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Questão de Português — Sujeito — VUNESP 2025

PortuguêsSujeito
Código
vu218242
Banca
VUNESP
Órgão
CUSC
Ano
2025
Cargo
Vest Med ( )

Em “A saúde dos doentes”, o grande escritor argentino Julio Cortázar conta uma história patética. Trata-se de um rapaz que deixa a Argentina para morar no exterior (em Recife, especificamente) e morre. Além da dor representada por essa perda, a família vê-se diante de um sombrio problema: como dar a notícia à mãe do falecido, ela própria portadora de uma séria doença cardíaca? Decidem, então, manter a ilusão de que o jovem continua vivo.A) Para isso, forjam cartas dele. O truque funciona à perfeição — as cartas são tão convincentes que até a família acredita nelas. De repente, morre a mãe. E Cortázar encerra o conto com aquelas pessoas colocando-se, involuntariamente, outra questão: como dar ao familiar de Recife a notícia da morte da mãe?

 

O que temos aí é uma mentira piedosa, tão piedosaB) que exigiu o comprometimento de várias pessoas, as quais, por sua vez, comprometeram-se tanto com a piedosa mentira que chegaram a acreditar nela.C)

 

O drama vivido pela fictícia família é aquele que muitos médicos enfrentam. Como dar uma má notícia? Como dizer a uma pessoa que ela está com câncer terminal?

 

No passado, o princípio básico era poupar o doente, mesmo que à custa de uma encenação. […] Essa situação começou a mudar a partir dos Estados Unidos. Lá, pacientes processavam médicos exatamente por não terem sido informados de um diagnóstico sério e de um prognóstico reservado. Por causa disso, alegavam, não tinham posto suas coisas em ordemD) — em termos de testamento, de providências várias. E os médicos passaram, então, a uma seca objetividade.E) Há casos em que o paciente é informado pelo telefone: “Recebi o laudo de sua biópsia. É câncer.”

 

Claramente, o pêndulo oscilou na direção oposta. E será preciso conseguir uma nova posição de equilíbrio. Uma posição em que a verdade possa ser revelada, mas num clima de mútua compreensão. O que a medicina, inclusive, agora permite: câncer há muito tempo deixou de ser uma condenação para ser o diagnóstico de uma situação que, grave às vezes, sempre permite providências e não raro uma cura definitiva. Nem a mentira piedosa nem o brusco anúncio.

 

(Moacyr Scliar. O olhar médico: crônicas de medicina e saúde, 2005.)

Leia o trecho inicial da crônica “Piedosas mentiras”, do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão abaixo.     Apesar de estar na forma plural, refere-se a um sujeito expresso anteriormente no singular o verbo sublinhado em:
  1. ADecidem, então, manter a ilusão de que o jovem continua vivo”.
  2. B“O que temos aí é uma mentira piedosa”.
  3. C“as quais, por sua vez, comprometeram-se tanto com a piedosa mentira que chegaram a acreditar nela”.
  4. D“Por causa disso, alegavam, não tinham posto suas coisas em ordem”.
  5. E“E os médicos passaram, então, a uma seca objetividade”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “Decidem, então, manter a ilusão de que o jovem continua vivo”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o verbo no plural com sujeito singular

Gabarito: letra A. O verbo "Decidem" está na 3ª pessoa do plural, mas o sujeito a que se refere — "a família" — é um substantivo coletivo no singular. A alternativa A é a única em que o verbo, apesar da forma plural, retoma um sujeito expresso anteriormente no singular, caracterizando a concordância semântica (ou atrativa) com a ideia de pluralidade do coletivo.

"Decidem, então, manter a ilusão de que o jovem continua vivo."

