em estádio de futebol, apesar de aumentar o número de assistentes femininas nos desafios. A violência no futebol parece ainda ser atributo masculino.

 

(Pepetela. Crónicas Maldispostas, 2015. Adaptado)

 

* carta de condução: carteira de habilitação.

* viaturas: carros.

Leia o texto a seguir para responder a questão seguinte:

 

Na frase “E, de vez em quando, presencio cenas de pancadaria envolvendo as ‘divinas’...” (2° parágrafo), a ação expressa pela forma verbal destacada

  1. Aocorrerá no futuro.
  2. Bé uma possibilidade.
  3. Cocorreu no passado.
  4. Drepete-se.
  5. Eestá concluída.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — repete-se.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor do presente do indicativo: habitualidade em "presencio"

Gabarito: letra D. A forma verbal "presencio" está no presente do indicativo, e o contexto — "de vez em quando" — revela que a ação se repete com certa frequência, não é um fato pontual, futuro, hipotético ou concluído. A pista decisiva está no adjunto adverbial de frequência que acompanha o verbo, como se lê no 2º parágrafo.

"E, de vez em quando, presencio cenas de pancadaria envolvendo as 'divinas'..."

O advérbio "de vez em quando" indica que o ato de presenciar não é único nem contínuo, mas recorrente — ocorre de tempos em tempos. É exatamente esse o valor do presente do indicativo quando expressa hábito ou rotina, um dos usos clássicos desse tempo verbal.

O comando: o que a banca pede

A questão não pergunta o tempo do verbo (presente, passado, futuro), mas o valor semântico que a forma assume no contexto. Isso é uma cobrança de aspecto verbal — a maneira como a ação é apresentada em relação à sua duração, repetição ou conclusão. O verbo está no presente do indicativo, mas o que importa é o efeito de sentido que ele produz na frase: uma ação que se repete.

O texto: onde mora a resposta

No 2º parágrafo, o cronista relata que, de vez em quando, presencia cenas de pancadaria envolvendo mulheres. A expressão "de vez em quando" é um marcador de frequência — ela não descreve um evento único, mas uma série de eventos que se repetem com intervalos. O presente do indicativo, nesse uso, é chamado de presente habitual ou presente iterativo: indica ações que se repetem no tempo, como em "Eu corro todos os dias" ou "Ele almoça cedo".

A técnica: presente habitual × presente pontual

O presente do indicativo tem vários valores. Veja a diferença:

Valor

Exemplo

Efeito

Habitual

"Eu corro todos os dias"

Ação que se repete

Pontual

"Agora eu como uma maçã"

Ação que ocorre no momento da fala

Atemporal

"A água ferve a 100°C"

Verdade permanente

Histórico

"Em 1500, Cabral chega ao Brasil"

Fato passado narrado no presente

Futuro próximo

"A novela começa hoje"

Ação futura iminente

No trecho, o marcador "de vez em quando" obriga a leitura habitual: a ação de presenciar pancadaria não é única, mas recorrente. Se o autor quisesse indicar um fato pontual, diria "presenciei" (pretérito perfeito) ou "presencio agora". Se quisesse indicar futuro, usaria "presenciarei". A presença do advérbio de frequência é a chave.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Ocorrerá no futuro. O verbo "presencio" está no presente do indicativo, não no futuro. Não há nenhum marcador de futuro na frase (como "amanhã", "depois", "vou presenciar"). A alternativa extrapola o texto ao projetar a ação para um tempo que não está indicado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

É uma possibilidade. O presente do indicativo expressa certeza, fato, não possibilidade. A possibilidade seria marcada pelo subjuntivo ("talvez eu presencie") ou por locuções como "pode ser que". O autor afirma que presenciar é um fato que acontece — não uma hipótese. A alternativa confunde modo verbal: troca o valor do indicativo pelo do subjuntivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Ocorreu no passado. O verbo está no presente, não no pretérito. Se fosse passado, seria "presenciei" (pretérito perfeito) ou "presenciava" (pretérito imperfeito). A alternativa contradiz o texto, que usa o presente do indicativo para indicar uma ação que se repete no tempo atual.

Alternativa D — ✅ Correta

Repete-se. O presente do indicativo, acompanhado do adjunto "de vez em quando", expressa habitualidade: a ação de presenciar pancadaria ocorre repetidamente, com intervalos. É o chamado presente habitual ou iterativo. A alternativa é a única que capta o valor aspectual do verbo no contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Está concluída. Ação concluída seria expressa pelo pretérito perfeito ("presenciei") ou pelo pretérito mais-que-perfeito ("presenciara"). O presente do indicativo não indica conclusão; ao contrário, indica uma ação que ainda ocorre — e, no caso, se repete. A alternativa contradiz o texto, que apresenta a ação como recorrente, não acabada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tempo (presente) e o aspecto (habitualidade). O verbo está no presente, mas a questão não pergunta o tempo — pergunta o valor que a forma assume no contexto. O marcador "de vez em quando" é a pista que decide.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar um verbo no presente, pergunte: há um adjunto de frequência ("sempre", "de vez em quando", "todos os dias")? Se sim, o valor é habitual. Se não, pode ser pontual, atemporal ou histórico. O contexto manda.

Gabarito: letra D. A forma "presencio" expressa uma ação que se repete, como indica o adjunto "de vez em quando". As demais alternativas ou extrapolam (futuro, possibilidade) ou contradizem o texto (passado, conclusão).

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