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Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
vu218311
Banca
VUNESP
Órgão
CEFSA
Ano
2025
Cargo
CA ( )

Quem é a estudante de 17 anos que resolveu um grande mistério matemático

 

Não é que alguém tenha dito que problemas matemáticos sofisticados não podem ser resolvidos por adolescentes que nem concluíram o Ensino Médio. Mas a chance de isso ocorrer parecia remota A).

 

No entanto, artigo publicado em fevereiro deixou o mundo da matemática, ao mesmo tempo, atordoado, encantado e pronto para receber um novo talento. Sua autora era Hannah Cairo, com apenas 17 anos na época. Ela havia resolvido um mistério de quarenta anos sobre o comportamento das funções, chamado conjectura de Mizohata-Takeuchi.

 

“Ficamos todos chocados, absolutamente. Não me lembro de ter visto nada parecido A)”, diz Itamar Birmingham, que passou dois anos tentando provar que a conjectura era verdadeira. Hannah demonstrou que ela é falsa.

 

Ela e seus dois irmãos – um três anos mais velho e o outro oito anos mais novo – foram todos educados em casa. Hannah começou a aprender matemática online. Aos 11 anos, já havia concluído o curso de cálculo. B) Ela lia e devorava, sozinha, os livros de matemática de nível de pós-graduação. C) “Havia uma mesmice. Não importava o que eu fizesse, eu estava no mesmo lugar, fazendo basicamente as mesmas coisas”, disse ela. “Eu estava muito isolada, eu acordava em certos dias e percebia que estava apenas mais velha. B)

 

A matemática tornou-se um escape. “A matemática era outro mundo que eu podia explorar. Foi assim que eu cresci, pensando em matemática como um mundo de ideias que eu posso explorar sozinha. Esse tipo de processo me ajudou a ver a matemática de forma diferente de muitas pessoas.”

 

Em 2021, na pandemia de covid-19, ficou na casa de seus avós em Chicago. D) Lá, ela se juntou aos Círculos de Matemática de Chicago, onde professores e alunos se reúnem para resolverem problemas difíceis. No ano seguinte, candidatou-se a um programa de verão de duas semanas, do Círculo de Matemática de Berkeley. Em sua inscrição, ela listou um conjunto de disciplinas autodidatas que, juntas, compunham o equivalente a um diploma avançado de graduação em matemática. Ela tinha 14 anos. “Hannah é acima e além do comum D)”, diz Zvezdelina Stankova, matemática em Berkeley.

 

Gosto de tocar piano, e as pessoas ao meu redor me diziam que eu era muito talentosa em matemática e piano. E, olhando para trás, agora que olho para isso, posso ver, claro, que meu piano estava acima da média. C) Mas não era de forma alguma excepcional. Por outro lado, parece que, matematicamente, eu sou, tipo, sei lá”, diz.

 

(Kevin Hartnett, “Quem é a estudante de 17 anos que resolveu um grande mistério matemático”, O Estado de S.Paulo. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder a questão     Assinale a alternativa que apresenta, corretamente e em ordem, exemplos das figuras de linguagem metáfora e metonímia.
  1. A“Não me lembro de ter visto nada parecido...” (3o parágrafo) / “Mas a chance de isso ocorrer parecia remota.” (1o parágrafo)
  2. B“... eu acordava em certos dias e percebia que estava apenas mais velha.” (4o parágrafo) / “Aos 11 anos, já havia concluído o curso de cálculo.” (4o parágrafo)
  3. C“Ela lia e devorava, sozinha, os livros de matemática de nível de pós-graduação.” (4o parágrafo) / “... posso ver, claro, que meu piano estava acima da média.” (7o parágrafo)
  4. D“Em 2021, na pandemia de covid-19, ficou na casa de seus avós em Chicago.” (6o parágrafo) / “‘Hannah é acima e além do comum.’” (6o parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “Ela lia e devorava, sozinha, os livros de matemática de nível de pós-graduação.” (4o parágrafo) / “... posso ver, claro, que meu piano estava acima da média.” (7o parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Metáfora e metonímia: identificando as figuras de palavra no texto

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que apresenta, corretamente e em ordem, exemplos de metáfora e metonímia. No primeiro trecho, "Ela lia e devorava, sozinha, os livros de matemática" (4º parágrafo), o verbo "devorava" é uma metáfora: compara-se, implicitamente e sem conectivo, o ato de ler com o de devorar (comer vorazmente), atribuindo ao estudo uma intensidade e voracidade que não são literais. No segundo trecho, "posso ver, claro, que meu piano estava acima da média" (7º parágrafo), a expressão "meu piano" é uma metonímia: substitui-se o instrumento (piano) pela habilidade de tocá-lo, uma relação de proximidade (instrumento pela pessoa que o toca ou pela atividade). As demais alternativas ou não apresentam as figuras pedidas, ou as apresentam em ordem incorreta, ou trazem trechos sem figura de linguagem.

