Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2025
Português›Figuras de Linguagem
Código
vu218335
Banca
VUNESP
Órgão
CEFSA
Ano
2025
Cargo
CA ( )
A lua no cinema
A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.
(...)
Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
(...)
A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
– Amanheça, por favor!
(Paulo Leminski, “A lua no cinema”, Distraídos venceremos. Adaptado)
Leia um trecho do poema de Paulo Leminski a seguir: Observa-se, nesse trecho, predominância da seguinte figura de linguagem:
Ametonímia.
Bhipérbole.
Cpleonasmo.
Dpersonificação.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — personificação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Personificação: a lua ganha vida no poema
Gabarito: letra D. A figura predominante no trecho é a personificação (também chamada prosopopeia), pois o poeta atribui à lua — um ser inanimado — ações e sentimentos humanos: ela "foi ao cinema", "ficou tão triste" e "insiste". A passagem que comprova é o verso "A lua ficou tão triste", em que a lua sente tristeza, emoção exclusivamente humana.
"A lua ficou tão triste / com aquela história de amor"
Aqui, a lua não é apenas um astro; ela experimenta uma emoção e, no final, fala ("Amanheça, por favor!"), o que é a marca clássica da personificação: dar características humanas a seres inanimados ou irracionais.
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique a figura de linguagem predominante no trecho. Isso é uma tarefa de interpretação de texto aplicada à estilística: você precisa reconhecer o recurso expressivo que o autor usa para construir o sentido poético. Não se trata de gramática normativa, mas de semântica e estilística — entender como a linguagem é empregada de forma figurada.
O texto e a figura
O poema de Paulo Leminski brinca com a ideia de a lua assistir a um filme sobre uma estrela solitária. A lua se identifica com a história e fica triste. Todo esse enredo é impossível no mundo real — a lua não vai ao cinema, não sente tristeza, não fala. Ao atribuir essas ações e emoções humanas a um astro, o poeta usa a personificação.
Veja os verbos e expressões que revelam a figura:
"A lua foi ao cinema" (ação de ir)
"A lua ficou tão triste" (sentimento)
"a lua insiste" (vontade)
"Amanheça, por favor!" (fala)
Todos esses elementos são próprios de seres humanos, não de corpos celestes. A personificação é uma figura de palavra (ou de pensamento, conforme a nomenclatura), que consiste em atribuir vida, sentimentos ou ações humanas a seres inanimados, animais ou entes abstratos.
A técnica para resolver
Para identificar a figura predominante, pergunte: o que o autor faz com o elemento central? Se ele humaniza algo que não é humano, é personificação. Se ele exagera uma ideia, é hipérbole. Se ele substitui um termo por outro com relação de proximidade, é metonímia. Se ele repete uma ideia, é pleonasmo.
No trecho, a lua é personificada do início ao fim — não há exagero, substituição ou repetição. A humanização é o recurso estruturante do poema.
Análise das alternativas
Figuras de linguagem: Personificação (gabarito) (Atribui ações/emoções humanas, A seres inanimados ou irracionais, Ex.: lua fica triste e fala); Metonímia (Substituição por proximidade lógica, Ex.: autor pela obra); Hipérbole (Exagero intencional, Ex.: "morrer de rir"); Pleonasmo (Repetição de ideia, Ex.: "subir para cima")
Alternativa A — ❌ Incorreta
Metonímia é a substituição de um termo por outro com base em uma relação de proximidade lógica (autor pela obra, parte pelo todo, marca pelo produto). No trecho, não há essa substituição: a lua é tratada como lua, não como outra coisa. A alternativa tangencia o tema, pois a metonímia também é uma figura de palavra, mas não se aplica ao texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Hipérbole é o exagero intencional ("morrer de rir", "chorar rios de lágrimas"). No poema, não há exagero: a tristeza da lua é apresentada de forma natural, sem intensificação hiperbólica. A alternativa extrapola o texto, pois o leitor pode achar que "ficar tão triste" é um exagero, mas o texto não marca isso como exagero — é uma personificação do sentimento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Pleonasmo é a repetição de uma ideia com palavras diferentes ("subir para cima", "entrar para dentro"). No trecho, não há repetição desnecessária de sentido. A alternativa contradiz o texto, pois não há nenhuma redundância expressiva.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Personificação (ou prosopopeia) é a figura que atribui características humanas a seres inanimados ou irracionais. No poema, a lua vai ao cinema, fica triste e fala — tudo isso é humano. A passagem decisiva é:
"A lua ficou tão triste / com aquela história de amor"
A tristeza é uma emoção humana; a lua, como astro, não pode senti-la. Ao fazê-la sentir, o poeta personifica a lua. Essa é a figura predominante no trecho, pois perpassa todo o poema.
Conclusão
A questão testa o reconhecimento da personificação em um texto poético. A dica de ouro: sempre que um ser inanimado pratica ações ou sente emoções humanas, há personificação. As demais figuras (metonímia, hipérbole, pleonasmo) não se sustentam no texto, pois não há substituição, exagero ou repetição.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar figuras de linguagem, grife os verbos e adjetivos ligados ao elemento central. Se eles forem tipicamente humanos, a figura é personificação.