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Questão de Português — Formação e Estrutura das Palavras — VUNESP 2025

PortuguêsFormação e Estrutura das Palavras
Código
vu218237
Banca
VUNESP
Órgão
FICSAE
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

o rebanho e o homem

 

O rebanho trafega com tranquilidade o caminho:

é sempre uma surpresa ao rebanho que ele chegue

ao campo ou ao matadouro.

Nenhuma raiva

nenhuma esperança o rebanho leva,

pouco importa que a flor sucumba aos cascos

ou ainda que sobreviva.
Nenhuma pergunta o rebanho não diz:

até na sede ele é tranquilo até na guerra ele é mudo —

o rebanho não pronuncia,

usa a luz mas nunca explica a sua falta

usa o alimento sem nunca se perguntar.

Sobre o rebanho o sexo

que ele nunca explicava

e as fêmeas cobertas

recebem a fecundidade sem admiração.

A morte ele desconhece, e a sua vida,

no rebanho não há companheiros

há cada corpo em si sem lucidez alguma.
O rebanho não vê a cara dos homens

aceita o caminho e vai escorrendo

num andar pesado sobre os campos.

 

(Heloisa Buarque de Hollanda (org.). 26 poetas hoje: antologia, 2021.)

Leia o poema de José Carlos Capinan (1941-) para responder à questão.     As palavras podem mudar de classe gramatical sem sofrer modificação na forma. Basta antepor-se o artigo a qualquer vocábulo da língua para que ele se torne um substantivo. A esse processo de enriquecimento vocabular pela mudança de classe das palavras dá-se o nome de derivação imprópria. (Celso Cunha e Luís F. Lindley Cintra. Nova gramática do português contemporâneo, 2001. Adaptado.)   Identifica-se uma palavra formada por derivação imprópria em:
  1. A“Nenhuma pergunta o rebanho não diz:” (8o verso)
  2. B“usa a luz mas nunca explica a sua falta” (12o verso)
  3. C“A morte ele desconhece, e a sua vida,” (18o verso)
  4. D“O rebanho não vê a cara dos homens” (21o verso)
  5. E“num andar pesado sobre os campos.” (23o verso)
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GabaritoE — “num andar pesado sobre os campos.” (23o verso)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Derivação imprópria: a substantivação de "andar" no poema

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que uma palavra muda de classe gramatical sem alteração na forma: o verbo "andar" (infinitivo) é substantivado pelo artigo "um" em "num andar pesado". Como se lê no 23º verso, "num andar pesado sobre os campos", o termo "andar" deixa de indicar a ação de caminhar e passa a nomear o modo de caminhar — exatamente o que o texto de Celso Cunha define como derivação imprópria: "Basta antepor-se o artigo a qualquer vocábulo da língua para que ele se torne um substantivo".

O comando: identificar a palavra formada por derivação imprópria

A questão pede que você identifique — não que interprete o poema — um caso de derivação imprópria. Isso é uma tarefa de conceito gramatical aplicado ao texto: você precisa reconhecer, em cada verso, se alguma palavra sofreu conversão de classe (mudança de classe sem mudança de forma). O comando "Identifica-se" indica que a resposta está explícita no verso, bastando aplicar a definição dada no enunciado.

O texto: o poema "O rebanho e o homem"

O poema de José Carlos Capinan descreve o rebanho como um ser passivo, que segue o caminho sem questionar, sem esperança, sem consciência da morte. O movimento do rebanho é descrito no último verso: "aceita o caminho e vai escorrendo num andar pesado sobre os campos". É nesse trecho que mora a resposta: "andar" é originalmente um verbo (infinitivo), mas aqui vem precedido do artigo indefinido "um" (contraído com a preposição "em": "num"), o que o transforma em substantivo — o substantivo "andar" = modo de andar, jeito de caminhar.