O comando da questão

O enunciado pede que se assinale a alternativa que apresenta, corretamente e em ordem, exemplos de metáfora e metonímia. Isso significa que a primeira citação deve ser uma metáfora e a segunda, uma metonímia. A ordem é parte do critério de correção: se a alternativa tiver as figuras certas, mas invertidas, estará errada. Portanto, antes de analisar cada trecho, é preciso ter claras as definições:

  • Metáfora: comparação implícita, sem conectivo (como, tal qual, assim como), em que uma palavra é empregada fora do seu sentido básico, recebendo nova significação por uma comparação entre seres de universos distintos. Ex.: "Ele é um leão no trabalho" (valente).

  • Metonímia: substituição de um termo por outro com relação de proximidade ou afinidade, como a parte pelo todo, o autor pela obra, o instrumento pela pessoa que o utiliza. Ex.: "Li Machado de Assis" (obra pelo autor).

A pegadinha central da banca é confundir metáfora com comparação (que exige conectivo) e metonímia com metáfora (que exige comparação implícita). No trecho "devorava os livros", não há conectivo comparativo; a leitura é apresentada como se fosse uma ação de comer vorazmente — isso é metáfora. Já em "meu piano estava acima da média", não se compara o piano a nada; substitui-se o instrumento pela habilidade de tocá-lo — isso é metonímia.

Análise das alternativas

1Metáfora
Comparação implícita
Sem conectivo
Ex.: "devorava os livros"
2Metonímia
Substituição por proximidade
Parte pelo todo, autor pela obra
Ex.: "meu piano" (instrumento pela habilidade)
3Comparação (símile)
Com conectivo (como, tal qual)
Não é metáfora
Figuras de palavra
LEVELsoulevel.com.br
Figuras de palavra: Metáfora (Comparação implícita, Sem conectivo, Ex.: "devorava os livros"); Metonímia (Substituição por proximidade, Parte pelo todo, autor pela obra, Ex.: "meu piano" (instrumento pela habilidade)); Comparação (símile) (Com conectivo (como, tal qual), Não é metáfora)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Não me lembro de ter visto nada parecido..." (3º parágrafo) / "Mas a chance de isso ocorrer parecia remota." (1º parágrafo)

O primeiro trecho é uma fala de Itamar Birmingham, expressando surpresa; não há comparação implícita nem substituição por proximidade. O segundo trecho afirma que a chance era remota, sem qualquer figura de linguagem. Erro: ausência de metáfora e metonímia — os trechos são literais, sem recurso expressivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"... eu acordava em certos dias e percebia que estava apenas mais velha." (4º parágrafo) / "Aos 11 anos, já havia concluído o curso de cálculo." (4º parágrafo)

O primeiro trecho descreve uma percepção literal de envelhecimento; não há comparação implícita. O segundo trecho é uma informação factual, sem figura de linguagem. Erro: ausência das figuras pedidas — nenhum dos trechos apresenta metáfora ou metonímia.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Ela lia e devorava, sozinha, os livros de matemática de nível de pós-graduação." (4º parágrafo) / "... posso ver, claro, que meu piano estava acima da média." (7º parágrafo)

No primeiro trecho, "devorava" é metáfora: o verbo, que significa comer vorazmente, é aplicado ao ato de ler, criando uma comparação implícita entre a intensidade da leitura e a voracidade de quem devora comida. Não há conectivo comparativo, logo não é comparação (símile). No segundo trecho, "meu piano" é metonímia: o instrumento é usado para se referir à habilidade de tocá-lo. Hannah não diz que o piano em si estava acima da média, mas que sua performance ao piano era acima da média — há uma relação de proximidade entre o instrumento e a atividade. Ordem correta: metáfora primeiro, metonímia depois.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Em 2021, na pandemia de covid-19, ficou na casa de seus avós em Chicago." (6º parágrafo) / "'Hannah é acima e além do comum.'" (6º parágrafo)

O primeiro trecho é uma informação factual, sem figura de linguagem. O segundo trecho é uma avaliação elogiosa, mas literal — "acima e além do comum" significa excepcional, sem comparação implícita ou substituição por proximidade. Erro: ausência das figuras pedidas — não há metáfora nem metonímia.

Conclusão

A questão exige identificar, em ordem, metáfora e metonímia. A única alternativa que atende aos dois critérios é a C: "devorava" é metáfora (comparação implícita sem conectivo) e "meu piano" é metonímia (instrumento pela habilidade). As demais alternativas ou não apresentam figuras de linguagem, ou as apresentam fora da ordem pedida. Gabarito: letra C.

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