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Questão de Português — Formação e Estrutura das Palavras — VUNESP 2025

PortuguêsFormação e Estrutura das Palavras
Código
vu218297
Banca
VUNESP
Órgão
FICSAE
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

No avesso das palavras

na contrária face

da minha solidão

eu te amei

e acariciei

o teu imperceptível crescer

como carne da lua

nos noturnos lábios entreabertos

 

E amei-te sem saberes

amei-te sem o saber

amando de te procurar

amando de te inventar

 

No contorno do fogo

desenhei o teu rosto

e para te reconhecer

mudei de corpo

troquei de noites

juntei crepúsculo e alvorada

 

Para me acostumar

à tua intermitente ausência

ensinei às timbilas1

a espera do silêncio

 

(Mia Couto. Poemas Escolhidos, 2016.)

 

1 timbila: instrumento musical de percussão, do tipo xilofone,

tradicional de Moçambique.

Para responder à questão, leia o poema “Desencontro (2)”, de Mia Couto.     Em um processo de formação de palavras, uma palavra pode mudar de classe gramatical sem sofrer alteração em sua forma. A este processo de enriquecimento vocabular pela mudança de classe das palavras chama-se derivação imprópria.   (Celso Cunha e Luís F. Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo, 2007. Adaptado.)   A palavra sublinhada que é um exemplo de derivação imprópria é:
  1. A“No avesso das palavras” (1ª estrofe).
  2. B“amei-te sem o saber” (2ª estrofe).
  3. C“a espera do silêncio” (4ª estrofe).
  4. D“o teu imperceptível crescer” (1ª estrofe).
  5. E“na contrária face” (1ª estrofe).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “o teu imperceptível crescer” (1ª estrofe).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Derivação imprópria: a palavra que muda de classe sem mudar de forma

Gabarito: letra D. A palavra "crescer" em "o teu imperceptível crescer" é o único exemplo de derivação imprópria do poema: originalmente um verbo (ação de crescer), ela é empregada como substantivo (o ato de crescer, o crescimento), sem sofrer qualquer alteração em sua forma. Como se lê na 1ª estrofe, o eu lírico acaricia "o teu imperceptível crescer" — o artigo "o" e o pronome possessivo "teu" substantivam o verbo, que passa a nomear uma coisa, não uma ação.

A derivação imprópria (também chamada de conversão) é o processo de formação de palavras em que não há acréscimo de prefixo ou sufixo: a palavra apenas muda de classe gramatical conforme o uso na oração. O verbo "crescer" vira substantivo; o adjetivo "bonito" pode virar substantivo em "o bonito" ("Os bons sempre superam os maus", como no material de apoio); o particípio "lido" pode virar substantivo em "o lido". A forma permanece idêntica — o que muda é a função e o sentido no contexto.

A banca VUNESP adora cobrar esse processo com verbos no infinitivo substantivados ("o andar", "o falar", "o viver") e com adjetivos substantivados ("o belo", "o justo"). A pegadinha clássica é oferecer palavras que parecem ter mudado de classe, mas que na verdade já nasceram naquela classe (substantivos como "avesso" e "face") ou que mudaram de classe por outro processo (como a derivação regressiva, em que "espera" vem do verbo "esperar" com perda de material fonético).

Para resolver, o método é: identifique a classe original da palavra e a classe que ela exerce no trecho. Se forem diferentes e a forma não mudou, é derivação imprópria. Se a forma mudou (perdeu letras, ganhou sufixo), é outro processo. Vamos aplicar isso a cada alternativa.

Alternativa

Palavra sublinhada

Classe original

Classe no trecho

Processo

Veredito

A

avesso

Substantivo

Substantivo

Nenhum (já substantivo)

❌ Incorreta

B

saber

Verbo

Verbo (sem substantivação plena)

Nenhum (infinitivo)

❌ Incorreta

C

espera

Verbo (esperar)

Substantivo

Derivação regressiva (perda de forma)

❌ Incorreta

D

crescer

Verbo

Substantivo

Derivação imprópria (mudança de classe sem mudança de forma)

✅ Correta

E

face

Substantivo

Substantivo

Nenhum (já substantivo)

❌ Incorreta

Derivação imprópria (conversão)
  • 1Mudança de classe
    • Sem alterar a forma
  • 2Exemplos
    • Verbo → substantivo
      • "o crescer"
      • "o saber"
    • Adjetivo → substantivo
      • "o belo"
      • "o justo"
  • 3Confusões comuns
    • Derivação regressiva
      • "espera" (de esperar)
    • Palavras já substantivas
      • "avesso"
      • "face"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"No avesso das palavras"

"Avesso" é um substantivo (o lado oposto, o reverso) e assim permanece no trecho. Não houve mudança de classe: a palavra já é substantiva em sua origem. A alternativa tangencia o tema ao apresentar uma palavra que parece "diferente", mas não há conversão. Erro: fora do escopo (não é derivação imprópria).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"amei-te sem o saber"

Aqui, "saber" é um verbo no infinitivo que, antecedido do artigo "o", é substantivado — seria um caso clássico de derivação imprópria. Porém, a banca pede a palavra sublinhada, e no trecho "amei-te sem o saber" a palavra sublinhada é "saber"? Não: a alternativa cita o trecho inteiro, mas a palavra que a banca sublinhou é "saber"? Releia o enunciado: "A palavra sublinhada que é um exemplo de derivação imprópria é". Na alternativa B, a palavra sublinhada é "saber" — e ela é um verbo substantivado! Por que não é o gabarito? Porque a banca considerou que o trecho "sem o saber" traz o verbo "saber" no infinitivo sem substantivação plena: "sem o saber" equivale a "sem saber", em que "o" é pronome demonstrativo (= aquilo), não artigo. Nessa leitura, "saber" permanece verbo. A alternativa é ambígua e, por isso, a banca a descartou. Erro: troca de conceito (confunde verbo no infinitivo com substantivo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"a espera do silêncio"

"Espera" é um substantivo derivado do verbo "esperar" por derivação regressiva (perda da terminação verbal: esperar → espera). Não é derivação imprópria, pois houve alteração na forma (o verbo "esperar" perdeu o "-r" e a vogal temática). A palavra já nasceu substantivo. Erro: troca de conceito (confunde derivação regressiva com imprópria).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"o teu imperceptível crescer"

"Crescer" é um verbo (ação de crescer) que, no trecho, é antecedido pelo artigo "o" e pelo possessivo "teu", funcionando como substantivo (o ato de crescer, o crescimento). A forma não mudou: continua "crescer". Isso é exatamente a definição de derivação imprópria: mudança de classe sem alteração de forma. O artigo e o pronome possessivo são as pistas que substantivam o verbo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"na contrária face"

"Face" é um substantivo (o rosto, a superfície) e assim permanece. "Contrária" é um adjetivo que qualifica "face", sem mudança de classe. Nenhuma das duas palavras sofre conversão. Erro: fora do escopo (não há derivação imprópria).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre derivação imprópria (mudança de classe sem mudança de forma) e derivação regressiva (mudança de classe com perda de material fonético, como "espera" de "esperar"). A alternativa C é a isca perfeita: parece imprópria, mas é regressiva.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar derivação imprópria, pergunte: "a palavra mudou de forma?" Se sim, não é imprópria. E desconfie de verbos no infinitivo precedidos de artigo — são o caso mais cobrado.

Gabarito: letra D. A única palavra que muda de classe sem mudar de forma é "crescer", substantivada pelo artigo e pelo possessivo. As demais ou já são substantivas (avesso, face, espera) ou não sofrem conversão no trecho.

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