A técnica: como reconhecer a derivação imprópria

A derivação imprópria (também chamada conversão) ocorre quando uma palavra muda de classe gramatical sem sofrer alteração na forma. O processo mais comum é a substantivação: antepõe-se um artigo (ou outro determinante) a qualquer palavra — verbo, adjetivo, advérbio, conjunção, até mesmo uma frase inteira — e ela passa a funcionar como substantivo. Exemplos clássicos: "o olhar da menina" (verbo → substantivo), "o porém" (conjunção → substantivo), "o amanhã" (advérbio → substantivo).

No verso E, temos exatamente isso: "andar" é verbo no infinitivo (andar = caminhar), mas o artigo "um" o substantiva, fazendo-o nomear o modo de andar. A prova está na própria definição do enunciado: "Basta antepor-se o artigo a qualquer vocábulo da língua para que ele se torne um substantivo".

"num andar pesado sobre os campos" (23º verso)

O artigo "um" (em "num") é o gatilho da substantivação. Sem ele, "andar" seria verbo; com ele, é substantivo.

Análise das alternativas

Derivação imprópria (conversão)
  • 1Mudança de classe sem alterar a forma
  • 2Substantivação (caso mais comum)
    • Artigo anteposto a qualquer vocábulo
    • Verbo → substantivo
      • "o olhar"
      • "o andar"
    • Conjunção → substantivo
      • "o porém"
    • Advérbio → substantivo
      • "o amanhã"
  • 3Como identificar
    • Palavra já era substantivo? → não é
    • Artigo anteposto a verbo no infinitivo? → é
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Nenhuma pergunta o rebanho não diz:" (8º verso)

Aqui, "pergunta" é substantivo desde a origem — não houve mudança de classe. O verbo da oração é "diz". Não há derivação imprópria. A banca tenta confundir com a ideia de que "pergunta" poderia ser verbo (do verbo perguntar), mas no contexto é claramente substantivo, sem conversão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"usa a luz mas nunca explica a sua falta" (12º verso)

"luz" e "falta" são substantivos já consagrados na língua. "Falta" poderia ser forma do verbo faltar, mas aqui é substantivo (a falta de luz). Não há mudança de classe: são substantivos de origem. A pegadinha é a forma "falta" que lembra o verbo, mas o contexto (precedido do artigo "a" e do possessivo "sua") a fixa como substantivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A morte ele desconhece, e a sua vida," (18º verso)

"morte" e "vida" são substantivos abstratos de origem — não houve conversão. A banca pode tentar atrair com "morte" (que lembra o verbo morrer), mas é substantivo primitivo. Não há derivação imprópria.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"O rebanho não vê a cara dos homens" (21º verso)

"cara" é substantivo (rosto) — uso denotativo, sem mudança de classe. Não há conversão. A palavra "cara" também pode ser adjetivo (caro), mas aqui é substantivo, e não houve mudança de classe no contexto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"num andar pesado sobre os campos." (23º verso)

"andar" é verbo no infinitivo (ação de caminhar) que, anteposto ao artigo "um" (em "num"), torna-se substantivo — nomeia o modo de caminhar. É o caso clássico de derivação imprópria por substantivação, exatamente como define o enunciado. Nenhuma outra alternativa apresenta palavra que mude de classe sem alteração de forma.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre palavras que parecem verbos (pergunta, falta, morte, cara) mas são substantivos de origem, e a única que realmente sofre conversão é "andar". Fique atento ao artigo: ele é o sinal de que houve substantivação.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar derivação imprópria, pergunte: "essa palavra mudou de classe?" Se ela já era substantivo, não é derivação imprópria. O artigo anteposto a um verbo no infinitivo é o caso mais comum e o que a banca adora cobrar.

Conclusão: a derivação imprópria exige mudança de classe sem mudança de forma. No poema, apenas "andar" (verbo → substantivo) preenche esse requisito, graças ao artigo "um". As demais alternativas trazem substantivos de origem, sem conversão. Gabarito: letra E.

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