O sujeito de "Decidem" é "a família", termo singular que, por ser coletivo, admite o verbo no plural quando se quer destacar os membros que a compõem. As demais alternativas apresentam verbos cujos sujeitos são efetivamente plurais ou indeterminados, não se encaixando na descrição do enunciado.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique o verbo que, apesar da forma plural, refere-se a um sujeito expresso anteriormente no singular. Isso exige analisar a concordância verbal de cada trecho, localizando o sujeito de cada verbo sublinhado e verificando se ele é singular ou plural. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática de concordância.

A técnica de resolução

Para cada alternativa, é preciso:

  1. Identificar o verbo sublinhado.

  2. Perguntar: quem pratica a ação? (encontrar o sujeito).

  3. Verificar se o sujeito está expresso no texto e se é singular ou plural.

  4. Comparar a forma do verbo com o número do sujeito.

A pegadinha central está em reconhecer que substantivos coletivos (como "família", "multidão", "turma") são singulares na forma, mas podem admitir verbo no plural quando se quer enfatizar os indivíduos que os compõem. Essa é a concordância semântica ou atrativa, distinta da concordância gramatical estrita.

1Gramatical (forma)
Sujeito plural → verbo plural
Sujeito singular → verbo singular
2Semântica/atrativa (ideia)
Coletivo singular → [+] verbo no plural
Ex.: família, multidão, turma
3Técnica de resolução
Identificar o verbo
Perguntar "quem?"
Achar o sujeito expresso
Comparar número do verbo × sujeito
Concordância verbal
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Concordância verbal: Gramatical (forma) (Sujeito plural → verbo plural, Sujeito singular → verbo singular); Semântica/atrativa (ideia) (Coletivo singular → [+] verbo no plural, Ex.: família, multidão, turma); Técnica de resolução (Identificar o verbo, Perguntar "quem?", Achar o sujeito expresso, Comparar número do verbo × sujeito)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Decidem, então, manter a ilusão de que o jovem continua vivo."

O verbo "Decidem" está na 3ª pessoa do plural. Quem decide? "a família" — termo singular, mas coletivo. O texto anterior afirma: "a família vê-se diante de um sombrio problema". Ao usar "Decidem", o autor opta pela concordância semântica, destacando os membros da família que tomam a decisão. É exatamente o que o enunciado descreve: verbo no plural com sujeito expresso no singular.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O que temos aí é uma mentira piedosa"

O verbo "temos" está na 1ª pessoa do plural, com sujeito oculto "nós" (o autor e o leitor). Não há sujeito expresso anteriormente no singular. O verbo "é" concorda com "uma mentira piedosa" (singular). Nenhum verbo aqui está no plural com sujeito singular expresso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"as quais, por sua vez, comprometeram-se tanto com a piedosa mentira que chegaram a acreditar nela"

Os verbos "comprometeram-se" e "chegaram" estão no plural, mas o sujeito é "as quais" — pronome relativo que retoma "várias pessoas", termo efetivamente plural. Não há sujeito singular; a concordância é gramatical normal com sujeito plural.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Por causa disso, alegavam, não tinham posto suas coisas em ordem"

Os verbos "alegavam" e "tinham" estão no plural, mas o sujeito é "pacientes" (termo plural expresso anteriormente: "pacientes processavam médicos"). A concordância é gramatical com sujeito plural, não semântica com singular.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"E os médicos passaram, então, a uma seca objetividade"

O verbo "passaram" está no plural, com sujeito "os médicos" — termo plural expresso. Concordância gramatical normal, sem relação com sujeito singular.

Conclusão

A única alternativa em que o verbo no plural se refere a um sujeito expresso no singular é a A, pois "família" é coletivo e admite a concordância semântica. As demais têm sujeitos efetivamente plurais ou ocultos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre concordância gramatical (com a forma singular do coletivo) e concordância semântica (com a ideia de pluralidade). O candidato que não conhece essa possibilidade marca qualquer alternativa com verbo plural, sem verificar o sujeito.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar verbo no plural, sempre pergunte "quem?" e localize o sujeito no texto. Se o sujeito for coletivo singular, teste se a concordância semântica é possível.

Gabarito: letra A

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